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sexta-feira, 19 de junho de 2020

"O sexo inútil", Ana Zanatti





Este é um livro sobre o que de mais profundo vive no coração da condição humana. Sobre o direito de nos tornarmos, perante nós e os outros, aquilo que somos. Plenamente e sem concessões.
Para muitos leitores, estas páginas serão uma revelação, simultaneamente brutal e comovente, carregada de sofrimento, mas portadora também de gestos e testemunhos que alimentam e fortalecem a esperança.
Trata-se, como se diria no século das Luzes, de um valioso contributo para a emancipação do espírito humano, para o alargamento das fronteiras do relacionamento exigente, cuidado e civilizado entre as pessoas, seja qual for a sua orientação sexual e género.

sexta-feira, 16 de março de 2018

LGBT Seniores



“Na terceira idade, o gay volta para o armário para sobreviver”


 





 


“Os heterossexuais da terceira idade estão esquecidos, abandonados, postos de lado, segregados. Mas os idosos LGBT são simplesmente invisíveis. Ninguém sabe que nós existimos. Queremos satisfazer a mais básica das necessidades: acabar com a solidão e podermos nos reunir como uma grande família”, diz Samantha, que foi homenageada em Madrid durante os eventos do Orgulho Gay.




 


Em 2016 foi elaborado um inquérito no âmbito do projeto da associação “Envelhecer Fora Do Armário”, com o objetivo de dar a conhecer a realidade enfrentada pelos idosos acima dos 60 anos pertencentes à comunidade LGBT. Entre as conclusões apresentadas, é referido que “mais de um quarto dos inquiridos sente-se sempre só” e que algumas pessoas foram alvo de práticas discriminatórias praticadas por serviços do Estado.




 







segunda-feira, 26 de junho de 2017

Até hoje





Eu e o Paulo temos uma relação. Pronto, já o disse. Eu e o Paulo sempre tivemos uma relação logo desde o primeiro momento em que nos vimos na Secundária. Ainda retenho a imagem na mente: ele na esquina do Pavilhão A, de calças à anos 90, justas e magras, como as pernas, compridas do chão ao tronco, um tronco elegante, despreocupado, à vontade por debaixo de um rosto calmo, curioso, de olhos negros como o cabelo forte, daquele cabelo que dá vontade de agarrar e encher as mãos, quase animalesco de tão farto. Bastou-nos meio segundo, e depois ele desviou o olhar. 


Nessa tarde encontrámo-nos por detrás do ginásio, ele calado e eu também, ele a querer saber, a saber, e eu com as mãos suadas atrás das costas, a tremer, com um pé atrás e outro à frente, ele mais alto que eu, assim ao pé de mim, e eu a percebê-lo mais velho, talvez no 10º ou 11º, e eu ainda no 9º e tantos nervos, nunca tinha beijado ninguém e não queria deixar de beijar, os lábios dele vermelhos de sangue, de dor, vontade, paixão?, amor?, um passo em frente e fechei os olhos.


Até hoje. 


Não sei quem teve mais dificuldade em aceitar a nossa relação, se os pais dele se os meus. Quando finalmente arranjei coragem para contar a toda a gente à mesa de jantar, a minha irmã desatou a rir-se, a minha mãe desatou a chorar e o meu pai perdeu a fala.


Até hoje. 


E eu a pensar, a ansiar, a desejar tirar este peso de cima dos ombros, eu a querer contar, partilhar este amor, este ardor no peito de coração aos saltos sempre que estivemos juntos e sós, desde o escuro do anfiteatro da Universidade à sala de cinema, passando pela casa quando mais ninguém lá estava até à sala de enfermagem ao fim do turno. Eu a querer dar-lhes tudo e em trinta segundos perder um pai e uma mãe, porque a minha irmã não conta e a minha irmã já sabia (sempre soube) entre amigos e amigas, conversas de rua e conversas de escola. A minha irmã também é enfermeira. Até hoje. 


Mas ao menos os meus pais não me puseram na rua. Pura e simplesmente deixaram de o ser, pais, demitindo-se com justa causa e por escrito. Já com os pais do Paulo foi bem pior, e como, mal ou bem, já estávamos os dois a trabalhar, alugámos um T1 no bairro e, aos 21, começámos uma vida juntos.


Até hoje. 


Entretanto casámos, pelo Civil, pois claro, o Paulo pediu-me em casamento no nosso 3º aniversário depois de um jantar de mãos dadas e uma vida de mãos dadas e eu disse que sim, para sempre, e para sempre fechei os olhos. Na cerimónia apenas os padrinhos do Paulo e os meus, os que não fugiram, os que não nos deixaram.


Até hoje. 


Hoje caminhamos na marcha. De mãos dadas com as alianças bem à vista, para todos, para que todos saibam e todos vejam, o meu pai, a minha mãe (porque a minha irmã não conta, já o disse). E não, pai, eu não trago o rabo à mostra nem penas ou asas de todas as cores, sou apenas eu, eu e Paulo e uma bandeira em cada mão, essa sim com todas as cores, como sempre fomos, de todas as cores desde que o vi na esquina do Pavilhão A. Podia ter sido uma rapariga, foi o Paulo, e eu nunca deixei de ser quem sou, nunca deixei de lutar, estudar e trabalhar, e o que se passa na cama e lá em casa é só connosco e mais ninguém. Não é pai? Porque mais ninguém tem nada com isso e eu também nunca te perguntei o que fizeste com a mãe antes de me fazeres ou enquanto me fizeste.


Estou a caminho de casa e o Paulo vem comigo. Batemos à porta e a minha mãe, com dois poços fundos de lágrimas no lugar dos olhos, abraça-me. Já não vou poder dizer nada ao meu pai.


Crónica de João André Costa, 25-06-2017


http://p3.publico.pt/actualidade/sociedade/23928/ate-hoje

sexta-feira, 31 de março de 2017

O Marido do Homem







O Marido do Homem


Por André Nassife, Coimbra, 2017-03-31.


 


Num dia qualquer dum mês de que já me esqueci, em 2003, sentei-me no sofá à frente da poltrona onde ele estava e comecei a falar. Contei-lhe do meu fim-de-semana e que o VBR tinha, finalmente, ido lá a casa: conheceu Mãe, Avó e Irmã. Houve almoço e ida ao cinema – todos juntos. No relato, eu falava no VBR por alto, como se me esquivasse de mencionar o seu nome e o que ele era meu. Em dado momento, fui tão superficial que o meu interlocutor interveio: “de quem você está falando?”


Respondi: “do V.”


“ah… o seu namorado?” – provocou.


“Não. Não é meu namorado. Homem não namora homem!” – odiei que me tivesse atirado aquela realidade à cara.


Entre tantas coisas que ouvi naquela tarde da boca do meu analista, que permanecem aqui omissas pois não fariam sentido a mais ninguém se não a mim, ficou-me na memória, além da percepção clara do meu próprio preconceito, a cena do meu analista ali, um homem heterossexual, à minha frente, a dizer com o indicador da mão direita em riste que “homem namora homem, SIM!”


O processo continuou e continua ao longo de todos estes anos, num desfazer e refazer que me tem permitido ser quem sou, como se fosse eu a personagem de “Conquistei, palmo a pequeno palmo, o terreno interior que nascera meu.
Reclamei, espaço a pequeno espaço, o pântano em que me quedara nulo.
Pari meu ser infinito, mas tirei-me a ferros de mim mesmo” que Fernando Pessoa assinou com a mão do heterónimo que me fascina tanto quanto me amedronta.

Eu não poderia jamais imaginar que, 14 anos após aquele diálogo, eu entraria no auditório da Culturgest para que o homem com quem casei recebesse o Prémio Pessoa 2016, o prémio exclusivamente nacional mais importante, no âmbito das artes ou das ciências, que um português pode receber. Entrámos lado ao lado, entre aplausos, e sentámo-nos na primeira fila para que se desse inicio à cerimónia.



Antes disso, tínhamos passado por alguns protocolos onde houve apresentações: “Frederico Lourenço e o marido, André Nassife.” – ouvimos isto diversas vezes. Ouvimos até diante do próprio Presidente da República, que nos cumprimentou de maneira natural, sem distinções e sem exageros na simpatia, que denunciariam uma possível hipocrisia e a vontade de disfarçar o preconceito. Não. Não houve nada.


Fosse eu uma mulher, fosse o Frederico uma mulher - fôssemos, os dois, mulheres - sinto que teríamos recebido o mesmo tratamento.


Já no auditório, seguiram-se os discursos. O do Frederico e o do Presidente já se encontram on-line e podem ser vistos na íntegra. Porém, ressalvando a importância de todos os discursos daquela noite, devo ser sincero em dizer que aquele que mais significou para mim, em termos de conquista social, foi o do Francisco Pinto Balsemão, que para além de reconhecer o valor do trabalho do Frederico e, mais do que isso, reconhecer a sua real intenção, fez questão de dizer ali, diante de uma expressiva parcela de personalidades e anónimos da sociedade deste país, com toda a naturalidade, que reconhecia e apreciava a dedicação com que o Frederico falava frequentemente do seu casamento com o seu marido – e usou mesmo esta palavra, “marido” – André Nassife.


Se as palavras do Francisco Pinto Balsemão surpreenderam, não menos surpresa me causou o facto da audiência não demonstrar qualquer reação. Não houve sussurros entre os espectadores ou movimentações nas poltronas que demonstrassem desconforto por parte dos ouvintes, contrariamente a uma sessão onde o Frederico foi convidado no Teatro da Cerca de São Bernardo, em 2015, e que pôs toda a gente na plateia aos burburinhos e quase aos saltos nos assentos quando o entrevistador fez uma pergunta que começava com “Acha que por ser homossexual… ?”


