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sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Grécia - aquele bem-estar único dos amantes

FREDERICO LOURENÇO, 1984

Grécia

Já não é a primeira vez que alguém me diz “como traduziste Homero, deves conhecer bem a Grécia”. Na verdade... não. Fui apenas três vezes à Grécia e, em rigor, não conto a terceira, já que consistiu numa semana que passei fechado numa escola de línguas em Atenas, a ter aulas de Grego Moderno 8 horas por dia. Entre a primeira vez que fui à Grécia em 1984 e a segunda vez em 2004 houve um intervalo de 20 anos. Nesses 20 anos tornei-me helenista: isto é, aprendiz de especialista do Grego Antigo. A minha Grécia sempre foi a língua grega.

As duas viagens separadas por 20 anos foram muito diferentes uma da outra. Eu não seria eu se não vos dissesse que a diferença consistiu antes de mais no facto de cada uma das viagens ter sido feita com um namorado diferente. 

Mas há outras diferenças que me ocorrem: em 1984 não havia cartões multibanco nem telemóveis nem euros. O meu namorado e eu chegámos a Atenas com um maço de libras na carteira, que fomos gerindo sabiamente até gastarmos a última nota de 20 libras no último dia da nossa estadia, o que deu para o táxi que nos levou ao aeroporto, mas não deu já para o pequeno-almoço. Nunca me soube tão bem uma comida no avião como o pão deslavado no voo que, naquele dia 2 de Outubro de 1984, nos levou de Atenas para Roma, onde apanhámos depois uma ligação para Milão, que nos trouxe para Lisboa. 

Nesse mesmo dia, que amanhecera para nós em Atenas, fomos ao fim da tarde até à Torre de Belém. Depois do mar da Grécia, o azul do Tejo (“quão diferente me vês e viste”, como no poema de Rodrigues Lobo) já não era o meu azul. É facto que 15 dias na Grécia tinham feito de mim outra pessoa.

Quando me vejo nas fotografias que o meu namorado da altura tirou na Grécia em 1984, vejo no meu rosto uma expressão rara de apaziguamento sereno. Normalmente não sou homem dado a apaziguamentos e a serenidade é uma emoção que me escapou quase sempre ao longo da minha vida. Nessa viagem, porém, houve uma espécie de plenitude que se apoderou de mim. 

Estava pela primeira vez na minha vida feliz no amor; estava em êxtase absoluto por estar finalmente na Grécia; e tinha trazido de Portugal suficientes maços de SG Gigante (o tabaco que eu fumava na altura) para não me faltar esse prazer indispensável. Toda a viagem decorreu sob o signo daquele bem-estar único dos amantes que, fartando-se à fartazana do corpo um do outro, mesmo assim nunca se sentem fartos. Isso vê-se na minha cara.

Em 1984, ninguém em Portugal sabia o que era iogurte grego. Chegados a Delfos numa tarde abrasadora em que estariam quase 40 graus à sombra, entrámos numa mercearia onde o dono nos ofereceu um lanche de iogurte com nozes e mel das abelhas de Parnasso. Daí a meia-hora, estávamos a refrescar a sede com água bebida directamente da fonte de Castália. Nessa noite, sentámo-nos a seguir ao jantar num terraço com vista para as montanhas, soando ao longe os trovões secos de uma tempestade sem pingo de chuva. Na madrugada seguinte, levantámo-nos antes do nascer do sol para vermos a aurora a surgir com os seus róseos dedos atrás das montanhas. 

O meu namorado captou o momento numa aguarela que sobreviveu ao facto de o cavalete ter sido atirado ao chão por uma rajada súbita do Zéfiro, vento que já na mitologia grega tinha uns ciúmes loucos de felizes amores homossexuais.

