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segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Nanette (Biografia, Comédia, 2018)


HUMOR

Hannah Gadsby: stand up ou cilada? O espectáculo que está a mudar o humor

"Nanette" chegou há pouco tempo ao Netflix. Susana Romana já o viu três vezes, recomenda-o a toda a gente e todos dizem que se fartam de chorar. Confusos? Ela também. Mas não consegue parar de ver.

 
Já li mais livros sobre comédia do que aqueles que me consigo lembrar assim de cabeça. Dos mais densos aos mais galhofeiros, do Stendhal ao Jimmy Carr. E se vos parece um tema interessante é porque nunca me viram a dar seca a pessoas em jantares, com explicações eloquentes mas indesejadas sobre o bathos ou o pay off, enquanto a pobre alma que ficou sentada ao meu lado tenta ensurdecer com recurso a muita sangria. Há um eixo comum na esmagadora maioria destes livros, independentemente do século ou do tom: o humor serve para nos apaziguar dores, dar perspetiva, curar as tormentas. Daí o provérbio velho como o tempo: “o riso é o melhor remédio”.
Hannah Gadsby, comediante australiana, discorda. Diz que é a penicilina. E depois remata com uma articulada mas violenta explicação de como o facto de moldar todas as suas experiências em pequenas tiradas cómicas lhe está a arruinar a vida. Fico em suspenso. Isto é o oposto de tudo o que aprendi e de tudo o que ensinei.
“Nanette”, o espectáculo que chegou há pouco tempo ao Netflix e fez de Gadsby uma estrela mundial, é uma pedrada no charco. Esta expressão cliché é usada geralmente com displicência, para categorizar tudo, desde óperas a hamburguerias. Mas “Nanette” muda efectivamente o paradigma do que é um solo de stand up. Mais: será mesmo isto um espectáculo de stand up? Já o vi três vezes e continuo sem saber. Todo este espectáculo é uma cilada, um canto da sereia humorístico que nos prende para depois se transformar num Adamastor visceral e dramático. Mistura piadas com autobiografia, o que está longe de ser novo. Mas fá-lo de um modo que denuncia o humor como algo que deturpa a nossa verdade e pode por isso ser perigoso.  Cilada é mesmo a palavra que melhor descreve a viagem por “Nanette”, a começar logo no título, desmontado nos primeiros instantes: Nanette é o nome de uma mulher que Hannah conheceu e achou que lhe ia render uma hora de piadas; tal não aconteceu de todo, mas o nome já estava precocemente dado.
[o trailer de “Nanette”:]

No início, a comediante faz-nos rir com piadas sobre as suas experiências como lésbica assumida numa pequena cidade da Tasmânia. Apenas para depois nos explicar que limitamo-nos a rir de uma versão abusivamente simplificada de experiências traumáticas. No início fala-nos entre risadas da vez em que um rapaz a confundiu com um homem e achou que Hannah se estava a fazer à namorada dele. Juntamo-nos a ela nas risadas. Muito mais à frente no set, quando já esquecemos esse episódio mascarado de comédia de costumes, elucida: esse rapaz acabou por a espancar e ela ficou tão tolhida pela vergonha de ser quem era que nem foi à polícia. Nós rimo-nos, com ela, da versão tosca e divertida a lápis de cera de um episódio que afinal é uma enorme pintura a óleo de dor e trauma. Se calhar, não era para rir. Culpa dela? Culpa nossa? Nós vamos à traição, porque a única pessoa que Hannah Gadsby quer parar de trair é a ela própria.
Tenho recomendado “Nanette” a toda a gente que consigo. Podem até não adorar (algumas pessoas caracterizam-no como TED Talk, e não de modo elogioso), mas é certo que levarão uma lambada no cérebro e na alma e ficarão a pensar naquilo um algum tempo.  A reacção que mais recebo de quem acede à recomendação é “fartei-me de chorar”. Estranho, num especial de comédia. Já vi pessoas serem mudadas por filmes ou por livros, acho que nunca tinha visto acontecer com stand up. “Ainda estou a pensar naquele fim”. Se o estômago embrulhado vai durar um dia, uma semana ou uma vida? Não é possível saber.
Filmado na ópera de Sidney, o espectáculo dura cerca de uma hora e dez. E é ao minuto 17 que tudo muda. Os conterrâneos de Hannah a rirem-se com as suas aventuras de coming out e ela a largar a bomba:
Acho que tenho de deixar a comédia. Este não é o melhor sítio para fazer este anúncio, pois não? (…) Mas tenho questionado esta coisa da comédia.”
Depois de um ano de reflexão, a mulher que faz aquilo há uma década depois de ter ganho um concurso de televisão quer parar. Não tem plano B, assegura. Mas já não se sente confortável naquele papel. Construiu toda carreira no humor auto depreciativo e já não o quer fazer mais. Explica que para quem se sente a viver à margem, o bota abaixo humorístico “não é humildade, é humilhação”.  Não fará mais isto nem a ela nem a quem se identifica com ela. “Se a minha carreira acabou, seja.” O público bate palmas.
[uma entrevista com Hannah Gadsby:]