Em meio aos contra-ataques que vamos fazendo por aqui e por ali em resposta à homofobia nossa de cada dia, acho válido que a parte da sociedade que evoluiu para o lado bom mereça reconhecimento. Estão, inegavelmente, a ajudar a escrever no inconsciente coletivo de uma gente as primeiras linhas daquilo que é um tempo bom na nossa História.


Ao mesmo tempo, todas as paradas de orgulho, todas as manifestações contra a homofobia terão eternamente o nosso apoio, e acreditamos que o movimento deve sempre existir. Não juntamos as nossas vozes à daqueles que se posicionam contra os movimentos de afirmação sexual, racial e de género, e que usam o argumento “quem quer ser igual não celebra diferença”. Simplesmente porque sabemos que a sociedade ainda considera uns mais iguais do que outros. Porque não pomos em pé de igualdade grupos cuja história desconhece na pele o que é preconceito com grupos que, ainda hoje, não se reergueram das injustiças que um dia lhe foram cometidas. Celebraremos sempre as chamadas diferenças, porque sabemos que ainda há quem as sinta como diferenças. E porque temos presente que todas as conquistas que esses grupos conseguiram, depois de séculos, conseguiram-nas através de muita luta, suor, sangue, vida e morte.


Contudo, acho bom que ambos os lados existam. Que existam tanto aqueles para quem as lutas aparentem já não mais fazer sentido algum, e que agem tão naturalmente diante das mudanças, como aqueles que ainda mantém viva a memória de um passado, e denunciam o horror que ainda persiste.


Trocando brevemente de assunto, não posso deixar de referir a casualidade dos últimos acontecimentos. 
Explico: um dia, uma sexagenária analfabeta entregou ao seu neto uns livros velhos, comprados por ela num “sebo” (alfarrabista no Brasil), pois a velhinha não queria que o neto seguisse os mesmo passos dela.


O miúdo achou tudo muito desinteressante e chato, com exceção a um livro de poesias onde, ali, ainda miúdo, leu Alberto Caeiro pela primeira vez e aquele que se tornaria no seu poema preferido: um que falava do vento e da solidão.


Eu não me digo apaixonado por Literatura. Não mesmo. Amo Pessoa. Amo Clarice. Amo Sophia. E gosto muito de algumas coisas que outros escreveram. Não me considero amante de Literatura. Sou amante daquelas mentes e das obras que essa mentes produziram - Isso, sim. Foi na escrita de Pessoa (e só porque era do Pessoa) e na Música Popular Brasileira (Elis, como sabem, acima de tudo) onde eu encontrei saúde mental e fugi da loucura, enquanto me formatavam para ser como o mundo ao redor de mim, programado para repelir e odiar o que, em mim, era natural. O que era eu.


E foi nesses cruzamentos de factos e sei mais lá o quê que está por trás disto tudo, após uns copos de vinho branco, e sentindo já os seus efeitos, à mesa do Jantar após a cerimónia na Culturgest, que pensei comigo mesmo: “que-se-dane-a-etiqueta”, e saquei o telemóvel do bolso e tirei esta foto.




Pessoa estava ali, à mesa comigo, à minha frente, entre o Homem com quem casei e o Presidente da República. Lembrei-me do meu preconceito aprendido de anos atrás, percebi (in vino veritas), mesmo já me julgando não preconceituoso e moderninho, mesmo já casado, que ainda havia resquícios em mim do preconceito tão claro com que deparei há quatorze anos; ou eu não teria, desde o casamento, optado por usar “companheiro” em vez de “marido”, através da boba ilusão na cabeça de que “companheiro” soava mais bonito.


Poeta, como é que eu ainda não tinha aprendido? 
Logo eu que, conhecendo razoavelmente bem a sua obra e a sua vida, consegui sempre perceber qual é a sua posição acerca destas questões!


Você, tão sempre à frente.


Gosto de pensar, Poeta, caso tivesse estado connosco naquele jantar, que teria dado muitos parabéns ao Frederico. Tê-lo-ia encorajado mais e mais a continuar o seu trabalho, e agradeceria o esforço em fomentar o ensino das línguas e culturas clássicas; mas – e talvez aqui seja o egocentrismo a falar mais alto – acredito que teria dado especial atenção à mudança da sociedade portuguesa desde que você se foi. 
Acredito que estaria com muitos pensamentos sobre um certo alguém: o marido do homem, ali, tão naturalmente marido.


Creio que estaria feliz com essa mudança. Sem sorrir, mas feliz.


E é maravilhoso, Poeta, que o prémio carregue o seu nome. É emblemático! E ouso dizer que há qualquer coisa de divino nisso.


Naquela noite, quando ajudava a levar o prémio com o seu nome para o carro, uma aresta fina, pouco limada, cortou o meu dedo indicador que começou imediatamente a sangrar. Eu tinha bebido um pouco além do meu habitual, bem me lembro, mas foi de um prazer enorme imaginar que fazíamos ali um pacto de sangue. Como faziam os miúdos que eram muito amigos antigamente, ou mesmo namoradinhos. Furavam, cada um, o próprio polegar, e uniam-nos pelas gotas de sangue que brotavam dos furos.


O corte não foi fundo, mas deixou-me o dedo a latejar durante horas.
Não consegui dormir durante toda a madrugada. Havia muitas pessoas e Pessoa em quem pensar e agradecer.


Se com o meu analista, há quase década e meia atrás, aprendi que “homem namora homem”, foi VOCÊ, Poeta, sem que ninguém visse, que me sacudiu naquela mesa de jantar e me fez perceber, numa profundidade até então desconhecida de consciência, algo tão maravilhoso na minha vida:


Eu sou Marido daquele Homem.


https://www.facebook.com/andrenassife/posts/10212885534838899





domingo, 26 de março de 2017

CARTA A MEU PAI, por Manuel Luís Goucha



Em que estarias a pensar quando me pegaste ao colo? Sei que torceste um pé, tais os pulos de contentamento por eu ter nascido, naquele dia de Natal. Olha que bela prenda a Vida te deu! Que planos terias para mim? Os pais projectam-se nos filhos, bem o sabes, naquele tempo queriam-nos formados em “económico-financeiras” ou, se o dinheiro não desse para os botar na faculdade, que fossem parar a um banco, que assim estaria garantida uma vida com algum desafogo. Deve ter sido um choque para ti quando anos mais tarde, tinha nove não o esqueci, apareceste lá em casa para nos ver e te disseram que do que eu gostava era de teatro, de ópera, de música e bailado clássicos… A mãe esqueceu-se de te dizer que também já era apaixonado por livros, tal como ela; neles esquecia as horas e entrava em mundos diferentes e desafiadores. Andava a ler o “Malhadinhas” e às voltas com o dicionário e as palavras de Aquilino. Lembras-te de como reagiste? Recordo-o, como se o tivesses acabado de dizer: “então temos um maricas na família!”. Apesar dos tempos serem de calar a diferença, já havia percebido que eram alguns homens que faziam pulsar o meu, ainda pouco decifrável, desejo.

Tinhas razão! Bendita mariquice essa de procurar o Belo, nas palavras dos escritores, nas tintas dos pintores, na música dos compositores, em todos aqueles que nunca acabam, independentemente do género. Nessa procura sempre fui feliz, por me desafiar, inquietar e acrescentar. Pela Arte sou melhor e quero sempre mais, numa avidez que não se esgota, antes se renova ou complementa. O maricas fez-se homem, balizando-se em valores que considera justos e universais, pouco ligando ao juízo dos de fora, quando o único que me interessava, o da mãe, escutei-o aos dezoito, já eu era por minha conta e risco: “só quero que sejas feliz!”.

No trabalho me cumpro, diariamente, sabendo que se a Vida me der limões, limonada farei e se puder ainda lhe acrescento açúcar. Quero ser dos que com conhecimento, inteligência, coração e paciência procuram melhorar a grosseria dominante, para não me arrepender do que fiz do meu tempo, quando este se tiver finado.

Quando pego na nossa foto, a única que tenho de ti, vejo-me de sobrolho carregado como que a questionar-te: quem és? como és? Passaram sessenta e dois anos e não tenho respostas. Há vínculos que não se podem adiar. Não foste pai, o meu pai, porque não quiseste, não soubeste ou não te deixaram ser! E eu, não fui filho, o teu filho. Estamos quites! Pena que tal facto não me sossegue, já que tudo ficou por dizer!

Manuel Luís Goucha, "Carta a meu pai", http://cabaredogoucha.pt/carta-a-meu-pai/, 2017-03-24
 
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quinta-feira, 21 de julho de 2016

