Mostrar mensagens com a etiqueta Pessoas Tóxicas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Pessoas Tóxicas. Mostrar todas as mensagens

sábado, 9 de maio de 2020

Relação entre misoginia e homofobia




"Rom pom pom pom rom pom man down!" é com as sábias palavras de Rihanna que apresentamos o vídeo de hoje.
Dona Rita, em seu ápice da pistolice, apresenta argumentos que evidenciam a íntima relação entre misoginia e homofobia.
Quando em 2019 ainda ouvimos "Não sou/curto afeminados" e "por que estamos falando de mulheres num canal LGBTQIA+?", a única reação possível é "ai, eu não acredito!".
Um vídeo que trata de um tema caro porém importante. Só assista!


 Algumas referências do programa Tempero Drag:

Angela Davis, Mulher, Raça e Classe. Disponível para download aqui.




terça-feira, 27 de junho de 2017

Mr. Wrong


 
No meio do caminho da nossa vida | Frederico Lourenço
Ontem pus-me a pensar numa coisa curiosa. Imaginando que futuros governos me obrigarão a ser professor da Universidade de Coimbra até aos 70 anos, faltam ainda 16 anos para eu me reformar. Tendo iniciado a minha carreira como professor universitário no ano lectivo de 1989-1990, o último ano lectivo em que darei aulas será o de 2032-2033. Assim sendo, atingi o meio da minha carreira universitária no ano lectivo de 2010-2011, o único da minha vida – por inacreditável que pareça – em que eu, especialista de grego, dei aulas sobre a «Divina Comédia» de Dante.
Na altura eu estava longe de consciencializar que Dante entrara na minha carreira universitária precisamente a meio dela. A bem dizer, só me dei conta disso ontem.
E achei uma coincidência espantosa. Esse meio-caminho correspondeu a uma altura muito confusa da minha vida, em que eu estava a lutar contra a depressão causada pela morte do meu pai, ao mesmo tempo que tentava sair de uma relação tóxica com um homem que era em tudo a encarnação de Mr. Wrong (foi a única relação tóxica da minha vida, mas também foi uma aprendizagem de que não me arrependo em nada; nem uma das infinitas lágrimas então choradas foi chorada em vão).
Nessa altura, eu fazia tudo (mas TUDO) a contragosto e foi nesse estado de espírito que preparei e dei as aulas sobre a «Divina Comédia». Se, na altura, me tivessem perguntado do que é que eu gostava, a resposta teria sido «nada», pois na verdade eu não gostava de nada. Tinha-me desapaixonado totalmente pelos gregos e pela literatura grega; também não dava dez tostões pela minha escrita não-académica; escrevi dois livros de poesia, o segundo dos quais (»Clara Suspeita de Luz») a tentar fazer sentido da dita relação tóxica, mas são livros que não tenho hoje vontade de reler. A única coisa «positiva» que fiz foi dedicar-me à leitura de Schopenhauer, o filósofo que reduziu o mundo a «nada» (nichts), e pensei na hipótese de traduzir para português «O Mundo como Vontade e Representação». O que é facto é que acabei por desistir dessa ideia. Mil páginas em alemão a explicar porque tudo é nada pareceram-me um nadinha de mais.
Esse meio-caminho da minha vida universitária foi um momento de total perda de orientação e de sentido. Se me tivessem dito, nessa altura, que eu um dia voltaria a interessar-me a sério pela literatura em língua grega eu não teria acreditado. No entanto, passado esse Bojador do meio-caminho da minha vida, começou a aparecer no horizonte uma nova razão de ser. Comecei a fascinar-me cada vez mais por algo que já me fascinava havia muitos anos: o Novo Testamento. Comecei a perceber quão urgente era abrir, em Portugal, a discussão sobre essa colectânea extraordinária de textos a âmbitos fora do contexto eclesiástico; percebi a urgência de desfazer o equívoco na cabeça de tantas pessoas no nosso país de que o estudo do Novo Testamento e a sua interpretação teológica são inseparáveis ou, pior ainda, são simplesmente a mesma coisa. Não. Não são a mesma coisa. O estudo histórico do Novo Testamento e o estudo das realidades que lhe deram origem (assim como o estudo dos seus primeiros destinatários) não pode nem deve ser confundido com aquilo que é a sua posterior interpretação teológica, católica ou protestante.
E ontem pensei noutra coisa. Lembrei-me disto: quando, bem antes de eu ter chegado ao meio-caminho, eu estava a escrever a minha tese de doutoramento sobre métrica grega, uma antiga colega minha, a Cristina Pimentel, disse-me em 1994 uma frase que nunca esqueci: «espero que o Frederico não fique pelo glicónico».
O termo «glicónico» refere-se a um verso grego, que estudei pormenorizadamente na minha tese. Na altura, acho que respondi à Cristina que contava mesmo ficar pelo glicónico e, durante a crise do meio-caminho em que eu dava aulas em Coimbra sobre a «Divina Comédia», passava-me às vezes pela cabeça voltar a a estudar essas coisas rarefeitas: coisas como a permissibilidade da resolução das posições longas nos priapeus de Píndaro – ou outras coisas do género, de profundo interesse, como se vê, para a vida da Humanidade. 
Felizmente, não me fiquei por esse tipo de estudo e encontrei a razão da minha vida no estudo do Novo Testamento, que não largo nem por um dia e a que voltarei, de forma bem mais aprofundada, quando tiver acabado a tradução de uma obra básica e fundamental para a compreensão de toda a literatura cristã: o Antigo Testamento grego (Septuaginta). Se tudo correr bem, portanto, os melhores anos da minha vida ainda estão para vir: serão, pelas minhas contas, os anos lectivos de 2020-2021 a 2032-2033. Tentarei não morrer entretanto. Descrição: https://www.facebook.com/images/emoji.php/v9/f4c/1/16/1f642.png
Coimbra, 27-06-2017
https://www.facebook.com/permalink.php?story_fbid=1884214725161774&id=100007197946343











🙂




domingo, 12 de junho de 2016

INVEJA E COMPETIÇÃO




Quem já conviveu com uma pessoa perversa percebeu a presença constante da inveja e flagrante desejo de ter coisas que você tem; de ser você. Há uma inexplicável sensação diária de uma espécie de concorrência velada ao longo de toda a relação, nas mínimas coisas.

Pensando nisso, decidi compartilhar alguns exemplos de como eu vivi essa inveja e competição. Você tem histórias assim para contar?

Nos anos de convivência e até hoje, a pessoa perversa narcisista da minha trajetória tinha uma verdadeira obsessão por ter tudo o que eu tinha. O que não podia ter, fazia em modo que eu destruísse, vendesse ou perdesse.