Se me tivessem dito na altura que eu um dia traduziria a Ilíada, a Odisseia, o Novo Testamento e os profetas dos Septuaginta, claro que me teria rido às gargalhadas. No entanto, ainda tenho o caderno que levei comigo à Grécia em 1984, no qual escrevi alguns passos de poesia grega na língua original (que eu ainda não dominava minimamente). Vejo que escolhi umas citações de Sófocles e os primeiros 100 versos da Ilíada, que me dei ao trabalho de copiar para o caderno, ainda sem entender praticamente uma única palavra. Acho interessante, hoje, que já nessa altura tenha sido a Ilíada a atrair-me mais do que a Odisseia, predilecção que, com intermitências, se tem mantido.

O meu namorado pintou várias aguarelas dos templos gregos que visitámos, a maior parte das quais, 30 anos depois, estão nas paredes da casa onde o André e eu vivemos em Coimbra. Estiveram antes nas casas que partilhei com o seu autor e suscitaram sempre comentários elogiosos das pessoas que nos visitavam. 

No entanto, houve uma vez um amigo alemão (heterossexual) que olhou em volta para as aguarelas de templos gregos pintados e comentou: “vê-se mesmo que vocês são gays”. Olhámos para ele com cara de parvos – olhámos depois para as aguarelas do Pártenon, de Súnion, de Atena Afaia em Egina... e encolhemos os ombros, sem perceber. Depois ele explicou: “nunca vos ocorreu que todas estas colunas gregas na vossa casa não representam outra coisa que não o pénis erecto?” Ao que nós respondemos, sinceramente: não.

(na foto: Frederico em Súnion, Setembro de 1984, com um maço de SG Gigante no bolso da camisa)