Alexandre Quintanilha



Alexandre Quintanilha dá a cara e conta a sua história em nome da esperança LGBT

Em entrevista para a nova web-série Já Melhorou, o deputado socialista Alexandre Quintanilha falou em Abril sobre o seu percurso de vida, a relação com o marido Richard Zimler e a vivência da homossexualidade em diferentes países e alturas. O vídeo saiu no sábado passado.
No projecto digital Tudo Vai Melhorar, Organização Não-Governamental e plataforma portuguesa afiliada ao It Gets Better nos Estados Unidos, que incentiva a perseverança de jovens LGBT face ao bullying e preconceito homofóbico, Quintanilha surgiu como a primeira figura política homossexual a conversar sobre uma vida realizada. O professor universitário jubilado e actual deputado do PS descreve a sua história de vida, incluindo a infância, carreira académica e a relação que construiu com o escritor Richard Zimler, companheiro de longa data.
Na entrevista, inserida na web-serie Já Melhorou, começa por falar da juventude passada em Moçambique, cheia de vivas experiências e curiosidade. Nascido em 1945, pertenceu à geração do pós-guerra a quem era permitido acreditar num mundo melhor. “Não tinha medo de explorar o desconhecido”, afirma. Descreve-se como um romântico desde cedo, “atraído, como todos nós, por pessoas”.
Foi por volta dos 13 anos que começou a sentir uma “barreira diferente” nas relações que mantinha, reparando que a intimidade que lhe era permitida com raparigas se tornava quase impossível com rapazes, por recusa dos mesmos. “Tínhamos relações sexuais, mas enquanto que para mim era o que estava à espera, para eles não”, relembrou. Traz consigo até hoje a convicção de que a emoção por outro ser humano deve ser sempre explorada, seja com homens ou mulheres, uma opinião que lhe surgiu cedo na vida.
A vida levou-o aos caminhos da ciência, formando-se em Física em Joanesburgo e mais tarde especializando-se em Biologia. Após uma longa carreira de investigação e ensino tanto nos Estados Unidos como em Portugal, tornou-se deputado do PS pelo círculo eleitoral do Porto na XXIII Legislatura, liderando hoje a Comissão de Educação e Ciência no Parlamento.
A entrevista prosseguiu com as memórias dos tempos passados em São Francisco, no estado norte-americano da Califórnia. Foi aí que, em 1978, conheceu o marido, o escritor Richard Zimler. O momento era de libertação social e de aguerridas causas, ou não fosse a área da Baía de São Francisco historicamente conhecida pelos fortes movimentos de comunidades como a LGBT e a feminista.
A epidemia da SIDA nos anos 1980 afectou particularmente a cidade. Quintanilha não escondeu o que poderia ter acontecido, confessando que não fosse pela relação monogâmica que iniciou com Richard, “não estaria aqui hoje”. Acrescenta aliás que parte do motivo pelo qual o casal se mudou para Portugal foi o ambiente deprimente que surgiu em São Francisco, devido ao elevado número de afectados pela doença.
A forte base católica portuguesa poderia parecer à partida um impedimento à normal vivência de um casal gay em Portugal na década de 1990, mas o deputado não concorda. “É um país muito respeitador da liberdade das pessoas”, afirmou. A partir daí, a relação com Zimler continuou a fortalecer-se, até se tornarem um dos primeiros casais gay a casar em Portugal, após a aprovação do casamento homossexual em 2010. Mas a permanência não é obrigatória. Depois de 20 anos tanto em África como na América e Europa, "a ideia é ir os últimos 25 anos para a Nova Zelândia", numa verdadeira volta ao mundo em pares de décadas.
Sobre as relações, o deputado tem opinião assente. Afirma que a sua o ajudou a crescer e a perceber melhor quem é. "Uma relação muito forte é aquela em que começamos a sentir a pouco e pouco uma enorme satisfação com a realização do outro", sustenta.
A web-série semanal Já Melhorou incluirá oito episódios com entrevistas, sendo o depoimento de Quintanilha o segundo. O projecto está no entanto a enfrentar dificuldades para conseguir que outras figuras públicas e políticas contem as suas histórias. Diogo Vieira da Silva, presidente da AssociaçãoTudo Vai Melhorar, confessa que apesar de a disponibilidade de Quintanilha para a entrevista ter sido total, a falta de voluntários mediáticos obrigou a uma alteração da estratégia da temporada. Procuraram assim figuras que fossem reconhecidas dentro da comunidade LGBT, mesmo que escapassem um pouco à esfera pública.
O jovem presidente espera, apesar de tudo, que Alexandre Quintanilha seja apenas um começo. Para a próxima temporada, na calha para ser exibida no final deste ano ou início do próximo, Diogo Vieira da Silva conta que outras figuras políticas se cheguem à frente quando convidadas. “Porque essas figuras têm uma responsabilidade, nem que seja mediática, de fazer com que jovens gays e lésbicas percebam que nada os impede de se realizarem quer pessoalmente quer profissionalmente, e que temos de deixar de viver com medo. É esta a intenção da web-série. Demonstrar de forma positiva que é possível sermos nós mesmos”, explica. Texto editado por Álvaro Vieira
 

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Homofobicus otarius: os "melhores" comentários



Foi aprovada a lei da adopção por parte de casais do mesmo sexo e gerou-se o caos nas redes sociais, como sempre. Antes de vos mostrar, quero apenas dizer que, para mim, só há um argumento relativamente válido de quem é contra a adopção por parte de casais do mesmo sexo: é o argumento de que a sociedade pode não estar preparada e que os miúdos vão sofrer discriminação na escola por parte de outros putos ranhosos, filhos de pais preconceituosos que os vão impregnar de crueldade e homofobia. Ainda assim, embora perceba este argumento, sou a favor porque acho que o bullying é saudável e porque qualquer pessoa inteligente vê que mais vale chamarem-nos maricas no recreio do que passar a vida numa instituição sem uma família que nos dê amor. Posto isto, varri algumas secções de comentários de jornais portugueses e morri um pouco por dentro. Porque não gosto de guardar as coisas más só para mim, partilho aqui convosco para, também, falecerem um pouco. De nada.


Aqui conseguimos observar alguns exemplares de uma ramificação da evolução humana que não teve a sorte e chegar a ser homo sapiens, mas sim, homofobicus otarius. Comparar homossexualidade com pedofilia não é desinformação, é mesmo atraso cognitivo. De notar que existem «likes» em alguns destes comentários, dando a entender que esta sub espécie "humana" não está, infelizmente, perto da extinção.



Neste belo quadro, podemos observar os argumentos desta espécie, altamente ponderados e eloquentes. O uso das letras maiúsculas e os erros ortográficos são uma das armas mais poderosas do homofobicus otarius. De notar a falta de conhecimento da anatomia humana do senhor Jorge que, para além de pensar que dois pipis ou duas pilinhas podem procriar, ainda acha que adoptar o filho que foi abandonado por um casal heterossexual é, de alguma forma, «usar os filhos».



Perante a falta de argumentos, muitas vezes, o homofobicus otarius prefere expressar os seus argumentos e emoções na forma de bonequinhos palermas.



O senhor Mário é um cientista incoerente. Apesar de denotar algum sentido de humor, embora nojento, decide chamar Deus, dizendo que nada acontece por acaso, sem depois se lembrar que se Deus faz tudo pensado, também terá feito gays e lésbicas propositadamente. Tal como terá permitido que a lei fosse aprovada ao invés de deitar um meteorito na Assembleia. O senhor Mário é um palhaço.



A Luzia e o David a mostrarem-nos que o mais importante neste caso é a semântica. Já agora, podiam juntar-se os dois que assim só se estragava uma casa. Mas não procriem, por favor.



A verdadeira magia acontece nas zonas de comentários anónimos, onde o homofobius otarius revela a sua faceta mais nojenta. Chamo à atenção para o senhor Fernando, que está claramente a tentar enganar as pessoas, dizendo que é gay. Até se pode dar o caso dele ter um fetiche anal mal resolvido, é um facto. Mais uma vez, o homicídio da língua portuguesa é uma constante, porque a iliteracia e o preconceito andam de mãos dadas. Duas mãos de sexos diferentes, atenção. Não queremos cá mariquices.



Sim senhor, até que enfim argumentos e propostas de solução. O senhor Felisberto a revelar a sua homossexualidade reprimida a ver se pega. «Ah e tal, vou enfiar um pénis no rabo e outro até à garganta só para provar que tenho razão!».



A democrata senhora Helena a fazer a pergunta que faz sentido, à qual eu vou tomar a liberdade de responder. Senhora Helena, estas coisas não devem ir a referendo porque, como pode ver em todos os comentários acima, ainda existe muita gente retrógrada e atrasada mental. Como tal, os direitos humanos não devem ir a referendo, correndo o risco de serem decididos pela maioria inculta, burra e desinformada.

E é isto. Espero que tenham gostado. Se forem contra pelos motivos que falei no início, até vos respeito, mas argumentem de forma inteligente. Não sejam otários. Não sejam homofobicus otarius.
 
http://porfalarnoutracoisa.sapo.pt/2015/11/homofobicus-otarius-os-melhores.html

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

COADOÇÃO (seleção de documentos da comunicação social)

 

 
COADOÇÃO VOLTA AO PARLAMENTO
 
O Bloco de Esquerda (BE) vai novamente propor o fim da discriminação na adopção de crianças por casais do mesmo sexo, depois de a proposta ter falhado em 2013.

O BE retoma o projecto de lei que elimina a impossibilidade legal de adopção por casais do mesmo sexo, sejam casados ou em união de facto, e por aqueles casais que queiram usar a figura do apadrinhamento civil, aplicado a crianças que não estão em condições para serem adoptadas.

“Voltamos a esta iniciativa legislativa para retirar este bloqueio atávico que não permite a adopção por casais do mesmo sexo, uma discriminação injustificável”, justificou ao Público a deputada bloquista Cecília Honório. Uma situação que considera incompatível com a lei em vigor, que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo: “É sórdido que continuem a existir direitos pela metade. Um casal do mesmo sexo pode casar? Pode. Um indivíduo do mesmo sexo pode adoptar? Pode. Se for um casal do mesmo sexo não pode”.

Um projecto idêntico – sem abranger o apadrinhamento civil – foi apresentado em Maio de 2013 e chumbou. Nessa altura, os deputados do PSD e do CDS concederam apenas deixar passar, na votação na generalidade, um projecto socialista (da deputada Isabel Moreira) que permitia a co-adopção, de forma a que um dos elementos do casal possa ficar com o menor em caso de morte da mãe ou pai biológicos. Este projecto de lei, que a princípio não foi apadrinhado pela direcção da bancada socialista, estava a chegar ao fim do processo legislativo quando foi travado por uma proposta de referendo avançada pelo PSD (através de deputados da JSD).

Depois de o Tribunal Constitucional ter chumbado as perguntas propostas sobre co-adopção e adopção por casais do mesmo sexo, o projecto do PS acabaria por ter o mesmo fim no plenário, embora por escassos votos. Apenas cinco votos faltaram para aprovar a proposta. A co-adopção dividiu os sociais-democratas, conquistou 16 votos a favor e acabou por fazer cair uma vice-presidente da bancada, Teresa Leal Coelho.

