quarta-feira, 28 de março de 2012

HOMOSSEXUALIDADE NO ROMANCE PORTUGUÊS

Ensaio sobre a Angústia, Ed. Gradiva, 2012.
 
Joaquim Almeida Lima
  
João tem cinquenta anos e não se lembra de viver sem angústia. Logo em criança, nos mais simples episódios da vida, ela está presente, desgastando-o emocionalmente. Tudo se adensa quando percebe, já adolescente, que é homossexual. Na vida de João, a angústia é o sentimento que domina e o domina, e o que ele mais deseja é ter momentos de paz e serenidade, com a ajuda de quem com ele caminha de mão dada. A vida é mais das vezes uma dura prova, que merece ser contada.




A PRIMEIRA DÉCADA DO SÉCULO VIU CAIR DOIS TABUS LIGADOS AO ROMANCE DE COSTUMES

Evidenciando o hedonismo presente na nova narrativa portuguesa, expressão de um Portugal cosmopolita, plural e multicultural, a primeira década do século viu cair dois tabus ligados ao romance de costumes. O primeiro relacionado com a narrativa sobre a homossexualidade: Eduardo Pitta (Persona, 2000; 2ª ed. 2007, e Cidade Proibida, 2007), Frederico Lourenço (Pode um Desejo Imenso, 2002, O Curso das Estrelas, 2002, e À Beira do Mundo, 2003) e Henrique Levy (Praia Lisboa, 2010) fizeram cair o tabu relativo à descrição e narração de cenas homossexuais. O segundo, a narrativa sobre a heterossexualidade: Manuel da Silva Ramos, evidenciando a primeira "D. Juan" feminina no romance português, uma norueguesa, em O Sol da Meia Noite (2007), José Couto Nogueira (Táxi, 2001, Vista da Praia, 2003, e sobretudo Pesquisa Sentimental, 2008), Manuel Dias Duarte (D. Giovanni em Lisboa, 2009, romance sobre o ciúme) e Fernando Esteves Pinto (Conversas Terminais, 2000, Sexo entre Notícias, 2003 e Privado, 2008), desocultaram de um modo absoluto o tema da descrição dos atos heterossexuais. Em ambos os casos, estamos longe do império da pornografia, luxúria de textos e imagens destinadas a exclusivo consumo comercial e, portanto, ao enriquecimento dos seus autores.


A estes autores, que ousaram abrir um novo horizonte temático no romance português contemporâneo, junta-se Joaquim Almeida Lima e o seu livro Ensaio sobre a Angústia, narrativa sobre a experiência vivencial de um arquiteto homossexual, João. No caso deste romance, acrescem aos sentimentos de culpa e de vergonha pela emergência da homossexualidade na adolescência a uma permanente sensação de angústia, opressora física do peito, suavizada, primeiro, pelos ansiolíticos que João furtava à mãe, depois por medicamentação mais forte.
Expressão estética de um corpo com necessidades sentimentais e sexuais diferentes e reflexo de uma sociedade que, ainda que aberta, possui nítidas dificuldades morais em lidar com este tipo de diferença, Ensaio sobre a Angústia retrata com perfeição a dificílima libertação do homossexual do jugo de uma sociedade moralmente complexada e preconceituosa. Com efeito, no momento da libertação, quando João e Pedro compõem um casal perfeito, preparados para o gozo da lua-de-mel nos Açores, dá-se um acontecimento trágico (que não revelamos por constituir o nó central da intriga, narrado apenas a sete páginas do final, o que retiraria ao leitor grande parte do prazer da leitura), que enegrecerá para sempre a existência de João, avivando-lhe continuamente o sentimento de ansiedade.

