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terça-feira, 6 de setembro de 2022

where are you, João Miguel Fernandes Jorge

 

Cody Furguson
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https://www.codyfurguson.com/


 

A superfície do barbeado rosto.

Tão plano tão pronto ao where are you

Que pergunto aos meus dedos

Antes de tudo meter num envelope. O outro

Ficou à chuva ficou na cama ao lado ficou

Com a minha escova de dentes

Outra espécie de tortura, mais amarela.

A conjura dessa arte é o meu verdadeiro amor.

 

João Miguel Fernandes Jorge, O regresso dos remadores.
Lisboa: Presença, 1982, p. 73

  



sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Grécia - aquele bem-estar único dos amantes

FREDERICO LOURENÇO, 1984

Grécia

Já não é a primeira vez que alguém me diz “como traduziste Homero, deves conhecer bem a Grécia”. Na verdade... não. Fui apenas três vezes à Grécia e, em rigor, não conto a terceira, já que consistiu numa semana que passei fechado numa escola de línguas em Atenas, a ter aulas de Grego Moderno 8 horas por dia. Entre a primeira vez que fui à Grécia em 1984 e a segunda vez em 2004 houve um intervalo de 20 anos. Nesses 20 anos tornei-me helenista: isto é, aprendiz de especialista do Grego Antigo. A minha Grécia sempre foi a língua grega.

As duas viagens separadas por 20 anos foram muito diferentes uma da outra. Eu não seria eu se não vos dissesse que a diferença consistiu antes de mais no facto de cada uma das viagens ter sido feita com um namorado diferente. 

Mas há outras diferenças que me ocorrem: em 1984 não havia cartões multibanco nem telemóveis nem euros. O meu namorado e eu chegámos a Atenas com um maço de libras na carteira, que fomos gerindo sabiamente até gastarmos a última nota de 20 libras no último dia da nossa estadia, o que deu para o táxi que nos levou ao aeroporto, mas não deu já para o pequeno-almoço. Nunca me soube tão bem uma comida no avião como o pão deslavado no voo que, naquele dia 2 de Outubro de 1984, nos levou de Atenas para Roma, onde apanhámos depois uma ligação para Milão, que nos trouxe para Lisboa. 

Nesse mesmo dia, que amanhecera para nós em Atenas, fomos ao fim da tarde até à Torre de Belém. Depois do mar da Grécia, o azul do Tejo (“quão diferente me vês e viste”, como no poema de Rodrigues Lobo) já não era o meu azul. É facto que 15 dias na Grécia tinham feito de mim outra pessoa.

Quando me vejo nas fotografias que o meu namorado da altura tirou na Grécia em 1984, vejo no meu rosto uma expressão rara de apaziguamento sereno. Normalmente não sou homem dado a apaziguamentos e a serenidade é uma emoção que me escapou quase sempre ao longo da minha vida. Nessa viagem, porém, houve uma espécie de plenitude que se apoderou de mim. 

Estava pela primeira vez na minha vida feliz no amor; estava em êxtase absoluto por estar finalmente na Grécia; e tinha trazido de Portugal suficientes maços de SG Gigante (o tabaco que eu fumava na altura) para não me faltar esse prazer indispensável. Toda a viagem decorreu sob o signo daquele bem-estar único dos amantes que, fartando-se à fartazana do corpo um do outro, mesmo assim nunca se sentem fartos. Isso vê-se na minha cara.

Em 1984, ninguém em Portugal sabia o que era iogurte grego. Chegados a Delfos numa tarde abrasadora em que estariam quase 40 graus à sombra, entrámos numa mercearia onde o dono nos ofereceu um lanche de iogurte com nozes e mel das abelhas de Parnasso. Daí a meia-hora, estávamos a refrescar a sede com água bebida directamente da fonte de Castália. Nessa noite, sentámo-nos a seguir ao jantar num terraço com vista para as montanhas, soando ao longe os trovões secos de uma tempestade sem pingo de chuva. Na madrugada seguinte, levantámo-nos antes do nascer do sol para vermos a aurora a surgir com os seus róseos dedos atrás das montanhas. 

O meu namorado captou o momento numa aguarela que sobreviveu ao facto de o cavalete ter sido atirado ao chão por uma rajada súbita do Zéfiro, vento que já na mitologia grega tinha uns ciúmes loucos de felizes amores homossexuais.

Se me tivessem dito na altura que eu um dia traduziria a Ilíada, a Odisseia, o Novo Testamento e os profetas dos Septuaginta, claro que me teria rido às gargalhadas. No entanto, ainda tenho o caderno que levei comigo à Grécia em 1984, no qual escrevi alguns passos de poesia grega na língua original (que eu ainda não dominava minimamente). Vejo que escolhi umas citações de Sófocles e os primeiros 100 versos da Ilíada, que me dei ao trabalho de copiar para o caderno, ainda sem entender praticamente uma única palavra. Acho interessante, hoje, que já nessa altura tenha sido a Ilíada a atrair-me mais do que a Odisseia, predilecção que, com intermitências, se tem mantido.