Frederico Lourenço, Coimbra, 2017-10-06





terça-feira, 27 de junho de 2017

Mr. Wrong


 
No meio do caminho da nossa vida | Frederico Lourenço
Ontem pus-me a pensar numa coisa curiosa. Imaginando que futuros governos me obrigarão a ser professor da Universidade de Coimbra até aos 70 anos, faltam ainda 16 anos para eu me reformar. Tendo iniciado a minha carreira como professor universitário no ano lectivo de 1989-1990, o último ano lectivo em que darei aulas será o de 2032-2033. Assim sendo, atingi o meio da minha carreira universitária no ano lectivo de 2010-2011, o único da minha vida – por inacreditável que pareça – em que eu, especialista de grego, dei aulas sobre a «Divina Comédia» de Dante.
Na altura eu estava longe de consciencializar que Dante entrara na minha carreira universitária precisamente a meio dela. A bem dizer, só me dei conta disso ontem.
E achei uma coincidência espantosa. Esse meio-caminho correspondeu a uma altura muito confusa da minha vida, em que eu estava a lutar contra a depressão causada pela morte do meu pai, ao mesmo tempo que tentava sair de uma relação tóxica com um homem que era em tudo a encarnação de Mr. Wrong (foi a única relação tóxica da minha vida, mas também foi uma aprendizagem de que não me arrependo em nada; nem uma das infinitas lágrimas então choradas foi chorada em vão).
Nessa altura, eu fazia tudo (mas TUDO) a contragosto e foi nesse estado de espírito que preparei e dei as aulas sobre a «Divina Comédia». Se, na altura, me tivessem perguntado do que é que eu gostava, a resposta teria sido «nada», pois na verdade eu não gostava de nada. Tinha-me desapaixonado totalmente pelos gregos e pela literatura grega; também não dava dez tostões pela minha escrita não-académica; escrevi dois livros de poesia, o segundo dos quais (»Clara Suspeita de Luz») a tentar fazer sentido da dita relação tóxica, mas são livros que não tenho hoje vontade de reler. A única coisa «positiva» que fiz foi dedicar-me à leitura de Schopenhauer, o filósofo que reduziu o mundo a «nada» (nichts), e pensei na hipótese de traduzir para português «O Mundo como Vontade e Representação». O que é facto é que acabei por desistir dessa ideia. Mil páginas em alemão a explicar porque tudo é nada pareceram-me um nadinha de mais.
Esse meio-caminho da minha vida universitária foi um momento de total perda de orientação e de sentido. Se me tivessem dito, nessa altura, que eu um dia voltaria a interessar-me a sério pela literatura em língua grega eu não teria acreditado. No entanto, passado esse Bojador do meio-caminho da minha vida, começou a aparecer no horizonte uma nova razão de ser. Comecei a fascinar-me cada vez mais por algo que já me fascinava havia muitos anos: o Novo Testamento. Comecei a perceber quão urgente era abrir, em Portugal, a discussão sobre essa colectânea extraordinária de textos a âmbitos fora do contexto eclesiástico; percebi a urgência de desfazer o equívoco na cabeça de tantas pessoas no nosso país de que o estudo do Novo Testamento e a sua interpretação teológica são inseparáveis ou, pior ainda, são simplesmente a mesma coisa. Não. Não são a mesma coisa. O estudo histórico do Novo Testamento e o estudo das realidades que lhe deram origem (assim como o estudo dos seus primeiros destinatários) não pode nem deve ser confundido com aquilo que é a sua posterior interpretação teológica, católica ou protestante.
E ontem pensei noutra coisa. Lembrei-me disto: quando, bem antes de eu ter chegado ao meio-caminho, eu estava a escrever a minha tese de doutoramento sobre métrica grega, uma antiga colega minha, a Cristina Pimentel, disse-me em 1994 uma frase que nunca esqueci: «espero que o Frederico não fique pelo glicónico».
O termo «glicónico» refere-se a um verso grego, que estudei pormenorizadamente na minha tese. Na altura, acho que respondi à Cristina que contava mesmo ficar pelo glicónico e, durante a crise do meio-caminho em que eu dava aulas em Coimbra sobre a «Divina Comédia», passava-me às vezes pela cabeça voltar a a estudar essas coisas rarefeitas: coisas como a permissibilidade da resolução das posições longas nos priapeus de Píndaro – ou outras coisas do género, de profundo interesse, como se vê, para a vida da Humanidade. 
Felizmente, não me fiquei por esse tipo de estudo e encontrei a razão da minha vida no estudo do Novo Testamento, que não largo nem por um dia e a que voltarei, de forma bem mais aprofundada, quando tiver acabado a tradução de uma obra básica e fundamental para a compreensão de toda a literatura cristã: o Antigo Testamento grego (Septuaginta). Se tudo correr bem, portanto, os melhores anos da minha vida ainda estão para vir: serão, pelas minhas contas, os anos lectivos de 2020-2021 a 2032-2033. Tentarei não morrer entretanto. Descrição: https://www.facebook.com/images/emoji.php/v9/f4c/1/16/1f642.png
Coimbra, 27-06-2017
https://www.facebook.com/permalink.php?story_fbid=1884214725161774&id=100007197946343











🙂




domingo, 8 de abril de 2012

DRAMA EM TRÊS ATOS









ATO I

Ó gente da minha terra
Agora é que percebi
Essa tristeza que trago
Foi de vós que a recebi…

Recebo esta invetiva por SMS em forma de citação. Poderia ter sido eu a enviá-la. Quem ma enviou insiste em desresponsabilizar-se pelos seus atos.
Entanto, eu poderia responder assim:

Já fiz as pazes contigo;
E se algum ressentimento
Entre nós, pode surgir,
A culpa –
Não será do que fizermos
De hoje em diante,
‑ Apenas, possivelmente,
Do que os nossos corações
Teimarem
Muito em silêncio sentir.
Contudo,
Não poderemos protestar:
O sofrimento passa, meu amor;
Mas, a lembrança de ter sofrido
Quem é que a pode arrancar?

(in Canções e outros poemas, António Botto, p. 182)

Podemos não recordar os insultos; mas guarda-se deles um amargo de experiência, feia como uma cicatriz. E isto envelhece a alma, torna-a ruinosa e inútil.”
(verbete “Insultos” in Opera Omnia – Dicionário Imperfeito, Agustina Bessa Luís).