O Bloco insiste na proposta de adopção numa nova sessão legislativa, mas enfrentando a mesma maioria parlamentar mas onde as mudanças de voto de alguns deputados do PSD/CDS são possíveis. O próprio actual primeiro-ministro Passos Coelho falou sobre o tema na Universidade de Verão do PSD mas numa perspectiva de revisão mais global das leis de adopção e falando explicitamente da questão das crianças: “Não são as pessoas que têm direito a adoptar, são as crianças que têm direito a ser adoptadas”, um argumento muitas vezes usado pelos defensores da igualdade na adopção.

Os dois projectos de lei do BE já deram entrada na mesa da Assembleia, mas dificilmente serão discutidos antes de Dezembro pois o próximo Orçamento do Estado ocupa toda a agenda parlamentar nos próximos meses.
 
PortugalGay.pt, 2014-09-23













 
 

Coadoção por casais do mesmo sexo chumbada no Parlamento: Amnistia Internacional diz que é oportunidade perdida para harmonizar a lei portuguesa com a lei internacional e europeia


Amnistia Internacional, Sexta, 14 Março 2014 13:29


A Amnistia Internacional Portugal (AI Portugal) considera uma “oportunidade perdida” a não aprovação, esta sexta-feira, 14 de março, na Assembleia da República, da co-adoção por casais do mesmo sexo.

Sobre o direito a contrair casamento e a constituir família, a posição da organização de direitos humanos é clara: a lei internacional proíbe a discriminação com base na orientação sexual e na identidade de género. É nesse sentido que vão as disposições da Declaração Universal dos Direitos Humanos (artigos 12º e 16º) e do Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos (artigos 17 º e 23º), bem como da Convenção Europeia dos Direitos do Homem (artigos 8º e 12º) e da Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia (artigos 7º e 9º).

No caso de Portugal, a própria Constituição proíbe no artigo 13º qualquer discriminação com base na orientação sexual. Nesse sentido, vai também a decisão de fevereiro de 2013 do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, no Caso X e outros v. Áustria, que expressamente refere Portugal como um dos países do Conselho da Europa – ao lado da Roménia, Rússia e Ucrânia – que violam o princípio da não-discriminação e o direito ao respeito pela vida familiar, uma vez que só admite a co-adoção por casais heterossexuais, apesar de admitir o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Também o Comissário para os Direitos Humanos do Conselho da Europa, Nils Muižnieks fez notar, em carta enviada em junho do ano passado ao Presidente da Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias da Assembleia da República, a discrepância entre a lei nacional, as disposições internacionais e a decisão do Tribunal de Estrasburgo, bem como a necessidade de Portugal legislar no sentido de garantir aos casais do mesmo sexo o exercício dos direitos parentais de forma não discriminatória.








Comité Português para a UNICEF: comunicado sobre o projeto da coadoção

Comunicado do Comité Português para a UNICEF sobre a lei que consagra a possibilidade de coadoção pelo cônjuge ou unido de facto do mesmo sexo






Tendo a Convenção sobre os Direitos da Criança como quadro orientador de toda a sua acção, a principal preocupação da UNICEF é que o interesse superior da criança seja uma consideração primordial em todas as decisões que lhe digam respeito, particularmente em qualquer situação de adopção.




De acordo com este princípio, o Comité Português para a UNICEF entende que a lei da co-adopção pelo cônjuge ou unido de facto do mesmo sexo visa proteger as crianças, que vivem num ambiente familiar em situações concretas, através da preservação de vínculos afectivos e emocionais decorrentes de uma relação privilegiada e que são fundamentais para a estabilidade e desenvolvimento de uma criança.




Tratando-se de situações muito concretas em que não há uma filiação anterior, ou seja, nos casos em que as crianças têm apenas uma menção de maternidade ou paternidade, é positiva a criação de um quadro jurídico mais seguro para casos não solucionados por institutos como o da adoção, pois proporciona à criança a possibilidade de viver e crescer num ambiente em que se sente acarinhada e protegida.


   13 março 2014



 


Coadoção: chumbado projeto do PS por cinco votos

  Última atualização a 14 MAR 14 às 13:53. Publicado a 14 MAR 14 às 13:09

 


112 deputados contra, 107 a favor e quatro abstenções; foi chumbado o projeto do PS para coadoção de crianças por casais homossexuais e não houve votação final global, uma vez que logo durante a votação na especialidade do primeiro artigo se verificou um 'chumbo'. A deputada Isabel Moreira reagiu, dizendo que o «chumbo» foi «uma derrota para as crianças». Já a maioria diz que não é caso para "cantar" vitória.


No PSD, 15 deputados votaram a favor das alterações propostas pelo PS e no PS dois manifestaram-se contra. No CDS, todos os deputados votaram contra.

Votaram contra 89 deputados do PSD e 23 deputados do CDS-PP. Os votos a favor foram de 69 deputados do PS, 15 deputados do PSD, 13 parlamentares do PCP, os oito deputados do BE e os dois parlamentares do PEV.

Na votação na especialidade registaram-se 4 abstenções: duas do PS (João Portugal e Isabel Oneto) e duas do PSD (Conceição Caldeira, Maria José Castelo Branco).

Num momento anterior, quando se votaram apenas três normas relativas aos requisitos da coadopção verificaram-se 5 abstenções, as mesmas da votação da especialidade, mais o deputado do PSD João Prata.

Os 15 deputados do PSD que votaram a favor foram: Nuno Encarnação, Francisca Almeida, Cristovão Norte, Teresa Leal Coelho, Paula Cardoso, Ângela Guerra, Ana Oliveira, Joana Barata Lopes, Gabriel Goucha, Odete Silva, Sérgio Azevedo, Pedro Pinto, Mónica Ferro, Luís Menezes e Miguel Frasquilho.

Na votação estavam presentes 224 dos 230 deputados, mas a presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves (eleita pelo PSD), não votou, nos termos do artigo 93º do regimento.

Assim, na bancada do PSD registou-se apenas a falta do deputado Mota Pinto (estiveram presentes 107 dos 108 parlamentares), enquanto na bancada do PS, que tem 74 deputados, faltaram Maria de Belém Roseira, Paulo Pisco e António Braga.

Na bancada do CDS-PP estiveram presentes 23 dos 24 deputados, com João Rebelo a ser o único ausente. No grupo parlamentar do PCP, que elegeu 14 deputados, faltou apenas Paulo Sá.

Nas bancadas do BE, com oito deputados, e do PEV, com 2, não se registou nenhuma falta.

Ao todo, na generalidade, o projeto de lei que teve como primeira subscritora a deputada socialista Isabel Moreira, teve 99 votos a favor, 94 contra e nove abstenções.

















Estudo


Jovens portugueses apoiam coadoção e adopção por casais do mesmo sexo


Mais de dois terços dos 900 jovens inquiridos por uma empresa de estudos de mercado são a favor da co-adopção e mais de metade abre as portas à adopção
Texto de Amanda Ribeiro • 20/03/2014 - 10:41 

Há uma semana, cinco votos ditaram a reprovação na especialidade do projecto do PS que propunha a co-adopção por casais do mesmo sexo, uma decisão que em nada corresponde à opinião dos 900 jovens, entre os 18 e os 35 anos, que foram inquiridos sobre o assunto para um estudo interno da empresa de análise e estudos de mercado Ipsos Apeme.  

De 19 a 24 de Fevereiro, foram realizados 900 questionários online com a seguinte proposição: "Nas últimas semanas assistiu-se a um aceso debate sobre a co-adopção por casais do mesmo sexo, isto é, em situações em que apenas um elemento do casal é pai ou mãe da criança, o outro elemento do casal poder passar a ter direitos legais de parentalidade sobre a criança. Qual a sua posição em relação a este tema?" 

Seiscentos e quarenta e oito, mais de dois terços dos inquiridos, manifestaram uma posição favorável. Se 56% dizem "concordar totalmente" com a co-adopção e até com adopção por casais do mesmo sexo, 16% manifestam ainda reservas em relação à adopção mas aprovam a co-adopção. Apenas 7% dos inquiridos revelaram discordar "totalmente"; 10% divergem "de alguma forma" e 11% assinalaram a opção "não sei bem o que pensar sobre este tema". 

Foram inquiridos residentes em Portugal Continental, distribuídos por Grande Lisboa, Grande Porto e outras regiões. Na comparação entre sexos, responderam 479 mulheres e 421 homens. São elas quem demonstra mais abertura: 80% concordam com a co-adopção (destas, 67% acham que a adopção também deveria ser aprovada e 13% ainda têm dúvidas) contra 63% no sexo masculino (44% aprovam também a adopção e 19% ainda têm dúvidas). 

À faixa etária dos 25-30 anos corresponde a maior percentagem de aprovação. Os mais velhos, entre os 31 e os 35 anos, são os mais reticentes, embora com uma margem muito pequena em relação aos outros grupos. Curiosamente, os inquiridos sem filhos, que foram questionados em maior número (685), apresentam as posições mais favoráveis: 75% concordam totalmente com a co-adopção (59% também com a adopção), enquanto que nos 215 entrevistados com filhos esse valor desce para os 67%. 