Além disso, tratava rapidamente de minimizar minhas vitórias ou cobri-las com um comentário negativo, malicioso ou vitimista. Se fossem coisas, ele as desejava em silêncio. Jamais fazia menção a elas para elogiar, apenas para se lamentar por não tê-las ou sê-las.

Queria ter uma conta no banco em que eu tinha. Não sossegou enquanto eu não lhe consegui o "status". Precisava dos mesmos seguros, os mesmos investimentos, o mesmo gerente. Tudo. Ainda que eu minimizasse o fato dizendo que era reflexo de um cargo importante que eu ocupava antes de conhecê-lo, para ele, aquilo era uma afronta; uma diminuição de sua importância e precisava ser superada.

Falava com cólera dos países que queria conhecer. Argumentava amargurado: "Você rodou o mundo, agora é minha vez". Nunca tinha o espírito de "Que bom que conhece o mundo! Como foi a trabalho, vamos viajar de novo, para vermos tudo juntos, agora de férias!?". Não. Ao invés disso tinha rancor.

Parecia que eu tinha uma dívida com ele por ter feito coisas que ele não tinha feito. Queria ter um carro de uma certa marca alemã que eu tive. Vitimizava-se: "Você já teve a sua XXX, agora é minha vez!" Quando conseguiu, depois de 2 anos de contato zero, mandou me avisar, como se me importasse que carro alguém dirige ou deixa de dirigir.

Eu, que com perverso aprendi a por para fora a minha reserva adquirida de veneno, para sacanear, perguntei:

Ah é? E ele já comprou os pneus? A pessoa ficou surpresa e perguntou: Como sabe que comprou pneus???

Respondi na lata: "Porque mesquinho como é e com o exclusivo desejo de imitar e não de ter o que realmente gosta e pode ter, não teria tido coragem de comprar uma zero km. Diga-lhe que fiz esse comentário."

Não sei o desfecho, mas desistiu de me mandar recados...

Quando eu tinha uma ideia boa, diante dos amigos ele dizia que "nós" tínhamos tido aquela ideia. Longe deles, a ideia merecia críticas, desmotivação e esquecimento.

Outro dia alguém veio me contar que o cara talvez seguisse minha página porque decidiu fazer um curso de Coaching que nada tem a ver com sua profissão e menos ainda, com o seu caráter. O importante é não ficar por baixo, não importa o que ser coach significa...

Obviamente surtaria se soubesse que minha formação foi por uma escola de coaching diversa daquela que escolheu. Provavelmente cancelaria a inscrição e tentaria pela mesma, não estou exagerando.

Daí pensei: Bom, se o negócio é tentar se apoderar das minhas características, ser eu ou ter coisas que tenho, mando avisar: daqui um mês vou mudar de sexo. Vai encarar?

sábado, 11 de junho de 2016

SERÁ QUE ESTOU EXAGERANDO?