Ensaio sobre a Angústia é narrado em dois tempos cruzados, diferenciados pelo corpo da letra, em redondo e negro: um que perfaz a formação de João (escola secundária; Faculdade de Belas Artes; duas iniciais experiências sexuais clandestinas, propiciadas por anúncios de jornais, uma graciosa, por prazer, outra paga a um estudante universitário que se prostitui para sobreviver; relação afetuosa com a mãe, sempre compreensiva face ao roubo dos seus medicamentos pelo filho; vergonha de confessar ao pai, à irmã e a Luís, seu melhor amigo, a sua inata condição de homossexual); outro, 20 anos depois, o tempo presente do romance, suavizando a contínua ansiedade através dos abraços de Pedro e da serenidade transmitida por uma gaivota que pousa perto da casa de João ao fim da tarde.
O romance evidencia, num primeiro momento, o sentimento de exclusão do homossexual na cidade, forçando-o a encontros clandestinos e a remeter-se a bares marginalizados; num segundo momento, a luta épica de João contra essa exclusão, antes de mais o seu combate para a integração na normalidade familiar; e num terceiro momento, como motor da totalidade da ação narrativa, o direito ao reconhecimento familiar e social de João.

Nestes três momentos, João conta sempre com o apoio incondicional e afetuoso da mãe (que apenas reage hesitantemente quando o filho lhe confessa ter tido duas experiências sexuais com homens) e com o apoio especializado de António, o psiquiatra da tia, por quem João se apaixona, cumprindo o clássico transfert assinalado por Freud. Para além do final trágico, motor retrospetivo da totalidade do romance, o momento culminante do romance, muito bem narrado, sem falsos pudores nem ostentações voyeuristas, assenta no encontro entre João e Pedro numa sauna frequentada pela comunidade homossexual.

Romance psicológico, o universo social restringe-se ao campo familiar e às relações de João com Luís e Pedro, ambos arquitetos. Da vida exterior ao homossexualismo de João, sabe-se apenas ser o pai simpatizante da vertente do catolicismo progressista anterior ao 25 de Abril de 1974. Neste sentido, o campo semântico possui sempre um timbre psicológico (leque de sentimentos vinculados à angústia e à exclusão social), dominado por um vocabulário eminentemente urbano e atual. Nem mesmo é abordado o léxico profissional ligado à arquitetura.

Miguel Real, 15-03-2012.

quarta-feira, 7 de março de 2012

INTRODUÇÃO DO CONCEITO DE ORIENTAÇÃO SEXUAL NA ONU

Conselho de Direitos Humanos da ONU
Reconhecimento da homossexualidade origina debate quente

por Lusa, 2012-03-07

O reconhecimento dos direitos dos homossexuais e dos transexuais originou hoje um debate acalorado que opôs membros da Organização da Conferência Islâmica (OCI) e uma maioria dos países do grupo africano aos outros países representados no Conselho dos Direitos Humanos.


Os países muçulmanos condenaram a tentativa de introdução do conceito de orientação sexual na ONU e abandonaram a sala do Conselho para exprimir a sua reprovação.
Pela primeira vez foi organizado um debate no Conselho dos Direitos Humanos, que realiza a sua sessão anual em Genebra, sobre as discriminações baseadas na orientação sexual.
Na abertura do debate foi dirigida uma mensagem aos membros do conselho por parte do secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, segundo o qual "chegou o momento de agir".
"Vidas estão em jogo e é dever da ONU proteger os direitos de todas as pessoas, onde quer que elas vivam", afirmou Ban. "Deixem-me dizer a lésbicas, homossexuais, bissexuais e transsexuais, vocês não estão sós", disse.
A Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay, por seu turno, apresentou um estudo sobre numerosas discriminações visando os homossexuais em todo o mundo.
Pelo menos 76 países têm legislações discriminatórias em relação aos homossexuais, sublinhou.
O apelo da ONU foi apoiado pelos países ocidentais e latino-americanos, enquanto os países islâmicos, através da OCI, pediram que o debate organizado hoje pelo conselho "seja o último".
Segundo o porta-voz da organização, o embaixador do Paquistão, "não há acordo sobre uma definição" da noção de orientação sexual no sistema dos Direitos Humanos e "a legitimação da homossexualidade é inaceitável para a OCI".
Para o porta-voz da OCI, a homossexualidade pode originar agitação social, degenerar em pedofilia e incesto, ter um impacto negativo na saúde e enfraquecer a instituição da família.
Falando em nome de uma "maioria" de países africanos, o Senegal também pediu "o respeito pelas diferenças culturais" e criticou a "tentativa de perverter o sistema dos Direitos Humanos para impor um conceito baseado no comportamento de certos indivíduos".
Alli Jernow, da ONG Comissão Internacional de Juristas, condenou, por seu turno, "a interpretação falaciosa da lei internacional dos direitos humanos" feita nomeadamente pelo Paquistão e pelo Senegal.
"Os direitos humanos são universais, o que significa que cada um, incluindo as lésbicas, os homossexuais, os bissexuais e os transexuais, devem, por exemplo, poder desfrutar do direito à vida e à segurança pessoal e serem protegidos contra a detenção arbitrária e a tortura", sublinhou.