ATO II

“Há palavras que nos beijam”:

Ele ‑ De ti ontem me lembrava, deitado na minha cama gelada, agora o que eu nunca pensava era que estavas aos beijos na almofada.
Faz hoje 2 anos e 6 meses que entrou uma pessoa maravilhosa na minha vida. São quase mil dias juntos, com altos e baixos, eu e as minhas birras e o que a vida me fez, mas tu, sempre firme, sempre disposto a amar-me. Enfim… Se eu não souber dar valor a isso, então não sei dar valor a nada. Amo-te muito.

Contas os dias, os mil recantos para onde os olhos se acamam.
Não falarei de amor. Não falarei. Não direi a quantidade de cigarros inutilmente acendidos.
Como todas as noites, penso em ti e no que te irá na cabeça e no coração. Desejo-te uma boa noite, meu querido, sabendo que de uma maneira ou de outra estaremos sempre juntos.” (texto do guião de Equador)
*
O homem tem estado paranóico. Nestes últimos três dias fiquei em estado de choque com as acusações que faz. Até pediu que devolvesse as chaves. Fi-lo. Depois continuámos a trocar mensagens e de novo as acusações, a desconfiança.
Fiz um ultimato que o deixou a tremer: ou ia ao psiquiatra ou a relação acabava.
Uma semana antes eu tinha-me queixado de que ele andava arredado de mim, como se precisasse descansar de mim. Para se defender argumentou que era preciso dar espaço um ao outro (normalmente uma semana sozinho em cada mês!) e que não era necessário saber o que eu estava a fazer, pois confiava em mim. Ao passo que eu falava da necessidade de falar das experiências que vivêramos, comentar o comportamento das pessoas que encontráramos, fazer planos, lutar juntos, etc.
Passada uma semana, ele revela-se exatamente o oposto, mostrando-se atento e fazendo juízos de valor errados sobre movimentos meus.

A nossa relação é como um tronco sem membros e sem cabeça.
E se eu decidir viver a minha vida?

Ele ‑ Dia de chuva na ilha dos amores. Um dia ia-me atirando para debaixo de um comboio que passou por Coimbra B.

(Está sol. É início de Primavera.)
Já me ocorreu fazer uma compilação das tuas mensagens apocalípticas. Compor uma narrativa. Fôlegos e silêncios nos ouvidos.
E se agora um qualquer fulano intercetasse em Coimbra B o comboio em que viajo.
Ando a comunicar para o vazio. O que temos para retomar se nada se construiu? Sobre que alicerces, que estacas tenho que te segurem? Voltar a quê? A que ponto voltar para construir algo?


ATO III

Talvez registe as últimas frases absolutas que enviaste. E esta página será proscrita por muito tempo.
A vida será feita destas intermitências cada vez mais raras e sem brilho. Respiro fundo. Quem entrará na minha vida. Como fazer desse desejo um objetivo e um plano. O senhor que se segue.
Todas as noites, quando me deito, um só pensamento vem à mente: eu não deveria estar aqui. O meu lugar não é aqui. A história repete-se. Cruamente.

Havia um compromisso mútuo, tácito: a cada um cabe realizar a felicidade do outro.


Nos primeiros tempos dizias quase ininterruptamente:
Eu amo-te, eu amo-te, eu amo-te.
Nos primeiros tempos, tremias em cada toque da mensagem recebida.
Havia sempre vontade do abraço e do beijo.
Eu fui feliz assim.

É esta a parte do poema em que eu me deito. Aproximo-me da cama com a nostalgia dos hábitos que se não reatam.


EPÍLOGO

"A certeza que fica é que para a vida valer a pena é necessário amar e ser amado, e ter muito cuidado com o cristal de que os outros são feitos." (Nuno Lobo Antunes, "Sinto Muito")


[Setembro de 2006 a Setembro de 2010]

domingo, 10 de julho de 2011

Homens: realmente parvos... ou infetados pelo vírus silly season?