O meu namorado pintou várias aguarelas dos templos gregos que visitámos, a maior parte das quais, 30 anos depois, estão nas paredes da casa onde o André e eu vivemos em Coimbra. Estiveram antes nas casas que partilhei com o seu autor e suscitaram sempre comentários elogiosos das pessoas que nos visitavam. 

No entanto, houve uma vez um amigo alemão (heterossexual) que olhou em volta para as aguarelas de templos gregos pintados e comentou: “vê-se mesmo que vocês são gays”. Olhámos para ele com cara de parvos – olhámos depois para as aguarelas do Pártenon, de Súnion, de Atena Afaia em Egina... e encolhemos os ombros, sem perceber. Depois ele explicou: “nunca vos ocorreu que todas estas colunas gregas na vossa casa não representam outra coisa que não o pénis erecto?” Ao que nós respondemos, sinceramente: não.

(na foto: Frederico em Súnion, Setembro de 1984, com um maço de SG Gigante no bolso da camisa)


Frederico Lourenço, Coimbra, 2017-10-06





domingo, 5 de julho de 2015

Heféstion



LAMENTO DE ALEXANDRE POR HEFÉSTION

Não escutes a minha voz:
Ela é apenas a amargura
Do coração de um guerreiro!
Não olhe para as minhas lágrimas:
Elas são apenas o resto do pranto
Pela partida do amigo!

Quisera ser Zeus e raptar-te antes da morte
Ó meu Ganímedes,
Talvez eternamente alimentásseis aos deuses
E aos homens com o néctar da imortalidade,
Mas sou apenas um guerreiro que sofre
A partida daquele que mais amava!
Meu amigo, meu amado.
Quis o destino, ó Babilônia
Que tombasse ali, seu corpo inerte
Que transformei em divino herói
Edifiquei templo, culto:
Ò minha idolatria em forma de carne.

Que me vale Grécia, Pérsia, os mares e os desertos?
Partiste, estou só.
Com quem partilhar os meus sentimentos
Os meus segredos a minha solidão?
Com quem brincar de guerra
Lutar com Ares
Filosofar, cair nos braços de Afrodite ou Baco
Prefiro ser um Narciso nos campos de Apolo
Sou sombras de mim mesmo
Ó Hermes, não me avisaste!
Prefiro a morte, andar pelo Vale de Hades
A ver-me só sem o meu amigo!
Sou Alexandre, o Grande, o Imperador da Macedônia
Mas não sou nada sem ti ó amado Heféstion.

Washington Peixoto, 2010




Descoberto o jazigo de Heféstion, o amante do Alexandre Magno


alex final.jpg

Os arqueólogos gregos conseguiram encontrar aquele que é, presumivelmente, o jazigo do “deslumbrante Heféstion” – amigo de infância e amante de Alexandre Magno, rei da Macedónia e um dos mais importantes conquistadores da História.
O túmulo, que fica nas proximidades da cidade grega de Salónica e é datado do século IV A.C., encontrava-se a mais de um metro e meio de profundidade. Localiza-se na antiga cidade de Anfípolis, que foi um centro importante do reino da Macedónia. Destaque para a dimensão do complexo funerário, agora encontrado, que foi construído em mármore. Entre os adornos existem esfinges, cariátides e um mosaico que representa o rapto da Perséfone. Este conjunto levou os arqueólogos a pensar que a pessoa enterrada seria uma personalidade importante, nomeadamente Heféstion.Os casamentos do Alexandre eram sempre condicionados por objectivos políticos. Além disso, praticamente não dedicava tempo às suas esposas. Ao que parece, a sua única afinidade de amor seria pelo amigo de infância, Heféstion. Como descreveu então Plutarco, quando Alexandre chegou à aldeia antiga de Tróia, colocou uma coroa no túmulo de Aquiles, enquanto Heféstion pôs a sua coroa no túmulo de Pátroclo. Este gesto seria a confissão da sua relação, uma vez que era do conhecimento que Aquiles e Pátroclo seriam amantes. Quando o Alexandre e o Heféstion se encontraram com a mãe do vencido Dário, ela caiu às pernas do Heféstion, confundindo-o com o Alexandre, uma vez que o Heféstion era mais alto. Alexandre recusou o pedido de desculpas da mãe de Dário, afirmando: “Não faz mal, respeitosa mulher. Está tudo bem, não há erro. Ele também é Alexandre como eu”.Quando Heféstion morreu, Alexandre ficou tão abalado, que ordenou crucificar o médico que não conseguiu salvar o amante. A escritora Mary Renault, autora de romances históricos sobre a Grécia Antiga, descreveu o funeral de Heféstion como “o mais luxuoso da História”.
Na foto: Alexandre e Heféstion, no filme de Oliver Stone, “Alexander”
A.Iourtchenko