A história de vida de Hannah Gadsby era terreno demasiado fértil para desperdiçar sem uma colheita artística. Natural de Smithton, uma pequena cidade no noroeste da ilha da Tasmânia, diz que teve de sair quando descobriu que era “um pouco lésbica”, algures em meados dos anos 90. Aos gays era ordenado, segundo a própria,  que “metam a SIDA numa mala e vão para o Mardi Gras!”. Até 1997, a homossexualidade era ilegal na Tasmânia. Na parte já séria de “Nanette”, Gadsby garante que quando descobriu que era lésbica, ela própria já era homofóbica. Precisou de dez anos depois de se assumir para tentar encontrar o seu lugar no mundo. Garante que o truque é parar de tentar encaixar.
A australiana é mestre não só de texto, mas especialmente da arte de bem saber manipular os sentimentos de quem a vê em palco. “Eu faço-vos tensos, esta é uma relação abusiva”. A tensão é, academicamente, a rampa de lançamento de qualquer piada. Qualquer um dos livros que li garante que o riso é causado para relaxar perante a tensão do ilógico ou inesperado. É natureza humana. Mas Hannah Gadsby não se deixa convencer por esta fórmula: “eu não tinha de inventar a tensão. Eu sou a tensão”.
Regressando à ideia de desistir, a tasmaniana confessa que o modo como conta em palco, com piadas, o momento em que se assumiu perante a mãe é um dos principais factores para a decisão. Nos seus espectáculos, congelou linhas gerais dessa experiência no seu ponto mais traumático, confundindo assim esse congelamento com o que aconteceu mesmo. Porque uma piada precisa de trauma para funcionar, para ter a tal tensão. Mas na vida fora do palco (real ou metafórico), não funciona assim, com esta sede de choque e imediatismo. “Aprendemos com a parte da história em que nos concentramos. Preciso de contar a minha história como deve ser”. Gritos. Suspiros. “Nanette” termina sem a clássica piada final antes da saída em grande de palco. Hannah Gadsby parte para cuidar da sua história. E nós ficamos do lado de cá dessa porta que se fecha.
Susana Romana (guionista e professora de escrita criativa)
 

Decore este nome: Nanette, o mais recente fenómeno Netflix

Deem o microfone certo a uma “mulher errada”. Mas preparem-se. Sobretudo se o fizerem a meio do turbilhão #MeToo. Uma “mulher errada”, como a própria se define, tem material que chegue para fazer piadas sobre ela própria. Felizmente, Hannah Gadsby sabe que os tempos não estão para auto-depreciação, ou pelo menos nem sempre – não é com as vítimas que devemos gozar, é com os agressores. E não são as mulheres que são erradas, talvez seja a comédia que o está.
A mais jovem de cinco irmãos, que sofre de perturbação de hiperatividade/défice de atenção, nasceu há 40 anos em Smithton, pequena localidade na conservadora Tasmânia, Austrália. Lésbica assumida, confortável num smoking, inteligente nas tiradas, é a mulher à frente de Nanette, o mais recente fenómeno de popularidade na Netflix, ou “Nanetteflix”, como a comediante justamente batizou.

“Aconteceu por acaso, como tudo na minha. Eu sou obra do acaso”, confessou a australiana quando em junho passou pelo talk show Late Night with Seth Meyers. Hannah andava a plantar árvores quando lesionou um pulso. Passou a recuperação a entreter os amigos, até que um deles decidiu que Hannah merecia uma “audiência mais vasta”. Gadsby acabou inscrita num concurso de comédia e o resto da história passa por uma década a participar em festivais e espetáculos de stand up. Até que uma audiência internacional se começou a render a este registo incubado nos antípodas.
Hannah passou de uma discreta humorista com participação na sitcom australiana Please Like Me para as bocas do mundo. E Nanette, que se estreou no Netflix a 19 de junho, depois de levar a melhor no irlandês Fringe Festival, de um périplo pela Austrália, e de uma digressão pelos EUA, tem tudo para continuar a alimentar o fenómeno, sempre a questionar os parâmetros do stand up.
Hoje, são uma e uma só, alinhadas na mensagem. É através de Nanette que a comediante passa em revista a atualidade e uma série de cabeças debaixo de fogo, para tensão e incómodo das plateias. De cano apontado à cultura que admite e perdoa o abuso, ataca nomes como Louis C.K:, Harvey Weinstein e Bill Clinton, numa “engenhosa acusação ao sexismo e sentimentalismo das nossas narrativas sobre os génios”, como sublinhou no The New York Times o crítico e colunista de comédia Jason Zinoman.
No limite, Nanette (o nome foi inspirado numa mulher comum com quem Hannah se cruzou) põe em sentido a própria comédia e os seus padrões e conteúdos vigentes. Não por acaso, a revista Slate cunhou o seu desempenho como “stand up tragedy”, enquanto a Vulture antevê que depois de Nanette este conceito de espetáculo nunca mais será como dantes. E para tal, em muito contribui o histórico da protagonista.
“Não tenho uma família ou um passado como a maior parte das pessoas. Portanto a relação entre o lado pessoal e político deu mesmo forma ao que Nanette é. Donald Trump foi eleito e a minha avó morreu – essas duas coisas foram um gatilho”, recordou Hannah em entrevista à revista Rolling Stone, resumindo o seu método de forma contundente – o propósito “não é elevar o riso, mas sim tirar o tapete” – e louvando a universidade e espírito democrático da comédia (“Podes vir de um contexto sócio-económico baixo como eu”.
À Rolling Stone, Gadsby resume o seu método de forma contundente – o propósito “não é elevar o riso, mas sim tirar o tapete” à plateia
É a brincar que se abordam temas bem sérios como a misoginia, a homofobia, ou até a violação corretiva de lésbicas como prática menos rara do que se pensa. Para não falar das sábias incursões no mundo da arte e na alusão a referências como Woody Allen, Roman Polanski ou Bill Cosby, referências entretanto maculadas pelo escândalo. Acredite, errado é não assistir ao programa.
 

Como a 'fúria' impulsiona a revolução da comediante Hannah Gadsby no stand-up

Em seu especial da Netflix, 'Nanette', a humorista australiana está furiosa com o setor em que trabalha: 'Se sua única responsabilidade é arrancar risadas das pessoas, se mande da televisão'.

By Katla McGlynn

A australiana Hannah Gadsby, diante de um café de Nova York alguns dias antes da estreia de seu especial...