 
Quando se percorre a árdua estrada de se conscientizar que você está vivendo um relacionamento destrutivo e não um conto de fadas, vive-se um número sem fim de fases e momentos de altos e baixos, permeados de certezas e incertezas que parecem enlouquecer.
De repente, num dia cheio de enorme desconforto na relação, você se deparou com um texto dessa página que lhe fez ter um choque de realidade. Foi como se o quarto estivesse escuro e você encontrasse o interruptor. Foi como descortinar a janela de uma sala fria e sombria para ver que lá fora o dia está claro e faz sol. A luz de cega, mas alivia o medo de não saber o que tem diante dos olhos. O dia lindo convida, você ainda não sabe como chegar lá fora, mas consegue ver que está claro.
Comigo não foi diferente. Me lembro com exatidão a primeira fez que li sobre perversão narcísica. Foi um tapa na cara que parecia ter me desfigurado para sempre. Foi a morte da inocência e o início da vida adulta. Eu mal podia acreditar que ali, num texto escrito por outra pessoa que não me conhecia, pudesse estar descrita a minha vida, as minhas emoções e o pior: as características do meu parceiro que eu imaginei fosse perfeito e para toda vida.
Os dias que se sucederam foram de obsessão no mais puro sentido da palavra. Eu precisava saber tudo. Não existia mais nada em português além daquele artigo. A palavra narcisismo jogada no Google dava sempre em histórias sobre o mito Narciso ou qualquer coisa ligada a excesso de amor por si mesmo. Não era nada disso. Era sobre a minha vida ali e era tudo muito feio.
Parti em busca de conhecimento e encontrei uma fonte rica nos EUA. Foi ali que descobri o que havia por trás de toda aquela brutalidade velada que eu vivi. Foi ali que redescobri minha própria identidade e quão fundo eu a havia enterrado.
Mas espere! O objetivo principal desse texto não é contar parte de minha experiência, e sim explorar um aspecto desse meu processo de descoberta: a dúvida. A um certo ponto, eu, exausta de tanto descobrir, me sentei, chorei e pensei: E se eu estiver exagerando? E se ele não for um perverso narcisista? E se o perverso for eu? Estou fazendo diagnósticos? Se ele for, como tratar?
Foi preciso ainda muito estudo, exercício de amor próprio, além da observação fria e destacada do comportamento de meu ex, para chegar às respostas.
Já de início, entendi que não é possível identificar alguém emocionalmente normal (não perverso) dentro do conteúdo abordado nessa página. Quando essa leitura faz todo sentido do mundo e o leitor se vê nas situações, enxergando cada movimento da pessoa perversa que lhe assombra a vida, simplesmente não é possível que seja uma mera coincidência.
Então percebi que se eu fosse realmente a pessoa perversa não estaria naquela situação deplorável a que cheguei e menos ainda, teria consciência de minha perversidade. Saberia dela, mas não a entenderia como algo reprovável e sim necessária para minha sobrevivência. Estaria não ali buscando respostas, mas sugando um novo alvo e arquitetando um modo de transformar a vida do meu ex num inferno.
Se fosse perversa, estaria atolada em mim e em meus interesses, e não focada em ajudá-lo, culpando-me. Ao invés disso, eu doía todo o estresse pós traumático que aqueles anos deixaram e que parecia nunca ter fim. Aprendi rápido que culpa, remorso, empatia e admissão de falhas não são características de pessoas perversas. Eu as tinha, ele não.
Daí compreendi que, independente de um possível diagnóstico acertado, a violência silenciosa da qual fui alvo, a espiral constante de loucura, acusações, instabilidade, rejeição, abandono e medo que vivi, não eram coisas aceitáveis, não importava de quem estivessem vindo.
Aprendi que, narcisista ou não, aquilo pouco importava. O que realmente deveria me incomodar era o grau de malignidade que aquilo trazia para minha vida e meu funcionamento como indivíduo. Coloquei na cabeça que saber o que essas características significam deveria servir como norte para dar rumo à minha vida e não à vida dele.
Por fim, um dia em que ainda resistia, com choros compulsivos embaixo do chuveiro, dei um grito comigo mesma no espelho e perguntei: Quem você quer ajudar? Essa pessoa te pediu ajuda? Ela acha que precisa de ajuda? Ela deseja essa mudança? Ela acha que o problema está com ela ou com você? Você quer ajudá-la e curá-la, enquanto quem está ajudando a curar você? Quem, afinal, precisa de ajuda? Perguntas duras, respostas duras.
Aceitei com dor que minha dúvida em relação à pessoa perversa com a qual convivi tinha duas razões principais e ambas tinham a ver com minha mania de “enfermeira”:
1. Queria ter certeza que, se era mesmo um transtorno, por que eu não conseguiria “ajudá-lo”? Ele precisava de ajuda! Lá estava eu de novo tentando estar na posição da boazinha mártir que tudo suporta e tudo transforma e que, portanto, só um louco não a manteria sempre por perto. Queria ajudar, cuidar, curar, transformar um homem porque eu era incapaz de fazer isso por mim mesma.
2. Constatei que, ao assumir para mim as culpas e o papel de perverso da relação, eu o tirava da posição de intratável, incurável, irremediável, mau. Eu o mantinha imaculado e lindo. Eu o havia idealizado demais, não queria destruir o príncipe que eu havia construído com tanto esmero. Era bem mais fácil destruir a mim mesma. Assumir o papel do bandido, me fazer castigar e depois trabalhar duro para reconquistar o homem perfeito.
Constatei incrédula e ferida, que pessoas que são como eu era passam a vida toda se agredindo para preservar e agradar os outros e que naquele momento eu ainda não queria fazer diferente. Sentia medo de ser fazer o que nunca tinha feito: focar e cuidar de mim. Queria a minha zona de conforto. Queria manter intacta minha autossabotagem.
Foi com trabalho duro, muita leitura, muito estudo, luta interna, contato zero e certeza de que, fosse o que fosse, eu não queria mais aquilo para minha vida, que consegui me dar respostas: “Não é problema seu o que ele é ou deixa de ser. Você é problema seu. Você importa. Você merece mais e melhor. Ninguém que não reconhece seu valor merece ocupar espaço em sua vida ou gastar seus melhores anos.” Acreditei nelas e segui.
Talvez você leitor esteja vivendo o mesmo dilema, por motivos semelhantes ou não, não importa. O que importa é que hoje é o momento certo de se CONSCIENTIZAR. É a hora de parar de se autossabotar para proteger, preservar, encobrir alguém oco, que não tem absolutamente nada a lhe oferecer.
Você repete aos quatro ventos que viveu uma linda história de amor e que só agora as coisas ficaram feias. Você se agarra firme à ideia que, apesar de tudo, aquela é uma pessoa boa e os momentos bons foram tantos que justificam sua enésima tentativa.
Você faz lindos desenhos o tempo todo e faz um esforço colossal para que aquela pessoa se torne esse ser que existe aí dentro de seu mundo imaginário, tão distante daquele que tem diante dos olhos quando humilha você ou goza quando você liga 500 vezes na tentativa de desfazer um mal entendido, sem que ninguém responda.
Você acredita que se se esforçar um pouco mais, fará a pessoa feliz e, de consequência, também será feliz. Sua fichas estão todas nela e, para você, desistir é perder todas, é acreditar que ninguém quer ou ama você e que toda sua oportunidade de ser feliz vai morrer ali. Você não sabe que tudo de bom que a vida tem para lhe dar vai ser destruído se não sair correndo dessa posição. Você bate o pé, faz birra e fica.
Você quer que essa pessoa tenha algo a oferecer, mas sabe que ela não tem. Você sabe disso desde o início. Você busca desesperadamente algo que dê sentido à essa relação e não encontra. Você faz tudo e agora senta aqui para ler este texto estando tomada(o) por uma exaustão indescritível.
No fundo sabe que não vai conseguir. Sabe que a pessoa real nada tem a ver com a imaginária. A saída fácil é se culpar para limpar o outro. A saída dolorosa é admitir que amou uma fraude, aceitar os fatos, juntar os pedaços e começar de novo com foco na única pessoa cujo diagnóstico deve de fato interessar: você.

sexta-feira, 10 de junho de 2016

OS NOVE CRITÉRIOS INDICADORES DO TRANSTORNO DA PERSONALIDADE NARCISISTA


Cameron Gordon is a modern narcissus for the peak




Bem diverso da história mitológica de Narciso, narcisistas patológicos não são pessoas que se amam demais. São, ao invés disso, pessoas com baixíssima autoestima, uma autoimagem deturpada e uma mau caráter brutal, mais comum na sociedade moderna do que se imagina. Há quem diga que esse transtorno é epidêmico, tamanha sua incidência na população mundial.

E quem são? Segundo o DSM-V, há nove critérios que indicam a presença de transtorno da personalidade narcisista num indivíduo. Bastariam a presença de 5 para um eventual diagnóstico, feito, obviamente, por profissional qualificado.

Sem banalizar eventuais diagnósticos, saber quais são e o que cada um significa pode livrar você de muita perda material e imaterial. Vale saber!

1. Noção exagerada de importância pessoal não baseada na realidade.

Uma visão inflada de si mesmo é uma das principais maneiras pelas quais narcisistas dão permissão a si mesmos para dominar e controlar os outros. Narcisistas acreditam que suas prioridades, interesses, opiniões e convicções têm mais valor e são mais importantes do que os de qualquer outra pessoa. Nem todos os narcisistas exibem ao mundo sua grandiosidade; alguns, na verdade, dão a impressão de ser muito humildes ou até mesmo tímidos para o mundo exterior, mas, quando estão em intimidade, essa característica vai dominar a convivência.

2. Preocupação com fantasias de sucesso, riqueza, poder, beleza e amor acima do normal.

Narcisistas com frequência têm uma vida repleta de fantasias e quase nunca se satisfazem com o meramente ordinário, por mais satisfatório ou maravilhoso que possa ser. Essa preocupação com a fantasia impede a personalidade narcisística de levar uma vida real e estável. Alimentam desejos de riqueza, fama, poder ou status obsessivamente.

3. Convicção de que é um indivíduo especial e único, e só pode ser comprometido com ou compreendido por pessoas especiais.

Esta ideia é parte integrante de um mecanismo de sobrevivência que os ajuda a lidar com o mundo. Com frequência, eles se definem em função do que consideram suas qualidades especiais e nos informam acerca dessas qualidades tão logo os conhecemos.

4. Intensa necessidade de admiração.

Ame-me, observa-me, preste atenção em mim. Narcisistas tendem a se engrandecer e ser sua própria referência.