http://dezanove.pt/descoberto-o-jazigo-de-hefestion-o-715180, 19-11-2014

sexta-feira, 17 de abril de 2015

El hombre que yo amo






El hombre que yo amo tiene algo de niño
la sonrisa ancha, tierna la mirada
tiene la palabra de mil hombres juntos
y es mi loco amante, sabio, inteligente.

El hombre que yo amo no le teme a nada,
pero cuando ama lo extremece todo.
Guerrero incansable, en busca de aventuras,
tiene manos fuertes, cálidas y puras.

El hombre que yo amo sabe que lo amo
me toma en sus brazos y lo olvido todo
el es mi motivo, es mi propio sol.
El me da alegrías que nadie me dio.

El hombre que yo amo sabe que lo amo
vuela siempre lejos, pero vuelve al nido
el hombre que yo amo sabe que lo amo
yo lo quiero loco, pero loco mío.

El hombre que yo amo siempre sabe todo
no sabe de enojos, no entiende rencores
el arregla todo con sabiduría
con sólo mirarme me alegra la vida

El hombre que yo amo camina en mi mente,
es mi único ídolo entre tanta gente,
el hace una fiesta con mi pelo suelto,
ladrón de mis sueños, duende de mi almohada


Myriam Hernández, 1988

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

36 questões que podem ajudá-lo a apaixonar-se


Quer apaixonar-se? Faça estas 36 questões


Um estudo de 1997 tornou-se viral nos últimos dias. Dele consiste um guião de 36 questões que podem ajudá-lo a apaixonar-se por um completo desconhecido/a. Porque também há ciência no amor.