Horas antes de meu encontro com a humorista Hannah Gadsby em um café de Manhattan chegou a notícia de que a jovem comediante australiana Eurydice Dixon tinha sido estuprada e assassinada quando voltava para casa sozinha a pé em Melbourne, depois de fazer uma apresentação em um bar.
Gadsby admitiu que estava abalada. "Eu não conhecia Eurydice, mas 12 anos atrás estava me lançando no mundo, como ela estava", escreveu no Twitter mais tarde. "Envio minhas condolências mais profundas à família dela."
Gadsby está acostumada a falar de temas dificeis e dolorosos. Seu especial mais recente de stand-up, Nanette, que estreou no Netflix no início de junho, trata de temas como o movimento #MeToo e a homofobia que ela enfrenta, como lésbica. Ao longo do dinâmico show de uma hora de duração ela se alterna entre piadas sobre a bandeira do orgulho gay e críticas declaradas a abusadores sexuais como Bill Cosby, Harvey Weinstein e até mesmo Pablo Picasso.
É engraçado, sem dúvida alguma, com alguns trechos irônicos que você pode se descobrir repetindo dias mais tarde. Mas há uma virada que obriga a plateia a ter uma nova percepção do que uma comediante é capaz de fazer sobre o palco.
A tensão oculta vem à tona na metade do especial, quando Gadsby revela que um cenário da vida real que ela havia apresentado anteriormente não teve o final feliz que ela relatou. Em vez de contar como ela supostamente ironizou a ignorância de um sujeito que, confundindo a humorista com um homem, quis bater nela por ter falado com a namorada dele, Gadsby admite que o homem na realidade a agrediu fisicamente.
Revelando a realidade de seus próprios materiais autoirônicos sobre sexualidade, gênero e violência, ela desconstrói seu próprio stand-up e ao mesmo tempo cobra ações concretas de seus pares humoristas. Em vários momentos, deixa a plateia calada, em suspense.
Gadsby está inegavelmente irada em Nanette, mas seu tom condiz com os tempos atuais.
"Eu não teria podido fazer esse trabalho sem meus dez anos de experiência anterior com comédia. Portanto, o show é o ponto culminante de minhas habilidades, meu talento e experiência – e minha fúria", disse Gadsby. "E não ficou mais fácil fazer com o passar do tempo. Como é reviver traumas? Não recomendo isso a ninguém."
Sentada num banco do lado de fora do La Colombo, no SoHo, vestida de azul marinho casual dos pés à cabeça, com óculos de sol azuis com fones pendurados no pescoço, Gadsby tomava um café gelado... Na noite anterior ela participou do Late Night With Seth Meyers. Ela acha que o show foi bom, mas não tem certeza.
"Não gosto muito de me assistir", ela admitiu. "Mas estive lá."
Nascida na Tasmânia, a humorista fez sucesso com seus shows premiados de stand-up, participações em festivais na Austrália e Europa e na série de TV australiana "Please Like Me". Agora Gadsby está começando a chegar a um público americano maior com seu especial no Netflix. Ela escolheu a cena inicial, em que ela prepara uma xícara de chá em casa, com seus dois cachorros, para fazer um contraste com sua imagem de comediante já muito conhecida.
Mas Nanette – pelo qual o New York Times descreveu Gadsby como "uma nova e importante voz no humor" – é mais do que apenas humor stand-up.
"Antes o programa inteiro era isso, não havia piadas", disse Gadsby sobre a última metade de Nanette, admitindo que encarar a apresentação inteira como uma "crítica severa nada divertida" se mostrou inviável. "Nas primeiras apresentações, eu simplesmente estava furiosa sobre o palco, deixando a plateia completamente em estado de choque. Depois disso, fui construindo as piadas em torno disso, para fazer os espectadores entenderem por que eu estava furiosa e se sentirem em segurança."
Nanette representa uma mudança grande para Gadsby, depois de uma década fazendo humor stand-up em que ela ironizava a si mesma para arrancar gargalhadas da plateia. As piadas sobre seu corpo e sua saída do armário não chegavam a captar toda sua vivência – a de ter crescido na Tasmânia, onde a própria homossexualidade era ilegal até 1997 e onde ela própria tinha vergonha de quem era e fazia críticas aos gays.
Um ano antes de montar Nanette, ela começou a refletir sobre como estava usando a plataforma pública que possui, como humorista. No ano passado, em meio à discussão sobre o casamento homossexual na Austrália, ela viu cristãos normalmente bem-intencionados se descreverem como vítimas depois de terem sido tachados de homófobos por terem se oposto à legalização do casamento gay. Gadsby começou a perceber que seu stand-up poderia virar uma plataforma poderosa para discussões sobre intolerância, sobre vítimas e acusadores, em diversos cenários.
"Percebi uma coisa: eu tinha deixado de ser vítima, porque já tinha bastante influência", ela contou. "Mas achei que eu estava sendo irresponsável, porque não estava usando minha influência corretamente – estava contrariando meus próprios interesses. Eu estava lutando para conciliar a dinâmica de poder: tinha a liberdade de expressão que é amplificada no palco do humor, tinha um público grande na Austrália, e pensei: 'o que é que estou dizendo?""
Em Nanette, Gadsby chama a atenção de outros humoristas por terem convertido Monica Lewinsky em alvo fácil de piadas nos anos 1990, mais que Bill Clinton, e sugere que a situação talvez estivesse diferente hoje se eles tivessem voltado sua atenção mais ao então presidente.
"Se os humoristas tivessem feito seu trabalho corretamente e zombado de um homem que abusou seu poder, quem sabe tivéssemos na Casa Branca hoje uma mulher de meia-idade com a experiência necessária para exercer o cargo, em vez de termos um homem que admitiu abertamente ter agredido sexualmente mulheres jovens e vulneráveis, simplesmente porque podia", ela fala no especial.
"Não podemos desfazer o que já foi feito, mas, basicamente, lanço um chamado à ação aos humoristas de hoje, para que sejam construtivos", Gadsby me disse. "Há humoristas mais preocupados com sua liberdade de expressão do que com o que diabos estão falando ao mundo."
E há também humoristas que estão fazendo tudo certo. Gadsby elogiou o especial da HBO de Tig Notaro, Bottom of Form
"Boyish Girl Interrupted", que também inclui um momento inesperado e chocante no meio, quando Notaro revela que passou por mastectomia dupla e faz o restante de seu show de topless.
Gadsby elogiou Sarah Silverman, admitindo que teve dificuldade em aceitar "alguns de seus primeiros materiais porque sou meio pudica".
"Sarah está fazendo algo incrivelmente construtivo no momento, tenho que tirar o chapéu para ela. Também curto Maria Bamford, e Margaret Cho eu sempre gostei muito porque ela denuncia mentiras", disse Gadsby. "Um dos shows que influenciou Nanette foi o da artista performática Adrienne Truscott. Ela fez um show em Edimburgo chamado 'Asking for It' em que tirou as calças sobre o palco e adaptou piadinhas sobre estupro."
Cameron Esposito segue uma linha semelhante em seu especial recente, intitulado abertamente "Rape Jokes" (Piadas sobre Estupro), que ela lançou gratuitamente em seu site na internet.
Em meio à ascensão da chamada "cultura da correção política", os humoristas discutem se têm alguma responsabilidade perante suas plateias, além de serem engraçados. Para Gadsby, nossa realidade atual significa que sim.
"Se sua única responsabilidade é arrancar risadas das pessoas, se mande da televisão", ela disse. "Se você vai difundir suas ideias tóxicas apenas porque isso é seu direito, saiba que muita gente é engraçada. Se mande. Esses mesmos homens choram quando as pessoas dizem que eles são uns merdas. E então escrevem todo um novo especial no Netflix sobre alguma crítica que receberam de pessoas no Twitter. Na realidade, são vocês, caras, que precisam criar coragem. Eu já tive gente na primeira fileira soltando ameaças de estupro. Esses caras não sabem o que é resiliência de verdade."
Que fique registrado que o ritual que Gadsby segue após seus shows para se acalmar envolve ouvir música ambiente, especificamente Red Gold Yesterday , de Luchs, ou gravações de cantos de pássaros.
Dito isto, a humorista acredita (e explica em Nanette) que, assim como o riso, a raiva possui o poder de unir as pessoas. Ela enxerga Nanette como a maneira mais construtiva de conter a fúria que sente e sugere a outros que façam a mesma coisa. Várias falas da segunda metade do show dela, especialmente quando são gritadas, soam como slogans que poderíamos ver estampados em camisetas feministas.
"Sua resiliência é sua humanidade."
"Não há nada mais forte que uma mulher ferida que se reconstruiu."
Sentada diante do café, Gadsby disse, brincando, que desde que está vivendo temporariamente em Nova York, criou um novo slogan: "A certeza é uma perversão".
Em vários momentos do especial, Gadsby fala que está abandonando o humor. Mas isso não é inteiramente verdade, se bem que ela diga que poderia aposentar-se sem arrependimentos depois de Nanette. Ela está escrevendo um livro e acha que esse será seu próximo grande trabalho. Mas vai continuar a tentar aperfeiçoar seu show, independentemente de como ele venha a ser classificado.
"Não vou desistir do palco, mas não vou seguir as regras do jogo", falou Gadsby, tomando os últimos goles de seu café. "Não vou me preocupar em saber em que estado deixei a plateia. Seja o que for que eu venha a fazer, sempre vou contar histórias com muito humor no meio, mas se a única razão de eu abrir a boca for arrancar gargalhadas das pessoas, isso não será o bastante para mim. Já há gente demais elevando a voz no mundo. Meu irmão me ofereceu trabalho na quitanda dele. Vou fazer isso. Vou sair deste mundinho assim que eu começar a me preocupar mais com minha carreira do quem com a mensagem que estou tentando passar. Vim do nada e vou voltar para lá."
03/07/2018 19:20 -03 | Atualizado 04/07/2018 12:29 -03