5. Sentimento de merecimento.

Regras, regulamento e padrões esperados de comportamento enfurecem os narcisistas, que se julgam tão especiais a ponto de não precisar obedecer às expectativas normais nem respeitar os limites apropriados. Eles podem ficar igualmente atormentados pelo trabalho árduo, por uma doença ou uma lesão. Por outro lado, as regras que são impostas por eles aos outros devem ser sempre respeitadas.

6. Tendência a explorar os outros sem sentir culpa ou remorso.

Dependendo das outras características de sua personalidade, o narcisista pode nos induzir a fazer todo seu trabalho por ele ou, por exemplos, tirar nosso dinheiro, permitir que paguemos suas contas, receber presentes sem nunca dar, cobrar mais por serviços e pagar menos, deixar-nos esperando durante horas em uma esquina, na chuva, sem considerar que esse comportamento é desrespeitoso. Seu sentimento de merecimento transforma esses comportamentos em coisas normais, impedindo que sintam culpa ou remorso.

7. Ausência de empatia significativa.

O narcisista tem muito pouca capacidade de se colocar no lugar de outra pessoa. Sua dor, seus problemas e seu ponto de vista dominam o universo. Talvez nada reflita mais o comportamento do narcisista do que a incapacidade de compreender e identificar-se com a experiência dos outros. Este fato é particularmente verdadeiro quando a pessoa que precisa de compreensão é alguém que o narcisista esteja explorando, ou seja, seu alvo atual (amoroso, de trabalho, familiar ou amigo).

8. Tendência a ser invejoso ou de se imaginar alvo da inveja dos outros.

O narcisista tem dificuldade em se ajustar a um mundo no qual as outras pessoas parecem ter "mais" coisas ou coisas "melhores". Os narcisistas, com frequência, deixam de reconhecer que são invejosos e transformam o sentimento em desprezo.

9. Arrogância.

Narcisistas com frequência têm uma atitude esnobe com relação às pessoas que eles julgam não estar à altura de seu "elevado" padrão de inteligência, competência, realização, valores, moral ou estilo de vida. Acreditar que o outro é inferior os ajuda a reforçar e inflar a convicção que têm da própria superioridade. Criticar e diminuir os outros os faz se sentir bem com relação a si mesmos. Não raro, são homofóbicos, racistas, preconceituosos de todo tipo, simplesmente porque se acham superiores a um certo grupo.
Lucy Rocha, com observações da Sociedade Americana de Psiquiatria
Relações Tóxicas, 2016-06-08
 
 