Há mais de 20 anos, o psicólogo Arthur Aron foi bem-sucedido ao fazer com que dois estranhos (homem e mulher) se apaixonassem no seu laboratório. Aron, em conjunto com outros autores, criou um guião composto por 36 perguntas distribuídas por três fases distintas. Sentados frente a frente, cada membro do casal improvisado foi convidado a responder às questões, revelando, assim, pormenores íntimos e pessoais. Para concluir o processo, as duas pessoas tiveram de olhar nos olhos uma da outra durante quatro minutos, sempre em silêncio.
Estávamos em 1997 quando o estudo foi publicado, o qual chegou a trazer resultados positivos: seis meses depois da primeira experiência, os dois participantes casaram-se e convidaram o laboratório inteiro para a cerimónia. Mas porquê falar de algo que foi feito há duas décadas? Porque o The New York Times limpou o pó ao assunto e publicou um artigo no último domingo, 11 de janeiro, onde a jornalista se sujeitou à experiência, ainda que com algumas diferenças na estrutura — o parceiro escolhido não era um completo desconhecido e, em vez do ambiente de laboratório, o encontro aconteceu num bar.
A descrição feita por Mandy Len Catron não deixa de ser interessante e, no final, ela admite que os dois se apaixonaram um pelo outro, embora se mostre hesitante em responsabilizar totalmente o estudo pelo que aconteceu. “Provavelmente está a pensar se nos apaixonámos. Bem, sim. (…) Nós passámos semanas no espaço íntimo que criámos naquela noite, à espera de ver o que acontecia”, escreveu. “O amor não nos aconteceu. Estamos apaixonados porque cada um tomou essa decisão “.
O artigo intitulado “Para se apaixonar faça isto” relançou as perguntas de Arthur Aron no universo da Internet e fez com que o estudo já com teias de aranha se tornasse viral. A propósito disso, também o jornal britânico The Guardianpublicou uma história, esta quarta-feira, em que dois jornalistas se submetem a uma mesma experiência. Apesar de não ser bem-sucedida, ambos descrevem como é partilhar a intimidade com alguém que, à partida, não conhecem bem. Enquanto ela, Bim Adewunmi, assegura que olhar nos olhos um do outro durante quatro minutos consegue ser mais desconfortável do que um beijo no final de um encontro tradicional, ele, Archie Bland, diz que a “falsa familiaridade” é a coisa mais estranha. No fim não há paixão, mas um carinho mútuo.
Uma coisa é certa: o guião preparado acelerara a intimidade entre duas pessoas, algo que levaria muito mais tempo a alcançar em circunstâncias normais, pelo que tem fortes probabilidades de ajudar no começo de uma relação.
Esta quarta-feira, a psicóloga e mulher de Arthur Aron, Elaine N. Aron, explica no blogue “Psychology Today“, a propósito da fama que as 36 perguntas entretanto ganharam, que tanto ela como o marido começaram a estudar o amor quando se apaixonaram. E esclarece que o guião deve ser encarado como uma sugestão, um diálogo que convida à intimidade de forma gradual e que também pode ser usado para criar amizades. “Não criámos as 36 questões para ajudá-lo a apaixonar-se”, escreve Elaine N. Aron, embora reconheça que é difícil esquecer-se do projeto-piloto que resultou num casamento.
Caso esteja curioso, o guião completo segue em baixo, traduzido e com as perguntas divididas em três momentos. Fica o aviso: se experimentar responder a dois, corre o “risco” de se apaixonar.
Primeira parte
1. Podendo escolher qualquer pessoa no mundo, quem queria ter como convidado para jantar?
2. Gostaria de ser famoso? De que forma?
3. Ensaia o que vai dizer antes de fazer uma chamada telefónica? Porquê?
4. O que constitui um “dia perfeito” para si?
5. Quando foi a última vez que cantou para si mesmo? E para outra pessoa?
6. Se fosse capaz de viver até aos 90 anos de idade com a mente ou o corpo de uma pessoa de 30 anos, o que escolheria [a mente ou o corpo]?
7. Tem um palpite secreto sobre a forma como vai morrer?
8. Diga três coisas que você e o seu parceiro parecem ter em comum.
9. Pelo o que é que se sente mais grato/grata na vida?
10. Se pudesse mudar alguma coisa na forma como foi educado/a, o que seria?
11. Tire quatro minutos do seu tempo e conta ao parceiro/a a história da sua vida com o máximo de detalhes possível.
12. Se amanhã acordasse com uma nova qualidade ou habilidade, qual seria?
Segunda parte
1. Se uma bola de cristal pudesse contar a verdade sobre a sua pessoa, vida e futuro, ou qualquer outra coisa, o que é que quereria saber?
2. Há alguma coisa que sonhe fazer desde há muito tempo? Porque não a fez?
3. Qual é a maior realização na sua vida?
4. O que valoriza mais numa amizade?
5. Qual é a sua memória mais querida?
6. Qual é a sua memória mais terrível?
7. Se soubesse que dentro de um ano fosse morrer de repente, mudaria alguma coisa na forma como está atualmente a viver? Porquê?
8. O que é que a amizade significa para si?
9. Quais são os papéis do amor e do afeto na sua vida?
10. Partilhe alternadamente algo que considere ser uma característica positiva no seu/sua parceiro/a. Partilhe um total de cinco itens.
11. Quão próxima e calorosa é a sua família? Sente que a sua infância foi mais feliz que a da maior parte das pessoas?
12. Como se sente face à relação que tem com a sua mãe?
Terceira parte
1. Faça três declarações honestas na primeira pessoa do plural. Como por exemplo, “Nós estamos os dois nesta sala a sentirmo-nos…”
2. Complete esta frase: “Eu gostava de ter alguém com quem partilhar…”
3. Caso ficasse um amigo próximo do seu/sua parceiro/a, partilhe o que seria importante que ele ou ela soubesse.
4. Diga ao seu/sua parceiro/a o que gosta nele/nela; seja honesto/a desta vez, dizendo coisas que não diria a alguém que acabou de conhecer.
5. Partilhe com o seu/sua parceiro/a um momento embaraçoso da sua vida.
6. Quando foi a última vez que chorou em frente a uma pessoa? E sozinho/a?
7. Conte ao seu parceiro uma coisa que já goste nele/nela.
8. E se qualquer coisa for demasiado sério para ser gozada?
9. Se morresse esta noite se a oportunidade de comunicar com quem quer que fosse, o que mais se arrependeria de não ter dito a alguém? Porque é que ainda não o disse?
10. A sua casa, que contém tudo o que lhe pertence, incendeia-se. Depois de salvar os seus entes queridos e os animais de estimação, tem tempo para salvar um último item. Qual seria? Porquê?
11. De todas as pessoas na sua família, que morte consideraria mais perturbante. Porquê?
12. Partilhe um problema pessoal e peça ao seu/sua parceiro/parceira por conselhos em como lidar com ele. Peça também ao parceiro/a que reflita sobre a como você se está a sentir tendo em conta o problema que escolheu.
Ana Cristina Marques
http://observador.pt/2015/01/15/quer-apaixonar-se-faca-estas-36-questoes/


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Por: Alexandre Versignassi e Nina Weingril

segunda-feira, 24 de março de 2014

A pequena sereia (versão masculina)

 
 

 

The Origins of the Copenhagen Mermaid: A Tragic Tale of Unrequited Love:


Part 1

 

Part 2