Separámo-nos há oito meses. Recebo uma mensagem no telemóvel a oferecer amizade. Para deixarmos os rancores de lado. Mas, eu nunca tive rancor. Magoado, sim. “Ainda estou a fazer luto de ti”, respondo.
Do outro lado: "apenas amizade, porque tenho namorado".
Sem comentários.



Ricardo Cinalli, The Plate (1997-98)


Homens: realmente parvos... ou infetados pelo vírus silly season?
Texto de Paula Cosme Pinto
Estamos em plena silly season e ou é impressão minha ou o mundo dos saltos rasos decidiu levar a definição demasiado a peito e está a entrar numa espiral generalizada de verdadeira palermice... aguda.
Todos os dias recebo telefonemas que começam com a frase: "Nem vais acreditar no que ele fez!". Ora é o 'ex' que manda SMS dois anos depois para dizer "Não consigo parar de pensar em ti"; ou o tal divorciado que não tem coragem para uma conversa, mas manda recados através das amigas para justificar o injustificável: voltar para a ex-mulher sem se ter lembrado de avisar; ou o que dorme com duas ao mesmo tempo e, quando é apanhado, jura a pés juntos que pretendia contar a ambas.
Depois de um habitual rol de mentiras, que nós fingimos insistentemente em não perceber porque estamos demasiado apaixonadas e com a ingénua esperança de que "desta vez será diferente", a cereja no topo do bolo vem com a habitual resposta: "Estou tão confuso!". Sei que me vão acusar de estar a generalizar, mas confesso que começo a achar que esta frase vem no guião interno masculino sobre como apelar à pena depois de meter a pata na poça.

As 10 mentiras que os homens mais contam


Ando eu a pensar nisto e mandam-me casualmente por email um artigo com as "10 mentiras que os homens mais contam". Quem nunca ouviu umas destas pérolas? 

1. Isto não é o que parece! - Nunca é, certo?

2. Nunca tinha sentido isto antes! - Podia ser o Zezé Camarinha a dizer isto que nós continuamos a acreditar... isso é que é impressionante.

3. Não quero acabar contigo, quero só um tempo.
- Ter coragem para terminar uma relação é uma maçaaaada!

4. Ela é só uma amiga! - Não dizer que é praticamente uma irmã é uma sorte.

5. Depois eu ligo-te. - É como nas entrevistas de emprego: nós depois voltamos a contactá-la.

6. Já há muito tempo que eu e a minha mulher não nos envolvemos. - Pois, e eu sou o Pai Natal...

7. Só estou à espera de que os meus filhos cresçam para me separar - Há desculpas bem melhores para evitar pressões do terceiro elemento...

8. Estou tão confuso!
- Ui, e que pena que eu tenho de ti...

9. Fiquei sem bateria no telemóvel. - Curioso que isto aconteça quando desaparecem misteriosamente...

10. O problema não és tu, sou eu.
- É tão cliché que é a minha preferida.
 




Já não é uma questão de idade. Tenham 28, 35 ou 42 anos, as mentiras são sempre as mesmas. Como se viessem num manual decorado com exímia desde a escola primária. Também não sei se é um problema de género: a verdade é que as mulheres não são santas. São apenas mais subtis.

Choca-me esta era da mentira compulsiva. A falta de capacidade de se meter as cartas na mesa e assumir - dando real uso àquilo que se tem entre as pernas - as consequências dos atos. Opta-se pelo facilitismo. Pelo conforto, em prol do medo de se ficar sozinho. Pela vida morna, onde os picos de temperatura existem com o fruto proibido. Pelas mentirinhas de algibeira, ditas apenas "porque não se quer magoar ninguém". Já ninguém arrisca tudo. Nem muito menos é totalmente honesto: a sinceridade foi condenada à morte.

Em plena silly season, páro para pensar e surge-me a questão: afinal quem é mais "silly" no meio disto tudo? Quem mente descaradamente... ou quem teima em (ainda) acreditar?



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