quinta-feira, 26 de maio de 2016

AS 3 FASES DO RELACIONAMENTO COM NARCISISTAS


Atenção: Este texto já foi publicado aqui e em outros sites. Apesar de descrever uma relação com um perverso narcisista do sexo masculino, a dinâmica com uma mulher perversa não varia muito. Há mais sedução, uso da beleza e do sexo, mas em tese, é a mesma dinâmica. Em que pese o fato de existir mais homens do que mulheres portadores de características dos transtornos da personalidade narcisista e antissocial, abuso relacional não tem gênero e, portanto, homens também são vítimas de pessoas perversas, seja em relações hétero ou homossexuais.
1ª FASE: O PRÍNCIPE ENCANTADO - FASE DA IDEALIZAÇÃO
Idealização, Desvalorização e Descarte: as três palavras mais terríveis para qualquer um que já tenha se envolvido no ciclo de uma relação com um sociopata narcisista ou antissocial.
No início de seu relacionamento ele era tudo o que você sempre quis? O príncipe encantado com quem um dia você sonhou e quando acordou, lá estava ele aos seus pés? Aposto que ele era. Era todo carinho e adoração? Sua atenção, seu tempo, seu interesse, tudo para era você? As surpresas inesperadas, os elogios constantes que faziam com que você se sentisse linda e muito especial? Ele parecia genuinamente ouvir o que você tinha a dizer? Horas conversando... e de repente, você achou sua alma gêmea, seu melhor amigo e o amante mais cuidadoso? Tenho certeza que sim!
Os sociopatas narcisistas e antissociais são mestres absolutos do charme e manipulação Eles têm a incrível capacidade de ser exatamente o reflexo daquilo que você deseja, quer e precisa. Mas não se engane, o sociopata não se importa com você. Nada daquilo que você vê é real. É tudo desenhado para a conveniência dele e para que ele consiga adentrar suas defesas, limites e espaço pessoal, tomando o controle de seu tempo, de sua atenção, de sua vida. Esse sonho tem um prazo de duração e quem determina esse prazo é ele.
No início do relacionamento com um sociopata, todas as emoções normais de euforia que se sente quando se inicia um novo relacionamento estão lá. No entanto, ainda que tudo esteja perfeito, tem sempre algo estranho sobre ele que não se encaixa, que você não entende bem o que, mas decide ignorar para continuar vivendo o sonho.
Uma vez que o sociopata percebe que você pode ser uma fonte viável de suprimento narcísico, investirá em você tão rápido, tão alto e com tanta força que você não vai saber o que a atingiu. Você mal acreditará quanto esta pessoa parece estar apaixonada por você. Seu charme e constante afeto não são como nada que você já tenha experimentado antes. Ele realmente parece bom demais para ser verdade...
A idealização é a primeira fase neste ciclo surreal constante que é a relação com sociopatas. É a "fase do pedestal ", isto é, você é posta na posição de uma deusa, e ele parece tão sincero, faz com que você se sinta tão bem e produza tantas daquelas endorfinas da paixão, que logo você fica dependente . Ele demanda seu cuidado e atenção constantes, despertando em você a empatia e seu lado maternal.
Nessa fase ele moveria montanhas para sua felicidade. Ele ama tudo sobre você e faz questão que você saiba disso. O contato com você é constante. Faz planos, quer te ver, ouvir sua voz mesmo que seja para um simples “oi”. “Desfila” com você para os amigos e quem sabe até para sua família, como se você fosse um troféu do qual ele está orgulhoso. E você lá, deslumbrada com toda essa atenção que nunca recebeu de ninguém. Por ele, você começa a dizer a si mesma que tudo vale a pena e... logo colocará isso em prática...
Vocês se conhecem há pouco tempo, mas já parece anos. Tudo se move rápido com ele. É comum o sociopata falar rapidamente de casamento, filhos e tudo que ele, estudando você, saiba que você quer ouvir. Como são irresponsáveis, inconsequentes e não sentem qualquer culpa ou remorso, dirão essas coisas mesmo sem nenhuma intenção de concretizá-las. Ainda que cheguem a concretizar algo, viram as costas para essas coisas sem nenhuma cerimônia. Mas isso só acontece mais tarde...quando já atingiram todos os seus objetivos obscuros.
Observa-se nessa fase uma atividade verbal constante em relação as ex e quanto elas foram más. Sim, você ouvirá histórias tristes de como ele foi injustiçado, de como ele lutou por aquela relação e ela simplesmente lhe deu o pior. Você sentirá pena ao ver uma homem tão cheio de amor para dar tendo sido tão injustiçado, terá ímpetos de ser tudo o que ela não foi e se perguntará com frequência: “Onde essa mulher estava com a cabeça quando deixou passar esse partidão?”
Ele é todo ouvidos, seu amigo confidente, que está sempre mandando aquele “oi” no meio do dia e sempre pronto a te ouvir como nunca aconteceu. Você conta tudo: seus medos, seus sonhos, suas frustrações, seu traumas, seus gostos. Ele ouve maravilhado e faz a mímica de tudo o que você deseja. Você mal pode acreditar que tem diante de si alguém tão apaixonado e seguro do que quer de você. Você encontrou seu porto seguro e começa a relaxar, a se sentir muito a vontade em sua companhia.
Na fase da idealização estamos só no começo. Nela, parece que ele não se cansa de você, certo? Errado. Ele pode e ele vai se cansar. Logo. Uma vez que o narcisista percebe que a comida dele “mordeu o anzol”, ele começa a enrolar a linha para trazer sua presa para suas mãos. E é aqui que começa o verdadeiro pesadelo.
2ª FASE: PRÍNCIPE OU SAPO? - FASE DA DESVALORIZAÇÃO
Desvalorização é a segunda fase do ciclo que compõe a relação com sociopatas, em especial, o narcisista . Eu, pessoalmente, não estou bem certa de qual fase é pior, a desvalorização ou o descarte. Ambas são terríveis.
Agora que você está viciada em toda a atenção, romantismo e bombardeamento amoroso que vêm em sua direção com grande intensidade e rapidez na fase da IDEALIZAÇÃO prepare-se porque é hora de conhecer o homem (ou a mulher) com quem você está realmente.
O narcisista tem dois métodos para fazer o outro se sentir abaixo de zero: ele pode destruir de forma rápida e brusca o pedestal sob seus pés, desaparecendo no nada como se você nunca tivesse existido, sem dar a mínima explicação e comodamente reaparecer como se nada fosse ou...fazer isso de forma lenta, insidiosa e cruel. É quando escolhe esta segunda técnica de desvalorização que ele mina sua autoestima, corrói sua identidade, desdenha de seus sonhos e conquistas, aponta de forma cruel seus defeitos, isola-a do mundo acusando a todos, levanta contra você suspeitas daquilo que você não fez, alterna sua cara amarrada e mal humor com pequenos gestos de doçura (de modo que não perca o controle sobre você), enfim, lhe faz provar um doce-amargo constante e infernal, de modo que você passa a ter diante de si alguém que você “ama”, mas que estranhamente lhe entristece a maior parte do tempo.
Ele fará isso com tudo o que ele tem em seu arsenal. Seu arsenal é bem abastecido. Abastecido com seu ódio, raiva e incapacidade de assumir a responsabilidade por qualquer de suas ações ou receios. Sempre com raiva, busca culpar qualquer um exceto a si mesmo por tudo que não dá certo ou que lhe desagrada. Ele nunca fez nada. Ele é a vítima. Não importa quanto você o venere, obedeça, ceda ou concorde, você sempre fez algo terrível que "o magoou profundamente e que justifica os seus mau tratos"...
Pesquisas mostram que a maior parte dos narcisistas desenvolvem seu transtorno no início da adolescência e também na infância, quando não conseguem desenvolver bem o superego. Muitas vezes, é um resultado direto de abuso ou negligência. Outras, resultado de uma vida sem limites por parte dos cuidadores. Principalmente, se não quase sempre, por parte da mãe.
Mas, pare! Eu sei no que você está pensando: Não, você NÃO pode ajudá-lo. Quem se envolve com alguém assim precisa de mais ajuda do que ele. Você não pode ajudá-lo pelo simples motivo que ele não acredita que haja algo errado com ele. O problema “está com você”. No final você será difamada como louca, perseguidora, fútil, interesseira, etc. Você será o que na verdade ele é e por isso projetará TUDO em você.
Na verdade, o narcisista é um grande impostor que projeta uma imagem charmosa e perfeita. Mas sua incapacidade de manter a máscara, permite que você enxergue rapidamente ver quem ele realmente é. Isso se você não ignorar os sinais claros e seu instinto que gritará a planos pulmões desde o início...
Sua própria turbulência interna , baixa autoestima (ao contrário da crença popular, narcisista não têm a autoestima elevada que mostra ao mundo ) e medo de abandono, faz com que o narcisista abandone as pessoas com grande facilidade. Isso não deixa de ser um mecanismo de defesa contra aquilo que no fundo, teme. Ah, e não, não adiante assegurar-lhe que você não vai abandoná-lo. Isso só vai enfurecê-lo, mostrar quanto você é submissa e fraca.
Na verdade, isso mostra que você tem para dar um amor que ele não tem e isso faz com ele se sinta inferior e inadequado. Não é o seu abandono que ele teme. É o da mãe (que está no passado, mas que o assombra) e isso, você não pode mudar. Não, nem mesmo com todo o amor do mundo. Na verdade, sua busca é receber amor de seu objeto primário (a mãe), o que nunca ocorrerá porque o tempo em que essa ferida se abriu está lá na infância, impossível de se resgatar na fase adulta quando se trata de narcisistas e antissociais.
Na fase de desvalorização, o que ele antes achava incrível sobre você agora se torna veneno. Assim, lançará farpas sobre você sem nenhuma razão aparente. É o momento de destruir em você tudo o que ele admira e que sabe não possuir. Isso faz imensa confusão na cabeça das vítimas. Elas são incapazes de compreender por quê isso acontece . Como você poderia ser amado num minuto e tão ferozmente detestado no próximo?
É nessa fase que o narcisista vai usar tudo o que você confidenciou-lhe, contra você. Lembre-se: o narcisista é um predador e sua presa é bem dimensionada na fase de idealização . Todo o tempo que ele escutou você tão atentamente, espremendo mais e mais informações sobre a sua vida, seu passado e seus objetivos atuais e futuros...lamento em informar: ele estava apenas observando, estudando você... e essa pesquisa culminará com a sua destruição final e devastadora, basta você permitir.
Ele passa a criticar tudo sobre você , desde a maneira de olhar, rir , dormir, comer, se vestir, se relacionar com os outros, sua família, seus amigos, tudo será alvo de críticas. Críticas abertas ou veladas. Algumas vezes escrachadas outras travestidas de “eu só estava brincando”... Ele pode vir a público e criticá-lo severamente ou pode fazê-lo muito sorrateiramente, tentando disfarçar como se ele só quisesse ajudar... Ele não ajuda e não ajudará jamais. Jamais será o companheiro que você sonhou.
Se você for do tipo questionadora, que capta quando há maldade, ele vai devolver para você com sua especialidade: o tratamento silencioso. Uma agressividade passiva, um "silêncio ensurdecedor" que acusa você sem sequer uma palavra. É um de seus métodos mais cruéis e mais utilizados contra seus alvos mais inteligentes e questionadores. Ele não consegue argumentar seu comportamento completamente desequilibrado então fica calado, castigando, insinuando que você está tão errada que não vale a pena nem dirigir-lhe a palavra. E você cai e se contorce, buscando desesperada uma palavra que explique aquela cara fechada. Diga lá: São mestres ou não em manipulação?