 

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

4 mitos sobre filhos de pais gays


Os gays lutaram e conquistaram direitos iguais no casamento.
O próximo passo é pensar em família e filhos.

 
Mas o que acontece com crianças que são criadas por gays?
A resposta: algumas coisas, mas nenhuma daquelas que você imaginava.







Começo de ano é sempre igual na escola de Theodora: cada aluno se apresenta e mostra as fotos da família. Pode ser que a menina da primeira carteira seja filha de um engenheiro e uma arquiteta e o pai do menino de cabelos vermelhos chefie a cozinha de um restaurante. Theodora, naturalmente, vai contar sobre a escola de cabeleireiros dos pais. Dos dois pais ‑ Vasco Pedro da Gama e Júnior de Carvalho, juntos há quase 20 anos. Theodora não hesita em explicar para os colegas: não mora com a mãe e tem dois pais gays. Ela passou 4 anos num orfanato, até 2006, quando uma juíza de Catanduva, interior de São Paulo, autorizou a adoção. Nos próximos meses, a família vai crescer: o casal espera a guarda de uma nova menina, de apenas alguns meses de idade.
Na outra metade do mundo, a história com pais gays da americana Dawn Stefanowicz foi diferente. Por toda a vida, Dawn conviveu com a visita dos vários namorados do pai. Ele recebia homens em casa, embora ainda morasse com a mãe de Dawn ‑ o casal já não se relacionava. Ela segurou as pontas em silêncio durante a infância, adolescência e início da fase adulta. Mas depois dos 30 se rebelou contra a situação. "A decisão do meu pai de não gostar mais de mulheres mudou minha vida. Os namorados dele sempre o afastaram, e ele colocava o trabalho e os namorados acima de mim", diz.
Dawn e Theodora fazem parte de um novo tipo de família. Somente nos EUA, segundo estimativa da Escola de Direito da Universidade da Califórnia, 1 milhão de lésbicas, gays, bissexuais e transexuais criam atualmente cerca de 2 milhões de crianças. E cada vez mais casais gays optam por criar seus próprios filhos. Segundo o mesmo instituto, em 2009, 21.740 casais homossexuais adotaram crianças - quase o triplo do número de 2000. A estimativa é que cerca de 14 milhões de crianças, em todo o mundo, convivam com um dos pais gays. Por aqui, onde mais de 60 mil casais gays vivem numa união estável (reconhecida perante a lei apenas no ano passado), a história é mais recente. O caso de Theodora foi a primeira adoção por um casal gay. E isso não faz tanto tempo assim ‑ só 6 anos.
É justamente por ser tão recente que o assunto gera dúvidas, preconceitos e medos. Quais as consequências na personalidade de uma criança se ela for criada por gays? A resposta dos estudos é bem clara: perto de zero. "As pesquisas mostram que a orientação sexual dos pais parece ter muito pouco a ver com com o desenvolvimento da criança ou com as habilidades de ser pai. Filhos de mães lésbicas ou pais gays se desenvolvem da mesma maneira que crianças de pais heterossexuais", explica Charlotte Patterson, professora de psiquiatria da Universidade da Virginia e uma das principais pesquisadoras sobre o tema há mais de 20 anos.
Como, então, explicar as queixas de Dawn e a vida tranquila de Theodora? "O desenvolvimento da criança não depende do tipo de família, mas do vínculo que esses pais e mães vão estabelecer entre eles e a criança. Afeto, carinho, regras: essas coisas são mais importantes para uma criança crescer saudável do que a orientação sexual dos pais", diz Mariana Farias, psicóloga e autora do livro Adoção por Homossexuais - A Família Homoparental Sob o Olhar da Psicologia Jurídica. Enquanto Theodora mantém uma relação próxima dos pais, com conversas abertas sobre sexualidade, Dawn não teve a mesma sorte. Para piorar, ela cresceu em um ambiente ríspido e promíscuo (o pai levava diferentes homens para casa e não lhe deu atenção durante os anos mais importantes de sua formação). Mesmo assim, sobram mitos em torno da criação de filhos por pais e mães gays. Veja aqui o que a ciência tem a dizer sobre eles.