Este estudo quantitativo, a que o P3 teve acesso, teve como objectivo "monitorizar e acompanhar as alterações de um 'target' que está sempre em evolução e movimento, quer pelas mudanças naturais da idade, como pela rápida evolução das tendências e surgimento de novos sistemas e desafios". Considera-se um intervalo de confiança de 95%, com uma margem de erro a rondar os 3,3%. 

http://p3.publico.pt/actualidade/sociedade/11344/jovens-portugueses-apoiam-co-adopcao-e-adopcao-por-casais-do-mesmo-sexo















Quem denuncia "homossexuais hipócritas" é o pior dos homofóbicos


O outing (divulgação da homossexualidade de figuras públicas consideradas "hipócritas") é coisa habitual por outras paragens. Felizmente, aqui não. Mas parece que a moda chegou. Recentemte começaram a correr nomes de políticos que votaram contra a lei da coadoção e supostamente são homossexuais. Um ex-dirigente do PSD, talvez tomado pela frustração por ver companheiros de partido cederem ao mero oportunismo, decidiu, em má hora, participar na coisa.
Vou ser bastante claro sobre este assunto. Pode ser-se homossexual e ser-se contra a adopção de crianças por duas pessoas do mesmo sexo. Pode ser-se homossexual e ser-se contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Pode ser-se homossexual e achar-se que o melhor para a sociedade é a "família tradicional". Pode até ser-se homossexual e achar-se que a heterossexualidade é, sendo possível a escolha, preferível. Um homossexual não está obrigado a ser mais liberal do que qualquer outra pessoa. Não está sequer obrigado a ter uma opinião especifica sobre a sexualidade. Um homossexual é apenas uma pessoa que tem preferência sexual e/ou amorosa por pessoas do mesmo sexo. Nem mais nem menos do que isto. E alguém que se entretém a "denunciar" a homossexualidade de cada um é alguém que julga ter uma qualquer autoridade moral sobre a forma como cada um lida com a sua própria sexualidade. E quando tal acontece com um deputado e como resultado de um voto seu trata-se de uma chantagem: ou votas como eu quero ou eu conto o que sei sobre ti. E um chantagista não passa a ser menos miserável quando usa a chantagem em defesa de leis com as quais eu concordo. 
 
As pessoas têm o direito a viverem o mais felizes que conseguirem com a sua heterossexualidade, homossexualidade ou bissexualidade. E só elas sabem se a publicitação da sua intimidade é o que melhor garante essa felicidade. Desde que não cometam crimes (abuso de menores e violação), todas os cidadãos, sejam ou não deputados, têm o indiscutível direito a decidirem o que é intimo e o que é público na sua vida sexual e amorosa. A mentirem. A dissimularem. A esconderem. A revelarem. A terem posições políticas que nos podem parecer contraditórias com as suas opções sexuais. Porquê? Porque a sexualidade de cada um não é um tema político. O que é político são os direitos cívicos e a igualdade perante a lei. Nem mais um milímetro do que isto. 
 
Considero que os deputados que chumbaram a lei da coadoção atacaram o direito à segurança e à felicidade de famílias existentes e desprezaram o superior interesse da criança. Considero que os deputados que são conta o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo defendem uma discriminação legal inaceitável. Combato politicamente as suas posições. É-me indiferente se são homossexuais, heterossexuais, bissexuais, se praticam swing ou BDSM, se gostam de sexo de manhã ou à noite, a toda a hora ou nunca. Se amam uma mulher, um homem ou mulheres e homens. Se dividem a sua vida e a sua economia com uma pessoa do mesmo sexo, do sexo oposto ou com ninguém. Se quiserem tornar isso público, é com elas. Se não quiserem, eu não pergunto, não "denuncio", não insinuo, não julgo. A política não tem de entrar na cama de ninguém. E quem quer lutar por direitos cívicos violando a intimidade alheia, ou mesmo usando-a como forma de chantagem, só pode estar muito baralhado em relação aos valores que supostamente anda a defender. Porque o pior dos homofóbicos é o que usa a homossexualidade de seja quem for para limitar a sua liberdade de opinião.

 







“Uma lésbica não poderia hoje recusar-se a participar na votação da coadoção”

Sex, 14/03/14
Uma das reacções mais duras ao chumbo da coadoção no Parlamento veio de um militante do PSD. Carlos Reis, que foi vice-presidente e director do gabinete de estudos do PSD e presidente da distrital de Lisboa do partido, apontou críticas à “hipocrisia” do CDS e à presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves.


“O CDS mete-me nojo e causa-me escândalo moral. A hipocrisia de um Partido Político que é liderado por um homossexual mas que vota a favor da continuidade da discriminação de famílias e da orfandade forçada de crianças ultrapassa a minha capacidade de verbalização”, escreveu Carlos Reis no seu perfil de Facebook. O mesmo responsável também criticou a segunda figura do Estado Português. “Também me causa repulsa o papel ignóbil da Presidente Assunção Esteves: uma lésbica não poderia hoje recusar-se a participar naquela votação”, refere a propósito da parlamentar eleita pelas listas do PSD e agora presidente da Assembleia da República. A presidente do Parlamento pode votar, apesar raramente exercer esse direito. Assunção Esteves e o líder do CDS Paulo Portas nunca disseram em público qual a sua orientação sexual.

Carlos Reis apontou ainda o dedo às duas deputadas do PSD que alteraram o seu sentido de voto entre a votação na generalidade e nesta sexta-feira. “Mostraram serem mulheres sem coluna vertebral e sem consciência”, considera.


O jurista foi o autor do artigo “Carta aberta ao presidente da JSD e seus compagnons de route”, publicado no Público, onde condenava a posição da juventude do PSD sobre a proposta da realização do referendo à adopção e à coadoção e que teve grande repercussão dentro do partido.

http://dezanove.pt/uma-lesbica-nao-poderia-hoje-recusar-se-626794 







Carlos Reis, Facebook, 14-03-2014
Sobre a votação de hoje: o CDS mete-me nojo e causa-me escândalo moral. A hipocrisia de um Partido Político que é liderado por um homossexual mas que vota a favor da continuidade da discriminação de famílias e da orfandade forçada de crianças ultrapassa a minha capacidade de verbalização. Mas também me causa repulsa o papel ignóbil da Presidente Assunção Esteves: uma lésbica não poderia hoje recusar-se a participar naquela votação. Causa-me estupefacção que 2 Deputadas do PSD tenham alterado o seu sentido de voto: mostraram serem mulheres sem coluna vertebral e sem consciência. E lamento por hoje 6 Deputados terem faltado: nós pagamos-lhe salário para eles votarem (e isto vale para o Deputado do PCP e para os 3 do PS que não puseram os pés no Parlamento). Mas uma coisa é certa: foi renhida. Registo no entanto aqui que se todos os Deputados da pseudo-esquerda tivessem comparecido hoje a votação teria sido histórica. E que apesar de tudo, no PSD ainda há homens e mulheres, humanistas, e liberais ao velho estilo de Sá Carneiro: Liberais onde conta - na vida das pessoas concretas, que se querem livres e emancipadas.









 




















NOVO DIA - Associação para a inclusão social. | Quinta, 06 Fevereiro 2014 


Esta semana foi assim.



De 29 de Janeiro a 5 de Fevereiro de 2014.   



(...)



Há 25 anos, o mundo fez uma série de promessas às crianças quando adotou a Convenção sobre os Direitos da Criança. Cumprimos essas promessas?



Prometemos a cada rapariga e a cada rapaz o direito a sobreviver e a ser saudável. Atualmente morrem menos crianças com idade inferior a cinco anos, contudo, em 2012 morreram ainda cerca de 18.000 crianças por dia, a grande maioria de causas evitáveis.



Prometemos a cada criança o direito a um nome e a uma identidade: mas perto de 230 milhões de crianças menores de cinco anos nunca foram registadas. Oficialmente, essas crianças não existem.



Prometemos a cada rapariga e a cada rapaz o direito a uma educação: o número de raparigas que frequentam a escola é o maior de sempre, no entanto, cerca de 31 milhões de raparigas em idade de escolaridade primária não iam à escola em 2011.



Prometemos que nenhuma criança deveria ser submetida a qualquer tipo de violência. Contudo, milhões de crianças sofrem abusos, negligência e violência praticada muitas vezes pelas pessoas em quem mais deveriam poder confiar.



(...)1)
(...)
as evidências científicas sugerem que as decisões importantes sobre a vida das crianças e adolescentes sejam tomadas com base na qualidade das suas relações com os pais e não com base na orientação sexual dos mesmos. A continuidade afetiva deve ser o valor fundamental a preservar, dando às crianças o direito de saber que as suas relações com os pais (ou com os indivíduos que desempenham essas funções parentais) são estáveis e legalmente reconhecidas.
(...)2)
Em Maio de 2013, o Parlamento português aprovou o projeto-lei nº 278/XII, que consagra a possibilidade de co adoção pelo cônjuge ou unido de facto do mesmo sexo, além de proceder à 23.ª alteração ao Código do Registo Civil. Fomos ler o projeto-lei:
(...)
Todas estas questões, e muitas outras, já foram enfrentadas - e bem enfrentadas - por milhões de famílias de pessoas LGBT, ao longo dos tempos e um pouco por todo o mundo. E, baseadas em toda a investigação científica existente, as academias de profissionais das mais diversas áreas (como a Pediatria, Medicina, Psicologia e Serviço Social, entre outras) mais respeitadas mundialmente, afirmam, sem margem para dúvida, que as crianças criadas por pessoas LGBT ou por casais de pessoas LGBT têm um desenvolvimento emocional e social em tudo semelhante ao das crianças que integram as restantes famílias.(...)O projeto que apresentamos faz apenas isto: introduz coerência valorativa no sistema jurídico português, reconhecendo as famílias diversas com crianças cujos interesses superiores não estão acautelados; permite a co adoção por parte do cônjuge ou unido de facto do pai ou mãe da criança, desde que não exista outra parental idade anteriormente estabelecida.
(...)3)
Ou seja, de acordo com o projeto lei, duas pessoas do mesmo sexo, casadas ou em união de facto, desde que possuam mais de 25 anos de idade, desde que um deles exerça responsabilidades parentais em relação a um menor, por via da filiação ou adoção, pode o cônjuge ou o unido de facto co adotar o referido menor. Se o menor tiver mais de 12 anos de idade, é necessário pedir autorização. 4)
Pese embora o facto de a maioria dos deputados do PSD e do CDS e dois deputados do PS terem votado contra, o documento foi, de facto, aprovado por maioria. Depois da aprovação, haveria algum caminho a percorrer: discutir o documento na especialidade e a promulgação do Diploma pelo Presidente da República. Na última reunião da especialidade, onde imperou o consenso, um deputado do PSD, apresentou um requerimento para adiar o processo legislativo já votado em plenário, alegando que seria importante um referendo. No dia 25 de Outubro de 2013, o plenário da Assembleia da República votou um requerimento do PS para proceder à votação final do referido projeto-Lei na especialidade: o PS e o Bloco de Esquerda votaram a favor do requerimento do PS 5). Mas não foi suficiente. Que aconteceu depois? Em Janeiro último, através da Resolução da Assembleia da República nº 6-A/2014 6) votou favoravelmente, coma maioria dos votos dos partidos do governo da República, a realização de um referendo sobre a possibilidade de co adoção pelo cônjuge ou unido de facto do mesmo sexo e, também, sobre a adoção por casais do mesmo sexo, casados ou unidos de facto. Entretanto, O Presidente da República enviou a proposta de referendo para o Tribunal Constitucional. Aguarda-se, assim, a decisão daquele Tribunal.
Os direitos das cidadãs e dos cidadãos não são referendáveis. São direitos por e simplesmente. Referendar um direito é uma forma de o violar, porque o mesmo é posto em causa. O que está em causa é o terrível bastidor que deveria já ter sido descortinado: o preconceito. Apenas isso. E isso é muitíssimo. É tudo. Se não se legislar definitivamente a favor da co adoção- o processo natural e justo a seguir-, está-se a retroceder séculos em matéria de direitos humanos: a igualdade e a discriminação voltam à estaca zero; o artigo 13º da Constituição da República Portuguesa fica em causa. Por isso, convém recordá-lo:
(...)
Artigo 13.º