Aos poucos o narcisista separa-se emocionalmente de você. Isso faz com que você se pergunte o que fez de errado e inicie uma maratona para “compensá-lo” e trazer a relação para a primeira fase. A resposta é mais distanciamento e indiferença. Ele sabe bem o que está fazendo. Passa a dar desculpas para gastar menos tempo com você, chegar tarde em casa, não aparecer, não dar sinal por dias.
Nesta fase você terá pequenas pausas em que será bem tratada. Isso acontece quando ele percebe que você está se distanciando, andando com as próprias pernas, desligando-se do abuso. Ele não quer que você se vá antes que ele esteja pronto para descartá-la e, para evitar isso, vez ou outra se apresentará com a máscara do começo. E isso só causa mais confusão emocional, a não ser, é claro, que você já entenda com quem está lidando. Se já entende, esta é sua chance de cair fora antes de ser massacrada. Você será, basta esperar.
De repente, sua única ocupação torna-se engolir abuso, humilhações, abandono e choro . Você não tem mais vontade de fazer NADA. O que o narcisista está fazendo com você é a DESVALORIZAÇÃO propriamente dita. Faz isso porque é irremediavelmente machucado por dentro. Um verdadeiro zumbi moderno, vazio de outra coisa senão instintos mais primitivos e gratificações instantâneas. Faz isso porque realmente não está disposto a fazer tudo o que é necessário para manter seu suprimento narcísico (você). Ele precisa de suprimento narcísico (atenção, dedicação, adoração, subserviência, sexo, etc) como uma droga. Ele quer agora e não quer trabalhar por isso. Ele sabe disso e se ressente.
O narcisista se cansa muito facilmente e, como qualquer viciado em drogas, precisa de mais e mais a cada vez para manter “seu barato”. Quando a euforia sentida no início de qualquer relacionamento acaba, uma vez que está provado que surge de substâncias químicas no cérebro, ele simplesmente se entedia e se enfurece. Sabe que o problema está com ele, mas projetará culpas imaginárias sobre você para não ter que lidar com sua superficialidade, além ter uma desculpa para partir para a próxima vítima que lhe dê suprimento novo, sem parecer o vilão da história.
As pessoas saudáveis, durante a química da paixão, podem desenvolver outras ligações, respeito pelos limites do outro e outros sentimentos que criam laços mais profundos, substituindo a paixão química. Há desenvolvimento de uma relação saudável onde ambos mantêm sua autonomia como indivíduos. Então esqueça: Você jamais terá isso com um narcisista patológico. Ele não permitirá que tais laços se estabeleçam. Ele olha para as pessoas nesses relacionamentos como fracos, submissos ou patéticos.
Isso ocorre porque alguns estágios emocionais e de desenvolvimento do narcisista foram atrofiados na infância ou adolescência por algum evento traumático, ainda que esse trauma seja uma mera percepção dele de um determinado fato. É claro que nem todo mundo que experimenta traumas de infância desenvolve Transtorno de Personalidade Narcisista.
Então acredite, na desvalorização o que ele deseja é destruir sua mente, seu brilho, sua energia vital, pelo simples fato de que ele se ressente de sua dependência por você, e é através da desvalorização que ele conseguirá colocá-la na posição de dependente, de modo a sentir-se um pouco melhor. Quem chegou a esse ponto deve preparar-se para o golpe final: O DESCARTE
3ª FASE: DO CASTELO À LATA DO LIXO - FASE DO DESCARTE
O DESCARTE é a terceira e última fase da experiência traumatizante e dolorosa que é o encontro com um sociopata narcisista. Prepare-se, pois é nessa fase que você vai vê-lo completamente sem máscara, numa versão diabólica que você nunca pensou em associar àquele anjo imaculado que você conheceu e que lhe deu tanta lição de moral e bons costumes ao longo de toda relação.
Quando ele tiver rasgado você ao meio e arrastado seus pedaços para as profundezas do inferno com suas agressões verbais, sua humilhações, suas mentiras, traições, inversões, projeções e, em muitos casos, atos de violência física , ele vai descartar você.
Assim que ele tiver sugado por completo sua energia vital, deixando-a esvaziada de alegria de viver, autoestima, amor próprio, autorrespeito e dignidade, ele vai jogá-la fora com crueldade e sangue frio. Simples assim, como se você um pedaço de papel sujo. Papel higiênico que ele usou para se livrar de sua sujeira, constantemente projetada sobre você. Só então ele estará pronto para descartá-la.
Durante a fase de desvalorização, a vítima tenta incansavelmente descobrir o que fez de errado para que seu parceiro tão perfeito do início se voltasse contra ela de forma tão furiosa. Ao longo da fase de desvalorização, o sociopata deixa bem claro que tudo foi culpa sua. TUDO. Ao final, a vítima está cansada, reprimida, deprimida e oprimida. A este ponto provavelmente já se tornou tão isolada que tem pouca ou nenhuma vida social.
Enquanto ele a encantava com carinho e atenção ímpar, sorrateiramente exigia seu afastamento dos hobbies, amigos, familiares e colegas. Ora mantendo-a ocupada (e distraída) com atenção constante, ora castigando-a com mau humor e tratamento silencioso de modo que, aos poucos, você começa a evitar as condutas que desagradam o parceiro “tão apaixonado”.
Em um piscar de olhos você está distante de tudo e de todos que possam ser para o sociopata uma ameaça. Qualquer coisa que receba seu carinho e atenção, não é bom para você e, logo, deve ser eliminado. Sua vida e interesses devem ser dedicados exclusivamente a ele. Ele nunca diz isso abertamente. Conduz sua vítima a isso, através de manipulações, vitimizações, acusações e mentiras. E assim foi, sem você perceber.
O sociopata consegue isolar e degradar a identidade e autoestima da vítima para igualar à sua. Esvaziada, de joelhos, completamente perdida e sem vida própria, a vítima já não tem para fornecer qualquer suprimento narcísico (adoração, atenção, sexo, presentes, etc) e aí chega o momento em que ele vai descartá-la sem olhar para trás, como se nunca tivesse existido. Aquele amor eterno prometido, os planos grandiosos para o futuro, tudo se perde no nada. É como se nunca tivesse acontecido e a naturalidade com a qual ele faz isso vai deixá-la confusa, machucada, humilhada e sem vontade de acordar de manhã.
Contudo, não se iluda: Ele nunca vai deixá-la a menos que já tenha garantido uma nova fonte de suprimento narcísico. Leia de novo. NUNCA a não ser que algo lhe supra o vazio em seu lugar. Pode não ser uma amante. Pode ser qualquer coisa (carro novo, consumismo, viagens, etc), novos amigos, velhos amigos, ex, qualquer coisa que naquele momento o sociopata narcisista perceba ser uma maior ou melhor fonte de suprimento narcísico.
Incapaz de viver luto por perdas e de passar períodos sozinho, ele está sempre à procura de uma melhor “alimentação”. Sempre. Ao afastar-se e observá-lo de longe, você se verá diante de alguém promíscuo, que troca de parceiro com a naturalidade de quem troca de roupas. Você testemunhará futilidades absurdas em seus costumes consumistas. Você ouvirá mentiras a seu respeito. Você se encontrará muitas vezes perguntando: “Quem é essa pessoa?” “Como pode ser a mesma que um dia me fez tão feliz?”
Não se torture mais. Você conheceu um ilusionista talentoso que não conhece escrúpulos nem limites para tirar de suas vítimas o que mais lhe convém, ainda que para isso tenha que lhe prometer, sem nenhum pudor, um mundo maravilhoso e cor de rosa que, de repente, se transforma num lugar frio, tenebroso e escuro, onde você não significada NADA.
O sociopata narcisista é oportunista na essência. Quando o tempo com você não for mais conveniente ou não servir mais aos seus propósitos, ele dará seu golpe final e desaparecerá. Se seu contato era telefônico, não atenderá mais. Se você insistir de outro número em busca desesperada por uma razão de tudo aquilo, vai humilhá-la da pior forma possível ou simplesmente dizer que você ligou para o número errado!
Se ele mora com você, vai arrumar as malas e sumir, quer dando-lhe o tratamento do silêncio, quer tendo um ataque de fúria (por culpa sua, é claro) ou com um "combo" de desvalorização mortal, no qual juntará todas as suas técnicas de descarte e soltará sobre sua cabeça como uma pedra gigantesca que vai te esmagar como a uma formiga. Seja como for, ele vai sair de sua vida, sem encerramento, sem explicação, sem nada, deixando para você apenas dúvidas, culpa e muita dor.
E não se iluda, porque mesmo longe ele fará de tudo para sujar seu nome entre aqueles que conhecem o casal. As mentiras e histórias hollywoodianas protagonizadas pela vítima que era “louca” e que “não tinha vida própria” e que “o sufocava” serão contadas repetidas vezes e, não raro, conseguirão uma legião de simpatizantes que se compadecerão de seu “sofrimento”.
Apesar de ser revoltante o sentimento de injustiça, o segredo é não reagir e aguardar. Como não conseguem manter máscaras por muito tempo, rapidamente suas ações passam a depor contra suas palavras e as pessoas, por si só, compreendem quem era a vítima e quem era o vilão. Reagir só vai fazer com que pareça que ele tem razão ao chamá-la de louca.
Nesta fase é preciso focar em si e evitar contato com informações sobre essa pessoa que não tinha e jamais terá algo valioso para lhe oferecer. Seu encontro com ele foi uma fatalidade. Aprenda o que puder desta experiência e siga com dignidade. Não insista atrás de explicação e siga em frente, pois se você insistir, pode piorar e muito. A explicação é simples: você se envolveu com um transtornado mental. Ponto final.
Após o DESCARTE, se ele voltar (E ELE VAI VOLTAR) e você aceita-lo de volta, passada a lua de mel, você estará diante do ciclo LAVA, ENXÁGUA, USA, JOGA FORA E REPETE. Até quando ELE não quiser mais. Sim. Eles sempre voltam e o fazem por diversos motivos. Voltam essencialmente para ter certeza que ainda tem controle sobre suas vítimas. Voltam para machucar a vítima atual. Voltam porque têm certeza que você ainda os espera. Voltam porque são obcecados e veem suas vítimas como posse. Voltam porque perceberam que sua vida foi adiante sem eles e isso é inadmissível. Voltam porque ao vê-la melhor, percebem-na como fonte nova de suprimento e querem novamente sugá-la.
Se tiver sido você a deixá-lo, fará stalking, a perseguirá prometendo amor eterno, dizendo tudo aquilo que sabe que você deseja ouvir, falará de casamento, filhos e se apresentará em sua melhor versão. Será tudo o que você um dia sonhou. Ele voltará “mudado”. Graças a você ele “entendeu muitas coisas”. Mas se você me perguntar se neste momento ele merece uma segunda chance, lhe digo sem medo de errar: Aceitá-lo de volta é voltar à primeira fase sim, aquela maravilhosa da IDEALIZAÇÃO, mas sem esquecer que logo em seguida você deverá enfrentar a DESVALORIZAÇÃO e o DESCARTE, reinserindo-se num ciclo vicioso, mortal e sem fim do qual SOMENTE VOCÊ sairá prejudicada.
 