Mito 1. "Os filhos serão gays!"
A lógica parece simples. Pais e mães gays só poderão ter filhos gays, afinal, eles vão crescer em um ambiente em que o padrão é o relacionamento homossexual, certo? Não necessariamente. (Se fosse assim, seria difícil, por exemplo, explicar como filhos gays podem nascer de casais heterossexuais.) Um estudo da Universidade Cambridge comparou filhos de mães lésbicas com filhos de mães heterossexuais e não encontrou nenhuma diferença significativa entre os dois grupos quanto à identificação como gays. Mas isso não quer dizer que não existam algumas diferenças. As famílias homoparentais vivem num ambiente mais aberto à diversidade - e, por consequência, muito mais tolerante caso algum filho queira sair do armário ou ter experiências homossexuais. "Se você cresce com dois pais do mesmo sexo e vê amor e carinho entre eles, você não vê nada de estranho nisso", conta Arlene Lev, professora da Universidade de Albany. Mas a influência para por aí. O National Longitudinal Lesbian Family Study é uma pesquisa que analisou 84 famílias com duas mães e as comparou a um grupo semelhante de heterossexuais. Ainda entre as meninas de famílias gays, 15,4% já experimentaram sexo com outras garotas, contra 5% das outras. Já entre meninos, houve uma tendência contrária: 5,6% nos adolescentes criados por mães lésbicas tiveram experiências sexuais com parceiros do mesmo sexo - mas menos do que os que cresceram em famílias de heterossexuais, que chegaram a 6,6%. Ou seja, não dá para afirmar que a orientação sexual dos pais tenha o poder de definir a dos filhos.

Mito 2. "Eles precisam da figura de um pai e de uma mãe"
Filhos de gays não são os únicos que crescem sem um dos pais. Durante a 2ª Guerra Mundial, estima-se que 183 mil crianças americanas perderam os pais. No Brasil, 17,4% das famílias são formadas por mulheres solteiras com filhos. Na verdade, os papéis masculino e feminino continuam presentes como referência mesmo que não seja nos pais. "É importante que a criança tenha contato com os dois sexos. Mas pode ser alguém significativo à criança, como uma avó. Ela vai escolher essa referência, mesmo que inconscientemente", explica Mariana Farias. Se há uma diferença, ela é positiva. "Crianças criadas por gays são menos influenciadas por brincadeiras estereotipadas como masculinas ou femininas", diz Arlene Lev. Uma pesquisa feita com 56 crianças de gays e 48 filhos de heterossexuais apontou a maior probabilidade de meninas brincarem com armas ou caminhões. Brincam sem as amarras dos estereótipos e dos preconceitos.

Mito 3. "As crianças terão problemas psicológicos por causa do preconceito!"
Elas sofrerão preconceito. Mas não serão as únicas. No ambiente infantil, qualquer diferença - peso, altura, cor da pele - pode virar alvo de piadas. Não é certo, mas é comum. Uma pesquisa da Fundação Instituto de Pesquisas Económicas com quase 19 mil pessoas mostrou que 99,3% dos estudantes brasileiros têm algum tipo de preconceito. Entre as ações de bullying, a maioria atinge alunos negros e pobres. Em seguida vêm os preconceitos contra homossexuais. No caso dos filhos de casais gays analisados pelo National Longitudinal Lesbian Family Study, quase metade relatou discriminação por causa da sexualidade das mães. Por vezes, foram excluídos de atividades ou ridicularizados. Vinte e oito por cento dos relatos envolviam colegas de classe, 22% incluíam professores e outros 21% vinham dos próprios familiares. Felizmente, isso não é sentença para uma vida infeliz. Pesquisas que comparam filhos de gays com filhos de heterossexuais mostram que os dois grupos registam níveis semelhantes de autoestima, de relações com a vida e com as perspectivas para o futuro. Da mesma forma, os índices de depressão entre pessoas criadas por gays e por heterossexuais não é diferente.