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

filmes de temática gay em 2017

Mariposas Verdes


Filme colombiano inspirado na história de Sergio Urrego.



El diario digital de Sergio Urrego

"Quiero morir sabiendo, aunque todo se pierda", una de las frases del joven fallecido.


09 de septiembre 2014 , 09:35 p.m.
Sergio Urrego murió el pasado 4 de agosto en el noroccidente de Bogotá. Se suicidó, a sus 16 años, luego de enfrentar problemas de presunta discriminación por su condición homosexual en el Gimnasio Castillo, donde cursaba grado 11. Esa, por lo menos, es la versión oficial sobre la muerte que ha causado indignación en el país.
Sin embargo, los textos que dejó Sergio en las redes sociales dan cuenta de su profundidad intelectual. No era homosexual, como se ha dicho. Él mismo afirmaba que no le ponía etiquetas al amor y que le atraían los dos sexos. “Estoy un poco cansado de responder esa pregunta (si soy bisexual). No creo que el amor tenga etiquetas, realmente. Pero, si de alguna forma, algunos/as sienten la necesidad de etiquetarme, preferiría que se me incluyese dentro de la teoría ‘queer’ (minorías sexuales que no son heterosexuales, heteronormadas o de género binario)”. (Lea también: Maestra escribe carta póstuma al joven que se suicidó)
Esa es la característica principal de sus respuestas, una especie de contestación a las normas de la sociedad convencional. Todo quedó para la posteridad en la red social ASK, donde usaba el nombre de usuario de Mefistófeles, tal como él mismo explicó a un usuario, uno de los demonios que está al servicio de Satanás y se encarga de recolectar almas para llevarlas al infierno en ‘Fausto’, la obra trágica de Johann Wolfgang von Goethe.
“Es un personaje increíble, bastante intelectual, interesante y, al fin y al cabo, un demonio, con cualidades impresionantes”, escribió.
Su perfecta ortografía lo delataba. Era un lector empedernido, obsesionado. La literatura era su pasión, tanto como la ideología que decidió para su vida: el comunismo libertario. En su perfil respondía con criterio a cualquier debate político. En realidad, volvió este espacio un diario digital que sostuvo por más de dos años. Con todo tipo de temas.
Se decía ateo, admirador de Édgar Allan Poe y de diversos gustos musicales, entre ellos la ópera; estaba orgulloso de su gato Oreo, que adoptó. Expresó que pensaba estudiar Ingeniería Ambiental en la Universidad Distrital de Bogotá, “por ser una de las mejores universidades públicas en ingenierías”. Defendía esa carrera de forma simple: “Si pretendemos crear un mundo nuevo, este tendrá que ser ecológicamente sostenible”. (Lea también: Amiga habla del sufrimiento de Sergio Urrego, el joven que se suicidó)
A pesar de que el próximo 25 de noviembre cumpliría 17 años, Sergio no titubeaba en hablar de religión, de música, de cine, de dios, de religión, de sexo, de amor. De la vida misma. De lo que quería hacer antes de morir: “Aprender a ser libre; concienciar a la gente; crear una revolución; educar e instruir; ver bastantes películas; leer la mayor cantidad de libros posible; conocer música por montón; culturizarme y culturizar a los demás; asesinar o amar a alguien; suicidio fundamentado”.
La muerte, inevitablemente, era un contenido permanente en sus mensajes. “Si tuvieses superpoderes, ¿cuál sería y como lo usarías?”, le preguntan. Él responde: “Elegiría la inmortalidad, para experimentar cuantas veces quiera el suicidio”.
Defendía esa forma de morir. La consideraba “uno de los actos más valientes que puede llegar a cometer el ser humano y la única salida que existe de un infierno terrenal”. Y exponía: “Aquel que toma la decisión de quitarse la vida voluntariamente, ha dejado de lado las moralidades obscenas que nos han impuesto a través de los años, se ha liberado de ataduras con las que nos mantienen en una larga vida sin objetivo y con valor ha enfrentado la muerte. Independientemente del motivo por el cual una persona se suicide o se quiera suicidar, la decisión es plenamente personal y no se debe ver a través del cristal moral o cristiano, simplemente, hay que aceptar la osadía de esta emancipadora acción”. (Lea también: Cómo puede un padre proteger a su hijo si sufre de matoneo por ser gay).
El caso de Sergio abrió en el país un debate sobre la discriminación a los estudiantes por su orientación sexual. Sus palabras en ASK marcarían su destino. Cuando le preguntaron por qué sabía tanto, él se limitó a contestar: “No sé nada y ese es el problema, lo que he aprendido se perderá y lo que ignoro parece no querer adentrarse en una mente como la mía”.