terça-feira, 24 de maio de 2016

FORMAS DE FÚRIA NARCÍSICA


 
A fúria narcísica pode ser demonstrada num simples dar de ombros fria e indiferentemente diante de seus anseios e necessidades; no uso da agressividade passiva (silêncio injustificado e cara fechada); em demonstrações de posse e controle; episódios violentos verbais, sexuais ou físicos, entre outras formas.
Ela pode ser desencadeada por inúmeros motivos que façam com que o narcisista se sinta de alguma forma confrontado. Isso para ele é um ataque e ...usará a fúria narcísica para "dar o troco".
Vale lembrar que narcisistas criam uma dependência em suas vítimas para que todo o mundo do parceiro gire em torno do dele. Se o narcisista de repente retira afeto ou deliberadamente não presta atenção no parceiro, estes comportamentos podem ter efeitos devastadores para a pessoa na ponta receptora. Somente quem já tiver sofrido isso, poderá saber o quão profundamente isso pode machucar.
Além das demonstrações de fúria, o narcisista também pode planejar como se vingar da pessoa que ousou "desafiá-lo". É como se quisesse dar à pessoa o dobro do castigo para demonstrar sua força, onipotência e superioridade.
A violência em todos as suas formas está presente em seus episódios de fúria. Narcisistas malignos tomados pela raiva jogam coisas pela casa, quebram itens, móveis, portas e paredes. Como isso não basta para extravasar sua fúria, agredir fisicamente aquele que o "atacou" é bastante comum.
A violência verbal, no entanto, é uma especialidade deles. Eles sabem como fazer com que uma pessoa se sinta instantaneamente com cerca de 2 centímetros de altura. Eles vão direto aos pontos mais fracos, usam suas confidências, medos, complexos, traumas e se não encontram pontos fracos, apelam para ofensas que nada têm a ver com sua conduta real (você é vagabunda, tem amantes, você é drogado, bêbado, você faz tratamento psiquiátrico, etc), pois não têm nenhum problema em jogar sujo; em mentir deslavadamente.
Aliás, mentir para machucar é trivial e não passa de um meio para chegar ao fim. O resultado é que muitas vezes o suposto "agressor" acaba se sentindo culpado, envergonhado, responsável e frustrado e assim, passado o turbilhão de raiva do perverso, o alvo apaga as agressões de sua mente, como se por elas fosse culpado, dando continuidade a um ciclo de abuso sem fim.