Princípio da igualdade

1. Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei.
2. Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual.
(...)7)
Depois da Áustria, da Finlândia, da Alemanha e de Israel, Portugal foi o quinto país a aprovar a co adoção por casais do mesmo sexo. Essa aprovação decorreu na Assembleia da República, em Maio de 2013, conforme já aqui referimos. O retrocesso que este processo tomou põe em causa as competências do Parlamento e tenta esconder uma possível homofobia, volvidos séculos sobre a Inquisição e cerca de 40 anos sobre o termo da ditadura que durante 48 anos discriminou, oprimiu, reprimiu em Portugal. Mas não só. Este retrocesso trás à memória a solução final de Hitler: há muitas formas de a aplicar e deixar morrer milhões e milhões de crianças para acender um preconceito revela a capacidade da barbárie.
E o que diz a ciência? A ciência afirma precisamente que
(...)
As evidências científicas sugerem então que decisões importantes sobre a vida de crianças e adolescentes (como a determinação da co-adopção) sejam tomadas não com base na orientação sexual dos pais, mas na qualidade das suas relações com os pais.
Conclui-se que os resultados das investigações psicológicas apoiam a possibilidade de co-adopção por parte de casais homossexuais, uma vez que não encontram diferenças relativamente ao impacto da orientação sexual no desenvolvimento da criança e nas competências parentais.
(...)8)




Mostremos que estamos, de facto, preocupados e interessados no Superior Interesse da Criança.






1) UNICEF (2014), Relatório Mundial da Infância- 2014: todas as crianças valem a pena; divulgação das disparidades e dos direitos da criança, New York, 116 pp., acessível no portal da UNICEF na web, em http://www.unicef.org/sowc2014/numbers/documents/english/EN-FINAL%20FULL%20REPORT.pdf: acedido a 30 de Janeiro de 2014.
2)Ordem dos Psicólogos (2013), Relatório de Evidência Científica Psicológica sobre Relações Familiares e Desenvolvimento Infantil nas Famílias Homoparentais, Lisboa, 40 pp., p. 4. Acessível na web, no portal da Ordem dos Psicólogos, em https://www.ordemdospsicologos.pt/ficheiros/documentos/relataorio_de_evidaancia_cientaifica_psicolaogica_sobre_as_relaa_aoes_familiares_e_o_desenvolvimento_infantil_nas_famailias.pdf: acedido a 30 de Janeiro de 2014.



3) Assembleia da República (2013), Projeto de Lei n.º 278/XII, Consagra a possibilidade de co adoção pelo cônjuge ou unido de facto do mesmo
Sexo e procede à 23.ª alteração ao Código do Registo Civil "acessível na web, no portal da Assembleia da República, em http://app.parlamento.pt/webutils/docs/doc.pdf?path=6148523063446f764c3246795a5868774d546f334e7a67774c336470626d6c7561574e7059585270646d467a4c31684a535339305a58683062334d76634770734d6a63344c56684a5353356b62324d3d&fich=pjl278-XII.doc&Inline=true: acedido a 1 de Fevereiro de 2014.
4) Vide nºs 1, 2, 4 do Artigo 2º do Projeto de Lei nº 278/XII, Ops. Cit.
5) Vide documento acessível na web, em http://www.beparlamento.net/sites/default/files/dec_de_voto_co_adocao_2.pdf: acedido a 2 de Fevereiro de 2014.
6) Vide Assembleia da República (2014), Resolução da Assembleia da República n.º 6-A/2014, Diário da República, 1.ª série - N.º 13 - 20 de janeiro de 2014, acessível na web em https://dre.pt/pdf1sdip/2014/01/01301/0000200002.pdf: acedido a 2 de Fevereiro de 2014.
7) Vide Constituição da República Portuguesa (2005), acessível na web no portal da Assembleia da República, em http://www.parlamento.pt/Legislacao/Paginas/ConstituicaoRepublicaPortuguesa.aspx: acedido a 3 de Fevereiro de 2014.
8) Ordem dos Psicólogos (2013), Ops. Cit., p. 40.












Página do Facebook a favor da coadoção e adoção homossexual

https://www.facebook.com/pages/A-favor-da-Coado%C3%A7%C3%A3o-e-Ado%C3%A7%C3%A3o-Homossexual/157840341065721













OPINIÃO

O superior interesse da baixa política

O que pensam fazer a estas crianças? Separar os seus pais/mães e recasá-los com cônjuges do sexo oposto?
Ler mais:  http://www.publico.pt/sociedade/noticia/o-superior-interesse-da-baixa-politica-1620528








 

Centristas pedem a Cavaco que rejeite referendo.



A distrital do Porto da Juventude Popular qualifica a consulta sobre a coadoção de inoportuna e desrespeitadora das figuras do referendo e da Assembleia da República.














OPINIÃO

Uma vergonha chamada PSD

Se não é para exercerem livremente o seu mandato de deputados, então mais vale irem para casa.











OPINIÃO

Carta aberta ao presidente da JSD e seus compagnons de route

Hesitei em decidir a quem me dirigir: não sei quem hoje é o mandante da JSD, nem a quem prestam vassalagem. Assim, terei de me dirigir ao presidente formal da JSD – e a quem deu publicamente a cara por uma das maiores indignidades que se registaram na história parlamentar da República.
Para vocês, que certamente não me conhecem, permitam-me que me apresente: sou militante do PSD, com o n.º 10757. Na JSD onde me filiei aos 16 anos, fui quase tudo: vice-presidente, director do gabinete de estudos, encabecei o conselho nacional, fui quem exerceu funções por mais tempo como presidente da distrital de Lisboa, fui dirigente académico na Faculdade de Direito de Lisboa, eleito com a bandeira da JSD, fui membro da comissão política nacional presidida por Pedro Passos Coelho, de quem, de resto, fui um leal colaborador. Quando saí da JSD, elegeram-me em congresso como vosso militante honorário.
Por isso julgo dever dirigir-me a vocês, para vos dizer que a vossa actuação me cobre de vergonha. E que deslustra tudo o que eu, e tantos outros, fizemos no passado, para a emancipação cívica, económica, cultural e política, da juventude e da sociedade.
Com a vossa proposta de um referendo sobre a co-adopção e a adopção de crianças por casais de pessoas do mesmo sexo, vocês desceram a um nível inimaginável, ao sujeitarem a plebiscito o exercício de direitos humanos. A democracia não deve referendar direitos humanos de minorias, porque esta não se pode confundir com o absolutismo das maiorias. Porque a linha que separa a democracia do totalitarismo é ténue – é por isso que a democracia não dispensa a mediação dos seus representantes – e é por isso que historicamente as leis que garantem direitos, liberdade e garantias andam à frente da sociedade. Foi assim com a abolição da escravatura, com o direito de voto das mulheres, com a instituição do casamento civil, com a autorização dos casamentos inter-raciais, com o instituto jurídico do divórcio, com o alargamento de celebração de contratos de casamento entre pessoas do mesmo sexo. Estes direitos talvez ainda hoje não existissem se sobre eles tivessem sido feitos plebiscitos.
Abstenho-me de fundamentar aqui a ilegalidade do procedimento que se propõem levar avante: a violação da lei orgânica do referendo é grosseira e evidente – misturaram numa mesma proposta de referendo duas matérias diferentes e nem sequer conexas. Porque adopção e co-adopção são matérias que vocês pretendem imoralmente enfiar no mesmo saco.
Em matéria de co-adopção vocês ignoram ostensivamente o superior interesse das crianças já criadas em famílias já existentes e a quem hoje falta a devida segurança jurídica e protecção legal. Ao invés, vocês querem que os seus direitos sejam referendáveis. Confesso que me sinto embaraçado e transido de vergonha pela vossa atitude: dispostos a atropelarem o direito de umas poucas crianças e dos seus pais e mães, desprotegidos, e em minoria, em nome de uma manobra política. E isto é uma vergonha.
Mas é também com estupefacção que vejo a actual JSD tornar-se numa coisa que nunca foi – uma organização conservadora, reaccionária e atávica. Vocês empurram, com enorme desgosto meu, a JSD para uma fronteira ideológica em contradição com a nossa História e ao arrepio do nosso património de ideias e valores: o humanismo em matéria de liberdades individuais sempre foi nossa trave mestra. O que vocês propõem é uma inversão de rumo: conservadores na vida familiar mas liberais na economia. Eu e alguns preferimos o contrário. Porque o PSD, em que nos revimos, sempre foi o partido mais liberal em matéria de costumes e em matérias de consciência.
Registo, indignado, o vosso silêncio cúmplice perante questões sacrificiais para a juventude portuguesa. Não vos vejo lutar contra o corporativismo crescente das ordens profissionais e a sua denegação do direito dos jovens a aceder às profissões que escolheram. Não vos vejo falar sobre a emigração maciça que nos assola. Não vos vejo preocupados com muitas outras questões.
Mas vejo-vos a querer que eu decida o destino dos filhos dos outros.
Na JSD em que eu militei sempre fomos generosos: queríamos mais direitos para todos. Propusemos, entre tantas coisas, a legalização do nudismo em Portugal, o fim do SMO, a despenalização do consumo das drogas leves, a emancipação dos jovens menores e o seu direito ao associativismo. Nunca nos passaria pela cabeça querer limitar direitos.
Hoje vocês não se distinguem do CDS e alguns de vocês nem sequer se distinguem da Mocidade Portuguesa, ou melhor, distinguem-se, mas para pior.
A juventude já vos não liga nenhuma. E eu também deixei de vos ligar. 
 http://www.publico.pt/politica/noticia/carta-aberta-ao-presidente-da-jsd-e-seus-compagnons-de-route-1620073