Foto de Sergio David Urrego.
https://www.facebook.com/sergiodavidurrego1

El libro inspirado en el caso de Sergio Urrego

'Mariposas Verdes' de Enrique Patiño evoca la vida del joven de 16 años que se suicidó por la discriminación que vivía por ser homosexual. Semana.com presenta un capítulo.


¿En qué momento uno se vuelve uno? ¿Cuándo el ser humano pasa a convertirse en lo que terminará siendo? ¿Es una acumulación de momentos? ¿Son algunos hechos los que hacen virar el rumbo de tu propia vida, como los puntos de giro de las películas o las esquinas que uno dobla cuando camina por el barrio? ¿Acaso somos una suma de piezas que intentamos volver a unir, como los pedazos de un espejo roto? ¿Qué era yo? ¿Qué soy yo? ¿Quién soy yo? ¿Una suma de momentos? ¿La destrucción de mis propias expectativas y las de quienes me han conocido hasta terminar convertido en la reducción de un ser humano? ¿Qué parte soy del rompecabezas? ¿Una más del todo? ¿Acaso soy una pieza suelta que no encaja?
Tal vez sea parte del rompecabezas, pero como pieza individual no me siento partícipe de la obra. ¿O será que es el rompecabezas el que decidió excluir a las piezas que no le gustaban? ¿Es la sociedad la que aparta a quienes se alejan del molde? Aún no lo sé. Tal vez pienso demasiado.
De lo que sí estoy seguro es de que la ruptura de mis padres fue el eslabón inicial en la cadena de hechos que me llevaron a convertirme en otra persona. Soy también una consecuencia de ver partir a mi padre, de romper en llanto al entender cómo mi madre le había dejado las maletas listas para que no hubiera más escándalos ni tuviera oportunidad de arrepentirse, de la asepsia de su adiós y de cómo él no pudo más que despedirse sin que yo pudiera retenerlo.
Soy el resultado del nuevo apartamento al que nos mudamos, más ordenado y pulcro, más elegante y limpio, que poco a poco organicé y en el que pude ubicar la constelación de Centauro sobre mi cabeza, con estrellas fluorescentes que brillaban en las noches y sobre el que luego fui armando otras constelaciones, como la de mi signo, Sagitario. Soy ese muchacho que finalmente logró armar y exhibir un nuevo rompecabezas de 5.000 piezas, esta vez de la torre Eiffel, porque el otro quedó incompleto en el punto exacto de la separación de mis padres.
Soy parte del amor de ambos, porque mamá y papá me amaron, y mucho, pero estaban inmersos en ese apresuramiento de la vida adulta que los obligó a anteponer la seguridad y el bienestar por encima de la libertad. Y formo parte también del amor consumado de mi abuela, ese ser que fue mi compañía cuando me sentía solo y desamparado. De igual manera, soy el resultado de los libros que pude ir acumulando, como un tesoro, en mi propia biblioteca, nutrida de ejemplares y clasificada por géneros, desde La vuelta al mundo en ochenta días de Julio Verne y El lazarillo de Tormes, hasta La madre de Máximo Gorki, pasando por las obras de Nietzche. De esos libros que fueron dándome la libertad de pensar por cuenta  propia y entender que del conocimiento es que se alimenta todo ser que quiere salir de su crisálida.
Y sí, he pensado mucho todos estos años. Mi cabeza hierve y jamás permanece en calma. Por eso mismo siento que mi vida no ha sido en vano hasta hoy. No nací para ser como una roca que se lanza al río o un madero arrastrado por las aguas para que suceda con él lo que la corriente y los demás quieran. No nací para dejarme llevar por otros, para que me impongan la música que dictan las emisoras, los artistas que quiera la industria, las películas que dicte el mercadeo. Nací para decidir.
Alguna vez mi mamá quiso prohibirme algunos libros que mi padre me suministraba, pero ya entonces había mucho en mi alma de lo que soy hoy: esta rebeldía y la conciencia de que la vida no era lo que me imponían los demás. No permití entonces que me los quitara. Ya perder la presencia de un padre era demasiado y se lo dejé saber con mi mirada. Ella me observó entonces como si hubiera sido derrotada. La entendía, su amor era infinito, y dentro de ese amor, quería protegerme. Pero yo quería devorarme el mundo, y parte de eso conllevaba la necesidad de dejar sentada mi propia voz.
Solo que no sería fácil.
Casi siempre que quieres elevar la voz van a intentar aplastarte.