segunda-feira, 23 de maio de 2016

O SEXO COM NARCISISTAS




Há poucos dias publiquei uma lista de características e comportamentos de pessoas narcisistas patológicas. Deixei de fora, propositalmente, o modo que se comportam sexualmente. Aqui, temos um mundo à parte...
Pessoas perversas narcisistas são , com frequência, compulsivas por sexo. Isso não significa que gostem de sexo, apenas que têm compulsão; vício. Isso nada tem a ver com sexo por desejo ou sexo romântico, como forma de troca entre pessoas que se gostam ou que apenas têm atração uma pela outra. Trata-se de coisificação do outro.
A atividade é intensa, o que faz com que alvos de pessoas perversas passem a repetir: “Entre a gente o sexo era/é muito bom!”. Parecem intensos e tão ligados na atividade sexual que é fácil acreditar que aquilo tudo é desejo ou amor pelo outro. Mas não é. Pelo contrário, a compulsão por sexo é uma forma de coisificar, controlar e submeter o alvo.
A mulher perversa utilizará o sexo e a sedução para tirar do parceiro coisas materiais e escravizá-lo numa dependência física indescritível, vez que conhece muito bem a importância que o sexo tem para o macho. Nos momentos em que o envolve com uma transa, faz com que se sinta amado e, assim, pronto para ceder a qualquer um de seus desmandos.
O homem perverso utilizará o sexo com muita intensidade, com atos obcecados, como quem engole o outro, tudo regado de elogios ao corpo da mulher e palavras que sabe que ela gosta de ouvir. Isso fará com que a parceira se sinta a mulher mais amada e desejada do universo. Ele sabe quanto essa mulher quer ser aprovada e validada, portanto, ao demonstrar desejo por ela de modo obsessivo, na cabeça dela, ele está lhe demonstrando amor.
Nas relações homoafetivas, não é diferente. Usam o sexo para validar o outro, já que são incapazes de validar com amor, carinho, compaixão e companheirismo. A propósito de homossexualidade, pessoas perversas, normalmente, se mostram obtusas, de mente muito fechada, de pensamento “em branco e preto”, e são muito preconceituosas para com a sexualidade alheia.
Quando se tratar de pessoa heterossexual, terá certamente discursos homofóbicos. Ainda que na intimidade demonstrem abertura para a bissexualidade, no discurso dirão que odeiam homossexuais. Se homossexual assumido, sua característica marcante será mesmo a promiscuidade e desrespeito para com o parceiro/a.
Contudo, nem sempre o sexo com essas pessoas estará presente. Assim como usam o sexo de forma deturpada e compulsiva, usam também para punir seus alvos, negando-lhes intimidade. A pessoa perversa sabe que, porque nega ao alvo os sentimentos mais importantes numa relação, a pessoa passa a ter, no sexo, a sua única conexão real com a pessoa perversa. Sabe que, negando o sexo, ao alvo não sobra nada e, portanto, o desespero tomará conta. Reconhece isso e, no momento oportuno, usa isso com um prazer mórbido.
Negam com o objetivo de desvalorizar e humilhar seus alvos, passando a demonstrar frieza e nenhum interesse sexual. De um momento ao outro, aquele que era tão desejoso do outro, torna-se indiferente e apático. Não procura mais, demonstrando enfado, desinteresse e descontentamento, o que detonará no outro insegurança, dúvida e sentimento de rejeição absurdas.
Mas para a pessoa perversa isso não basta. Precisa ter certeza que o alvo se sinta culpado pela rejeição, de modo que passe a questionar o que há de errado consigo e se movimente para “compensar”. A pessoa perversa se beneficia desses esforços e, para conseguir essa proeza, passa demonstrar interesse sexual por outras outras pessoas, abertamente, ao mesmo tempo que rejeita sistematicamente seu alvo.
Assim, na fase de desprezar sexualmente, pessoas perversas passam a olhar pornografia diante do outro, lançar mão de sexo virtual com estranhos, preferencialmente gente com características que sempre disse odiar, bem como trair deixando rastros claros, de modo que o outro se sinta um lixo, sem qualquer valor.
Por exemplo, o perverso com quem tive contato engajava-se em sessões de sexo virtual com mulheres obesas mórbidas, travestis, adolescentes. Isso quer dizer que essas pessoas mencionadas não tenham valor? Não! Apenas faziam parte de grupos que ele dizia odiar.
As mulheres perversas demonstrarão interesse em outras pessoas engajando-se em contatos com homens do passado ou que saibam que causam ciúme no parceiro, bem como com homens que tenham características que ao parceiro faltem, tais como dinheiro, status, carrões, menos idade ou coisas que farão com que o outro se sinta inferior, levando-o a tentar, por todos os meios, se alçar aos padrões que ela estabelecer. Sem sucesso, é claro.
Não raro, homens perversos são viciados em prostituição e contabilizam um número sem fim de histórias de orgias, visitas a prostíbulos e casas de massagem. Contam essas histórias às suas parceiras com bastante naturalidade e se escusam dizendo que “prostituta é mais limpa do que muita mulher”.
Esses tipos, com frequência são moralistas e têm um perfil específico estabelecido para determinar quem é “puta” e quem é “de respeito”. Curiosamente, as prostitutas que eles costumam pagar jamais se enquadrarão em nenhuma dessas classes. Ser “puta” ou “de respeito” são classificações para mulheres comuns. “Prostitutas são profissionais”, dizem com convicção.
Por serem pessoas muito promíscuas, é bem comum serem portadores de doenças sexualmente transmissíveis. Para desespero do alvo que venha a contrair algo, se questionado, o acusará de ter-lhe transmitido a doença em primeiro lugar.
Para quem ainda se encontra dentro de uma relação tóxica com uma pessoa perversa, pode parecer que a parte mais funcional e satisfatória da relação é a sexual, mas com um pouco de conhecimento e atenção ao significado “das entrelinhas” que existem nos movimentos de uma pessoa perversa, verá que talvez seja a parte mais doentia.