OPINIÃO



Sou a favor da Democracia Direta. Creio, aliás, que esta realidade pode vir a ser, com o avanço das tecnologias, a grande revolução de futuro das democracias. Até porque ela resolve um problema básico: em vez de termos uma classe medíocre a decidir, cada um passa a ter a sua voz. Será um longo caminho para lá chegar e, provavelmente, ultrapassará o meu tempo de vida. 



Claro que a realização de referendos, dentro dos modos dispendiosos e burocraticos em que acontecem, está fora de questão. E ainda mais fora de questão deveriam estar referendos que são atirados apenas como arremesso político e ideológico para fragmentar a população portuguesa, levando-as a alinhar com este ou aquele grupo. 




A liberdade de cada individuo deve estar acima de qualquer preconceito moral ou ideológico. Acresce ainda que a lei existe para regulamentar a realidade e não para a criar. E é esse o caso concreto das "Famílias Arco Íris", constituídas por duas pessoas do mesmo sexo. Conheço várias. Algumas inclusivamente com filhos que são hoje da minha geração. E outros que têm sensivelmente a minha idade e que têm filhos. Esta é a realidade. E estas crianças têm de ser protegidas. 






Algumas pessoas parecem ainda não ter percebido que os casais do mesmo sexo existem e vão continuar a existir, e que não precisam de autorização para terem filhos, porque têm capacidades para tê-los.








Por isso, entendo o que aconteceu hoje como um estratagema político sem elevação. Cabe agora aos portugueses fazerem ouvir a sua voz e decidir se querem um Estado que controle as suas vidas privadas ou um Estado em que a liberdade individual é respeitada acima de qualquer outra.

 
https://www.facebook.com/hugo.lourenco














 Deputada Isabel Moreira, subscritora do projeto da lei da coadoção fala sobre o referendo. 















OPINIÃO

A primeira derrota do referendo






O plebiscito

VIRIATO SOROMENHO MARQUES

17 janeiro 2014

Se a proposta de referendo apresentada pelos "jovens turcos" do PSD for votada hoje favoravelmente, Portugal transformar-se-á no único país europeu em que a direita prefere Rousseau a Burke. A ideia de convocar um referendo sobre dois temas que já foram objeto de uma longa ponderação parlamentar (a co-adoção por casais do mesmo sexo levou mesmo à constituição de um grupo de trabalho) mostra que a direita lusa parece preferir a dinâmica jacobina de uma "vontade geral" que tem no irrestrito "princípio da maioria numérica" a sua expressão máxima de manifestação, em vez de se manter fiel ao tesouro da República, que consiste em permitir que no espaço disciplinado e livre da discussão parlamentar os representantes do povo possam construir consensos que os conduzam a soluções que, embora não isentas de erro, possam ser suportadas pela argumentação mais sólida e esclarecida possível.


Ler mais:











Intervenção do Deputado Pedro Delgado Alves (1ª)


Pedro Delgado Alves, relembra que há famílias em causa que precisam de ser protegidas e que os compromissos internacionais relacionados com os Direitos Humanos em que Portugal pertence, devem ser respeitados.



Caso Portugal não permitir a coadoção por pessoas do mesmo sexo será condenado pelo Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, o que transmitirá uma má imagem de Portugal por não respeitar os Direitos Humanos!
Publicado em 17/01/2014 







 








Pela coadoção gay, contra a adoção

Henrique Monteiro








     Em princípio sou contra referendos. Ou melhor, só os acho admissíveis em coisas muito concretas e que digam respeito à vida material de pequenas comunidades. É fácil um referendo num condomínio, num bairro, numa freguesia, numa autarquia (e mesmo assim nem sobre qualquer assunto). Num país, e sobre assuntos gerais, para mais fraturantes, é um erro.
     Esta minha convicção baseia-se no seguinte aspeto do referendo: não admite negociação nem consensualização de propostas; pelo contrário, presta-se à maior demagogia e populismo. E quem tem um espírito livre nem sempre está disposto a um simples sim ou não.
     Vejamos o caso da adoção gay (e sei que a minha posição é difícil de explicar). Eu sou a favor da coadoção e contra a adoção. Porquê? Não será isto bizarro?
     Não me parece, por um motivo essencial. Se um casal gay tem filhos (naturais, por exemplo) e com eles coabita, é natural que se um membro desse casal falecer (ainda que seja o pai ou mãe natural) deixe os filhos  à guarda do cônjuge ou coabitante. Mais: em tempos (há mais de 20 anos) insurgi-me contra um tribunal que recusava entregar os filhos a um pai com a única alegação de este ser homossexual (quando, a alternativa era a mãe que tinha vários problemas, incluindo com a Justiça). No caso da coadoção, o Estado, por via legal, limita-se a reconhecer uma situação de facto.
     Diferente é o Estado ter à guarda crianças institucionalizadas e uma lei obrigar a que não haja qualquer distinção entre núcleos familiares heterossexuais, homossexuais e monoparentais em matéria de adoção.             Aqui, o Estado não está a proceder naturalmente, mas a criar uma situação não natural (de engenharia social) por via da lei. Em consciência sou contra.
     De qualquer referendo, quer responda sim ou não à coadoção, retirar-se-á sempre ilações políticas (erradas, do meu ponto de vista) para a adoção.
     Se me coubesse votar no Parlamento, seria contra o referendo, a favor da coadoção e contra a adoção homossexual. Serei o único a pensar assim? Não creio. Não acredito que toda a gente seja tão simplista como os nossos partidos querem crer.












Coadoção: uma família real



Se uma das mães morrer, a outra pode ficar sem o filho





Com apenas um ano e meio, este menino já sabe dizer que tem duas mães. No dia em que o Parlamento aprovou uma proposta de referendo à coadoção e adoção por casais do mesmo sexo, a TVI deixa-lhe um testemunho real: http://www.tvi24.iol.pt/videos/video/14061222/5

2014-01-16










Mãe relata caso pessoal a deputados para pedir aprovação da coadoção

Publicado em 2013-12-13




Ler mais:
http://www.jn.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=3587098&page=-1






 


Crónica

A parentalidade, os afetos e a co-adoção

Há desamor nas relações? Há divórcios? Há ruturas? Claro que sim, tal como nos casais de sexo diferente. Essas ocorrências reforçam a necessidade de aprovar a co-adoção

Texto de Isabel Moreira • 13/06/2013 - 12:15


Ao contrário do que alguns afirmam, o projeto de lei da co-adoção em casais do mesmo sexo (que já existe para casais de sexo diferente) não tem qualquer ligação com um ideal romântico e biológico das relações adultas ou na desconsideração da realidade que nos remete para ruturas e divórcios. Trata-se precisamente do contrário.

Só quem tem um conceito (pessoal) de família como unidade puramente biológica, só quem tem um conceito de casal contratualizado “até que a morte os separe” é que rejeita "ab initio" a complexidade do universo familiar, a complexidade da parentalidade, os divórcios frequentes e, portanto, não olha para a co-adoção, como para qualquer adoção, como um instituto jurídico centrado no superior interesse da criança, na manutenção dos seus laços afetivos permanentes.

A co-adoção não tem como finalidade usar a criança para legitimar todas as relações e mais algumas que os adultos tenham. O “direito a qualquer coisa” não está no lado do adulto, mas antes do lado da criança. É a criança, se, assim, caso a caso, um juiz decidir, munido de um processo de avaliação, que fica mais protegida, se a pessoa que representa uma parentalidade real for, em nome dos princípios que referi, reconhecida como pai ou mãe tal como o é o respetivo cônjuge ou unido de facto.

Estamos a considerar um instituto residual. Não se trata de multiplicar vínculos jurídicos entre a criança e todas as pessoas adultas que entram na sua vida. Trata-se de abrir os olhos à realidade das famílias homoparentais. As crianças em causa estão nas nossas escolas, nas nossas vidas.

Se a realidade não chega, o consenso científico deve marcar o normativo, como tem feito quanto a outros institutos jurídicos: há mais de duas décadas que se vem demonstrando que as crianças que se desenvolvem no seio de uma realidade homoparental (por exemplo, uma mãe biológica e a sua companheira) não apresentam diferenças de relevo quanto a quaisquer crianças.

Não custa passar os olhos pelo que foi estudado por entidades como estas: American Academy of Child and Adolescent Psychiatry, a American Academy of Pediatrics, a American Academy of Family Physicians, a American Medical Association, a American Psychiatric Association, a American Psychological Association, a American Psychoanalytic Association, a Child Welfare League of America, a National Association of Social Workers e o North American Council on Adoptable Children.