La primera vez que fui consciente de ello fue cuando pasé de primaria a bachillerato en el colegio Campestre. La emoción de sentirme entre los más grandes se encontró con la dureza de entender que no sería igual de bien aceptado que antes. Poco a poco gané amigos, o así los llamaba con inocencia, hasta que un día decidimos jugar el clásico juego de “policías y ladrones” en una fiesta a la que me invitaron y a la que mi mamá y mi abuela me llevaron. Yo no creo que te acuerdes de ello, porque nunca hiciste referencia a lo que pasó ese día.
Mi mamá y mi abuela se quedaron hablando en el parque mientras jugábamos. Pronto se olvidaron de nosotros, los niños, que corríamos con ese vigor de los primeros años. Me ubicaron entre los ladrones, lo cual me resultó perfecto pues era hábil, sabía evadir a los rivales, tenía alientos para sostener la velocidad y el ritmo porque llevaba varios años asistiendo a clases de natación, pero inevitablemente a todos nos atrapaban, y en el espacio del parque en el que estábamos no hubo escapatoria en un momento dado. Además, me parecía interesante ser un ladrón. Como bien lo sabes, súcubos, vampiros, malvados, malhechores y villanos siempre me han atraído. Mi lado oscuro se divierte con esos referentes.
Por supuesto, fui capturado. Me rendí entre risas, como un buen ladrón, dispuesto a continuar con el juego tras una pausa. Pero los demás se veían enojados por haberme perseguido tantos minutos sin alcanzarme, o enojados con la vida, o quizás envenenados por algún gen de la violencia exacerbado por la edad. Todos esos niños que me perseguían me revelaron una sed de venganza que no había visto hasta entonces en rostro alguno. Había verdadera furia, y alguien dijo que a los ladrones había que lincharlos.
Pensé, todavía por un instante más que era parte del juego, hasta que me arrojaron al piso y comenzaron a golpearme. Sentí la suela de los zapatos en mi costado y sus puños por todo el cuerpo. Subí las manos a la cara para protegerme, pero alguien más lo evitó. Luché por defenderme como podía, entre lo ensimismado que estaba por no entender qué estaba pasando.
–Ladrón, ladrón, péguenle –me gritaban entre todos.
De pronto, un niño intervino. Apenas lo reconocía.
 –No le peguen más, estábamos jugando –gritó. Los haló hacia atrás. Ningún adulto estaba cerca para impedir lo que parecía ser una masacre en mi contra.
Entonces la emprendieron contra el niño que los había detenido. ¿Lo recuerdas?
Eras tú.
–Oiga, Daniel, ¿está a favor de los ladrones o qué? Este también es un ladrón. Hay que castigarlo.
 –¡Es un juego! - dijiste.
–No le peguen más –gritó y te imitó un niño delgado a tus espaldas, una voz estridente que no supe identificar. Fue repitiendo las mismas palabras pero amanerándolas cada vez más hasta exagerarlas y hacerte ver así como homosexual, por tratar de impedir la violencia en mi contra.
El chiste se reprodujo en las voces de otros, que imitaron al imitador.
–No le peguen más– dijeron, exagerando los acentos. La burla fue un castigo peor para los dos. Al final, nos dijeron “locas” con desprecio, y se fueron, dejándonos en el piso sin que nadie atestiguara nuestra indefensión. Intentaste revisar mi nariz, que sangraba. No tenías idea alguna de qué hacer. Me ofendió que quisieras mirarme. Yo no quería quedarme en el suelo ni dar la sensación de que estaba impedido para defenderme por mi cuenta.
Además, nunca me había sucedido algo así. Mis peleas habían sido de empujones a lo sumo, pero esta vez ni siquiera había habido una pelea, sino una agresión. Decidí recuperar mi pundonor y levantarme para ir donde mi mamá y mi abuela. Sentía el impulso de llorar a su lado, por supuesto. Tú, intempestivamente, te quitaste el saco para dármelo e impedir que me sangrara más la nariz. Me observaste con detenimiento. No quería que me miraras. En ese momento quería ser invisible. Quería a mi madre.
Cuando llegué a su lado, hizo un escándalo de proporciones épicas. Estaba tan preocupada por la sangre que corría por mi nariz que se centró únicamente en conocer mi estado de salud y en cómo lavaría y devolvería el saco que me prestaste, dejando de lado el encontrar a los responsables del ataque en mi contra. Avergonzada, huyó conmigo y con mi abuela de la fi esta sin decir nada para no alertar a los anfitriones. Lucas, por cierto, era el festejado. Cuando lo vi a lo lejos, mientras salíamos apresurados, recordé que era él, justamente, quien me había roto la nariz.
Esas cosas no se olvidan. No se olvidan nunca, Daniel.
*Este texto fue tomado del libro "Mariposas Verdes" del autor Enrique Patiño. Capítulo 4: Una parte que no encaja 

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Beach Rats

Um adolescente sem objetivo do Brooklyn luta para escapar de sua vida familiar sombria e levantar questões de auto-identidade, enquanto ele equilibra seu tempo entre seus amigos delinquentes, uma possível namorada e os homens mais velhos ele conhece online. (http://www.adorocinema.com)




Movie title: Beach Rats
Date published: 2017-09-17
Director(s): Eliza Hittman
Actor(s): Harris Dickinson, Madeline Weinstein, Kate Hodge, Neal Huff, Harrison Sheehan, Frank Hakaj, David Ivanov, Anton Selyaninov, Douglas Everett Davis
Genre: Drama, 2017, 95 min





Nenhum dos jovens homens de “Beach Rats” faz algo pela vida. Melhor dizendo, nenhum deles faz nada na vida ou com a sua vida, e não nos referimos somente a questões de emprego. Eles são todos iguais. Brancos, musculados, suados, com cabelos curtos e vestidos da mesma maneira com calções largos, boxers simples e t-shirts de mangas cavas. Todos eles deambulam por Brooklyn como fantasmas, circunscritos a uma área limitada, apesar do seu dia-a-dia poder trespassar uma superficial ideia de liberdade juvenil. Em breves e regulares interlúdios, drogam-se, bebem, fumam num “vaping parlor” e banham-se placidamente ao sol na praia local. A presença feminina, tão rigidamente definida como a masculina, vai aparecendo ocasionalmente como forma de gratificação sexual que, nas cenas que o filme nos mostra, nunca parece muito gratificante.
Frankie é um desses rapazes, se bem que algumas idiossincrasias pessoais o diferenciam. Para começar, a sua vida familiar é relativamente conturbada, estando a sala de estar da sua casa ocupada pela cama de um pai moribundo, em constante dor devido ao cancro. A sua irmã mais nova está a entrar no mundo do sexo e a transmutar-se em mais uma das raparigas de calções curtos e piercings no umbigo que vagueiam todas as noites por Coney Island. A sua mãe é uma tempestade de dor enlutada contida num corpo humano, sempre com um olhar ora curioso ou reprovador para examinar o seu filho. Para além de tudo isso, Frankie sente-se atraído sexualmente por homens e isso é uma clara violação do ideal masculino que domina o seu mundo e define o modo como ele o encara.
Histórias de jovens presos dentro do armário por situações sociais opressivas e retratos de masculinidade tóxica são comuns, especialmente no panorama do cinema queer. Com isso dito, poucos são os filmes que tão claramente definem o próprio conceito de “armário” como uma manifestação dessa mesma toxicidade, pelo menos no que diz respeito a homens gay. Imagens culturais sublimadas e interiorizadas pelo indivíduo tornam-se numa arma de auto opressão em “Beach Rats”.
A certa altura, Frankie diz, a um dos homens que conheceu graças a um site de encontros gay, que ele não sabe o que é que gosta. Isto é uma clara mentira. Ao longo do filme é óbvio, não só que Frankie não se sente sexualmente atraído por mulheres, mas até o seu “tipo” de homem preferido. No entanto, a afirmação soa a verdade, pois Frankie acredita piamente nisso. Quando ele se vê ao espelho, vê um espécime de masculinidade igual a tantos outros, incluindo os seus amigos, e isso é uma ideia incompatível com os seus desejos.
“Beach Rats” abre com um momento de sublime engenho visual. Frankie tira fotografias ao seu corpo no espelho do quarto. Cada flash da câmara do telemóvel rompe com a escuridão do ecrã negro, revelando-nos fragmentos possivelmente sensuais, mas quase tornados em arte abstrata pela sua apresentação. Há uma imensa desconexão entre as imagens e a pessoa que as tira e que também serve de modelo, como se Frankie estivesse a mirar um corpo que não o seu. Ele vê o seu corpo, ele sente os seus desejos, ele age consoante as suas necessidades epicúrias, mas não consegue aceitar a conflagração dessas ideias. Ele vê o seu reflexo, a sua imagem virtual, mas nunca se vê a si mesmo.
Cada flash é semelhante à explosão do fogo de artifício que tanto se repete pelo filme como um leitmotiv simbólico, breve, efémero e momentaneamente jubilante. As cenas de sexo com homens têm um efeito semelhante na estrutura de “Beach Rats”, oferecendo variações rítmicas e mecânicas a uma obra cuja abordagem formal está sempre a salientar o desconforto do protagonista. Nessas cenas, por muito reticente que Frankie possa parecer, há algo que se liberta na sua postura, algo que se abre no seu olhar vítreo e que se suaviza na sua face sardenta em constante tensão. Todos, enquanto seres humanos, queremos ser felizes, independentemente das formas desta, e, nesses breves instantes, Frankie parece saborear a possibilidade de felicidade. Mas não dura muito.






















Verdade seja dita, Frankie tenta partilhar a sua identidade com os amigos e com a sua namorada. Fá-lo indireta e evasivamente, mas é óbvio quais são as suas intensões quando revela, aos três companheiros do costume, que costuma frequentar sites de encontros gay. Ele usa o subterfúgio de estar em busca de drogas, e tal mentira tem as suas desastrosas e muito previsíveis consequências, mas Frankie está a tentar testar a força das paredes do seu armário. Com cada resposta intolerante, com cada riso cruel, reação incrédula e olhar desconfiado, aquela possibilidade de ser abertamente feliz, vai-se extinguindo e o fumo da sua morte sufoca o filme e asfixia as suas personagens. Não é por acaso que “Beach Rats” termina com a imagem do céu noturno, negro, silencioso e sujo com farrapos de fumo depois do fogo-de-artificio terminar.
A proposta formal e narrativa de “Beach Rats” está longe de ser particularmente original, mas os esforços da realizadora Eliza Hittman e da sua equipa garantem que a execução da sua premissa seja feita com absoluto primor cinematográfico. A diretora de fotografia Hélène Louvart e o compositor Nicholas Leone são particularmente louváveis, criando uma atmosfera audiovisual de deliberada repetição, de efémera materialidade granular e de frágil claustrofobia.
Merecedor de ainda a maior destaque é o ator inglês Harris Dickinson, cuja presença em frente à câmara é eletrizante. Frankie não é uma personagem particularmente verbosa ou minimamente articulada, mas Dickinson diz-nos tudo o que precisamos de saber com a sua postura, com o medo que rasga tantas vezes o seu olhar, com o ritmo do seu andar.  Mesmo quando o protagonista está num estupor drogado, depois de mais um ato de auto anestesia disfarçada de hedonismo juvenil, há uma claridade fogosa no trabalho de Dickinson, que, se este filme é um bom indicador, poderá vir a afirmar-se como um dos grandes atores da sua geração em anos vindouros.