É antes um dever de quem opina, porque é da segurança jurídica de crianças que falamos, ler o comunicado do Instituto de Apoio à Criança saído em Maio ou os estudos académicos já desenvolvidos em universidades portuguesas. Há desamor nas relações? Há divórcios? Há ruturas? Claro que sim, tal como nos casais de sexo diferente. Essas ocorrências reforçam a necessidade de aprovar a co-adoção.

Sem a mesma, ao contrário do que sucede nos casais de sexo diferente, uma criança que tem a representação afetiva e psíquica de duas figuras parentais fica (como fica atualmente porque ainda não há lei) surpreendida por desaparecer da sua vida o “dever de cuidar” por parte de quem cuidou, precisamente.

É a co-adoção, em casais de sexo diferente ou do mesmo, que permite a tal continuidade das relações afetivas, pois quem foi para a criança, sempre, um pai ou uma mãe passa a ter os deveres jurídicos correspondentes, quer na vida em comum com o cônjuge, quer em caso de separação – passa a ter de haver regulação do poder parental e, assim, as decisões de adultos não afetam as relações parentais dos mesmos com a criança - , quer em caso de morte. Não defender esta solução é, consciente ou inconscientemente, regressar ao passado, no sentido de valorizar a mãe (necessariamente biológica), no papel de cuidadora dos filhos (necessariamente biológicos) e de, nessa função, desvalorizar o pai.
Não posso acompanhar abusos lógicos que desprezam a dinâmica relacional em nome da cópula, o que teria de levar quem os abraça a propor a revogação de todos os regimes da adoção, a começar pelo da adoção singular, há décadas aberto a gays e lésbicas.
 

 

 

Crónica

Porquê votar a favor da co-adoção pelo cônjuge ou unido de facto do mesmo sexo?

Independentemente das convicções de cada um, foi claro que no debate da generalidade veio ao de cima esta preocupação que sustenta o projeto de que sou subscritora: o superior interesse da criança
Texto de Isabel Moreira • 20/05/2013 - 13:49
Na sexta-feira, dia 17 Maio, num momento que já está gravado na história, a maioria dos Deputados da Assembleia da República (AR) aprovou, na generalidade, o projeto de lei que prevê a possibilidade de co-adoção por parte do cônjuge ou unido de facto do mesmo sexo.
É certo que o projeto é da autoria de vários Deputados do PS, mas o seu conteúdo aponta para uma transversalidade que ficou patente no emocionante resultado da votação.
Assim é, uma vez que não se trata de experimentalismos, mas antes de pôr fim a uma desproteção jurídica injustificada de crianças que já existem, que já são educadas em famílias homoparentais.
Não só a recente decisão do TEDH que condenou a Áustria por não prever este regime, fazendo, na decisão, uma lista de países na mesma situação (entre os quais figura Portugal), mas também os estudos mais conceituados a nível mundial sobre esta matéria, contribuíram para que a AR tivesse em conta, não as dúvidas que alguns ainda possam ter sobre os direitos dos homossexuais, mas o superior interesse da criança.
A realidade tem muita força e esta é a de centenas de famílias já existentes nas quais crianças, com um desenvolvimento perfeitamente normal, têm duas figuras parentais, mas devido a um buraco jurídico, só estão, no plano do Direito, ligadas a um dos seus progenitores.
Enquanto no caso de uma mulher que seja mãe adotiva de uma criança e que case ou viva em união de facto com um homem, este pode, no superior interesse da criança, co-adotar a mesma, no caso em que essa mulher case ou viva em união de facto com uma mulher, aquela possibilidade não existe.
As consequências deste retrato da realidade são devastadoras: basta imaginar que uma criança é educada por duas mulheres, naturalmente, tal como no exemplo referido de um casal de sexo diferente, reconhecendo a criança ambas como progenitoras, e, na ausência da mãe reconhecida legalmente, a outra mãe é inútil para decisões urgentes, como decisões médicas; basta imaginar que se morrer a mãe reconhecida juridicamente, a criança, por exemplo com dez anos, sofre uma dupla orfandade, pois pode ser arrancada dos braços da sua mãe, quem a educou e amou, assim, de um dia para outro, indo nesse abandono traumático outras figuras familiares como os avós ou os tios.
É no intuito de acautelar situações como as descritas, e outras, que existe a co-adoção para casais de sexo diferente. O Direito reconhece que é do superior interesse da criança que uma parentalidade de facto seja acautelada.
Tudo aconselha, tal como reconheceu, em comunicado, o Instituto de Apoio à Criança, logo após a votação, que também o interesse superior da criança seja acautelado, no caso de famílias homoparentais, através da co-adoção.
Independentemente das convicções de cada um, foi claro que no debate da generalidade veio ao de cima esta preocupação que sustenta o projeto de que sou subscritora: o superior interesse da criança.
Por isso mesmo, o resultado da votação foi o de uma transversalidade da questão.
Mesmo quem votou contra, como bem salientou o Deputado Pedro Delgado Alves, não mostrou, na sua intervenção, indiferença, antes pelo contrário, ao problema enunciado a partir, repito, de uma realidade que nos assola as consciências.
O projeto de lei não pede mais para estes casos do que o regime existente para a co-adopção já existente no caso de casais de sexo diferente. Aliás, remete para esse mesmo regime, o que significa que não há co-adoções automáticas, há regras, intervenção da segurança social, sentença judicial e, claro, a garantia de que não existe uma filiação pré-existente.
Chegou o momento da especialidade antes da votação final global. A referida transversalidade do superior interesse da criança impõe-nos o dever, enquanto autores do projeto, de abraçar uma atitude de abertura e de humildade a todas as propostas de todos os Partidos que possam deixar ainda mais claro o que está aqui em causa.
Se a democracia acarreta tantas vezes conflito insanável, que estas crianças à mercê do infortúnio e da insegurança, sejam o motor de um diálogo parlamentar que permita o maior consenso possível.
 



Depoimento do pediatra Mário Cordeiro




Publicado em 01/06/2013

O médico pediatra Mário Cordeiro explica o que está em causa na posição face à coadoção em casais de pessoas do mesmo sexo: responsabilidade e seriedade. A não perder!








"Prós e Contras" de ontem: "um espermatozóide não é um pai"



Fátima Pinheiro
Ler mais: http://expresso.sapo.pt/pros-e-contras-de-ontem-um-espermatozoide-nao-e-um-pai=f810014#ixzz2wJdO1Ynr


 






 

Dois pais ou duas mães: Parlamento pode fazer história amanhã (Parte I)

A adoção por casais homossexuais vai novamente a votação esta sexta-feira no Parlamento. Os deputados do PSD têm liberdade de voto para votar projeto do PS

Por: Redacção / Carmen Fialho | 2013-05-16 14:19












A Lei do PS sobre coadoção, na íntegra

Quando estiver em vigor, projeto socialista passa a permitir que duas pessoas do mesmo sexo a viver em união de facto coadotem um menor.






Clique na imagem para ler o Projeto de Lei n.º 278/XII
http://downloads.expresso.pt/expressoonline/PDF/pjl278-XII.pdf













SANTA SÉ:
Papa Francisco considera que casais gays não devem educar crianças

Terça-feira, 15 Abril 2014 23:21 (22:21Z), PortugalGay.pt (Portugal)


Já referenciado como o Papa que abriu caminho para o diálogo com a comunidade LGBT, parece agora estar a dar um passo atrás nessa abertura.

Diz o Papa Francisco que a Igreja Católica Apostólica Romana deve defender os direitos das crianças que estão para adoção, “as crianças devem ser educadas na complementariedade da masculinidade e da feminilidade de um pai e uma mãe”, isto numa clara oposição à adoção por casais do mesmo sexo.

No mesmo seguimento das declarações, condenou a existência de crianças soldado dizendo que “é preciso enfatizar o direito das crianças crescerem dentro de uma família, com um pai e uma mãe, criando um ambiente adequado para o seu desenvolvimento e maturidade emocional”, e reforçou a ideia continuando “a criança assim amadurecerá num relacionamento complementado pela masculinidade e feminilidade de um pai e uma mãe”.

Nesse discurso para a delegação “Catholic Child Bureau International” o Papa Francisco disse “trabalhar os direitos humanos pressupõe manter a formação antropológica viva, estando preparado sobre a realidade da pessoa humana, saber responder aos problemas e desafios colocados pelas culturas e mentalidades contemporâneas que se espalham pelos masse-média”.

O Bispo de Malta, Charles Scichuna, disse que já havia no passado mês de Dezembro falado com o Papa Francisco sobre a adoção por casais do mesmo sexo e que este se havia mostrado “chocado” com a ideia e que por isso encorajou-o a pregar no sentido contrário a essa ideia durante os sermões de Natal.

O Papa então arcebispo de Buenos Aires, Mário Bergoglio, dizia que as crianças educadas por casais do mesmo sexo estavam a sofrer uma forma de discriminação.

Em 2010 quando a Argentina se preparava para tornar a lei do casamento igual para todos o Papa então ainda arcebispo disse estar em “risco a identidade e a sobrevivência da família” e enfatizou a sua posição acrescentando que “pai, mãe e filhos estão em jogo a vida das crianças serão discriminadas em antecedência, privadas de desenvolvimento humano dado por um pai e uma mãe e querido por Deus, está em jogo a total rejeição da lei de Deus gravada em nossos corações”.

Mesmo depois destas declarações quando Bergolglio foi eleito Papa a comunidade LGBT acreditou na abertura mesmo os católicos mais progressistas acreditam que o Papa Francisco descongelou as relações entre a igreja e a comunidade LGBT com a sua famosa resposta sobre os padres homossexuais “quem sou eu para os julgar?”. Mas parece que a abertura vai só até certo ponto, mesmo quando existem claras evidências científicas a contradizer o ponto de vista do pontífice de Roma.

http://portugalgay.pt/news/150414A/santa_se_papa_francisco_considera_que_casais_gays_nao_devem_educar_criancas







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