Dream Boat




Uma vez por ano o Dream Boat parte em uma viagem marítima pela costa do Mediterrâneo. é o único cruzeiro para homens homossexuais na Europa. Mais de 2500 passageiros aguardam sua partida. Entre eles estão cinco homens de cinco países diferentes que escapam das suas vidas cotidianas, longe de restrições familiares e políticas. Eles parecem ter encontrado o paraíso, até que suas histórias pessoais vêm à tona e o processo de auto-aceitação começa. (http://www.adorocinema.com)

Tom of Finland





A história de um dos maiores artistas homossexuais do século XX, Touko Laaksonen (Pekka Strang), mais conhecido como Tom of Finland. Ele não conseguia viver em paz dentro de sua casa, tendo que esconder seus segredos pessoais, mesmo depois do trauma de ter ido para a Segunda Guerra Mundial. Touko decide então se expressar na arte. (http://www.adorocinema.com)

Loev


Negociador em Wall Street, Jai (Shiv Pandit) está com uma viagem de 48 horas marcada para Mumbai. Afim de colocar animação na sua viagem de negócios, ele convida seu amigo e produtor musical Sahil (Dhruv  Ganesh), que larga até o imprudente namorado, Alex (Siddharth Mennon), para acompanha-lo. Nas paisagens da Índia, o refúgio dos dois, eles percebem que há mais do um fuso-horário separando os dois quando a atração torna-se incontestável. (http://www.adorocinema.com)









Loev é um filme indiano do diretor Sudhanshu Saria, e conta a história de dois amigos, o empresário de Wall Street Jai (Shiv Pandit) e o produtor musical de Mumbai Sahil (Dhruv Ganesh), que em meio a uma uma viagem de estrada se deparam com um sentimento até então, inesperado.
Segundo a lei indiana, a homossexualidade ainda é um crime punível com prisão perpétua, o que obrigou o diretor a fazer todo o  filme em segredo. Loev não é um filme político, é uma história de amor simples sobre um amor incomum. Mas o ato de fazer este filme foi um ato político pelas razões em que ele foi feito”, disse Saria.
Em 2013, a Suprema Corte passou a criminalizar todas as atividades sexuais consideradas “contra a ordem da natureza”, incluindo a homossexualidade. “Há três anos, o mais alto tribunal da Índia aprovou a emenda 377 para declarar a homossexualidade punível com prisão perpétua e fazer criminosos de milhões de cidadãos”, explica o diretor.
“Por extensão, o tribunal tornou muito fácil qualquer trabalho cinematográfico endossando ou retratando este amor ser censurado, obstruído e banido. Foi neste ambiente que eu escrevi o roteiro e foi nessa Índia que nossos atores, técnicos, investidores e apoiadores se uniram para fazer este filme, trabalhando em sigilo absoluto e, em muitos casos, livre de custos”.

God’s own country







Primavera em Yorkshire, no Reino Unido: um jovem fazendeiro de ovelhas prefere se isolar e entorpecer suas frustrações diárias com bebedeiras e sexo casual. Porém, a chegada de um trabalhador migrante romeno, empregado para a estação de parto, acende uma relação intensa que coloca o rapaz em um novo caminho. (http://www.adorocinema.com)




Call me by your name

O sensível e único filho da família americana com ascendência italiana e francesa Perlman, Elio (Timothée Chalamet), está enfrentando outro verão preguiçoso na casa de seus pais na bela e lânguida paisagem italiana. Mas tudo muda quando Oliver (Armie Hammer), um acadêmico que veio ajudar a pesquisa de seu pai, chega. (http://www.adorocinema.com)








Ambientada en 1988. La película narra la historia de un recuerdo de un romance de verano y un descubrimiento.
Elio, a sus 17 años, vive con su familia en Italia en todas sus vacaciones, en un hogar en el que cada verano reciben a un huésped de una academia para que ayude a su padre con algunas tareas. En aquellas vacaciones, le abren las puertas a Oliver, un joven de 24 años que consigue conectar a la perfección con la familia, y especialmente con el miembro más pequeño.
Elio acaba adoptando el papel de guía turístico o amigo introductorio para el huésped y gracias a ello, ambos van descubriendo cosas el uno del otro, como por ejemplo la religión a la que pertenecen: el judaísmo. El film es un reflejo del viaje en la búsqueda hacia uno mismo que experimenta cada adolescente: relaciones sexuales, viajes e incuso la soledad. / Imagen tomada de Dream Boat.




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Que gigantesca, imensa desilusão. Depois de tudo o que tinha lido no Guardian sobre «Call me by your name» de Luca Guadagnino («provavelmente o melhor filme de 2017»), tinha as expectativas altíssimas (ainda que já os meus amigos Vasco Câmara e o Luís Miguel Oliveira me tivessem alertado para realidade). Que filme vazio, que não-personagens, que não-sentimento, que incapacidade de criar um único momento convincente (excepção feita a 5 minutos num filme interminável, correspondentes à conversa do pai com o filho, a única coisa que se salva). Alguém comentou algures na net que se trata de uma história de amor gay para heterossexuais que não fazem a mínima ideia do que é amor/sexo gay. E obrigado, mais uma vez, aos castings internacionais por terem feito de novo a proeza de pôr actores heterossexuais (esses heróis! Oscar, já!) a fazer papéis sobre os quais não vislumbram a mais pequena intuição. Acho que resumiste tudo muito bem, Vítor d'Andrade, quando re-baptizaste o filme «Call me by your xaropada». Penoso, mesmo.
Frederico Lourenço, Facebook, 2018-02-04 

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“Nós arrancamos tantas coisas de nós mesmos para nos curarmos mais depressa das coisas que ficamos esgotados perto dos 30 anos. E temos menos a oferecer toda a vez que começamos algo com alguém novo. Mas se obrigar a ser insensível… assim como sentir nada… Que desperdício!” (in: "Call me by your name")