Mito 4. "Essas crianças correm risco de sofrer abusos sexuais!"
Esse mito é resquício da época em que a homossexualidade era considerada um distúrbio. Desde o século 19 até o início da década de 1970, os gays eram vistos como pervertidos, portadores de uma anomalia mental transmitida geneticamente. Foi só em 1973 que a Associação de Psiquiatria Americana retirou a homossexualidade da lista de doenças mentais. É pouquíssimo tempo para a história. O estigma de perversão, sustentado também por líderes religiosos, mantém a crença sobre o "perigo" que as crianças correm quando criadas por gays. Até hoje, as pesquisas ainda não encontraram nenhuma relação entre homossexualidade e abusos sexuais. Nenhum dos adolescentes do National Longitudinal Lesbian Family Study reportou abuso sexual ou físico. Outra pesquisa, realizada por três pediatras americanas, avaliou o caso de 269 crianças abusadas sexualmente. Apenas dois agressores eram homossexuais. A Associação de Psiquiatria Americana ainda esclarece: "Homens homossexuais não tendem a abusar mais sexualmente de crianças do que homens heterossexuais".










Pode também gostar de:

“Mitos atribuídos às pessoas homossexuais e o preconceito em relação à conjugalidade homossexual e a homoparentalidade”
Mariana de Oliveira Farias
Faculdade de Ciências e Letras da UNESP-Assis

Resumo: As diferentes civilizações, conforme o momento histórico e os valores nelas vigentes, diferiram no modo como se relacionaram com a sexualidade e o fenômeno da homossexualidade. Algumas ocorrências históricas contribuíram para a visão que a sociedade tem hoje acerca da homossexualidade, como o Vitorianismo, o Cristianismo e o avanço da ciência no século XIX. Nesta época, alguns pensadores contribuíram para uma visão positiva da sexualidade como Walt Whitman, Symonds, e Havelock Ellis e, sobretudo no século XX, movimentos sociais lutaram pelo respeito e igualdade de direitos à orientação sexual homossexual.
Apesar de alguns avanços, ainda há estereótipos relacionados à homossexualidade e logo, à homoparentalidade. A literatura tem exposto esses mitos, por exemplo:
1) que os homossexuais seriam todos promíscuos;
2) que a homossexualidade seria um distúrbio, um desvio;
3) que os homossexuais não poderiam criar uma criança, pois ela seria “influenciada” pela homossexualidade;
4) que os homossexuais tenderiam a abusar sexualmente de crianças para realizarem seus desejos, dentre outros.
Estas crenças irrefletidas na sociedade favorecem a discriminação e o preconceito contra as pessoas que vivenciam a homossexualidade e dificultam uma visão positiva na sociedade e no meio jurídico em relação à homoparentalidade e logo, sobre a adoção por homossexuais.
Palavras-chave:  homoparentalidade, conjugalidade homossexual, mitos e preconceito






Título original: Comme Les Autres
País: França
Ano: 2008
Diretor: Vincent Garenq
Argumentista: Vincent Garenq
Estúdio: Canal +
Elenco: Lambert Wilson, Pascal Elbé, Pilar Lopez de Ayala, Anne Brochet
Sinopse: O filme conta a história de Manu. Ele é um pediatra gay, de 42 anos e o seu grande sonho é ser pai. O problema é que o seu parceiro, Philippe, não partilha desse mesmo sonho mas mesmo assim, Manu resolve recorrer à adopção correndo o risco de perder o seu grande amor. Por ser homossexual, ele não consegue nada através da adopção mas conhece uma jovem que poderá fazer com que a vida dele mude por completo. Num impulso, ele propõem à jovem, Fina, que seja a mãe do seu filho. Inicialmente ela reage mal à proposta mas com o tempo, quando acaba por conhecê-lo melhor, apaixona-se por Manu e aceita a proposta. Apaixonada por ele, Fina imagina uma vida a dois e feliz ao lado de Manu, mas as coisas não serão como ela esperava. | Por: Ermelindo Lopes.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

GAYXAMPLE | UMA WEBSÉRIE CATALÃ




GAYXAMPLE é uma websérie espanhola, idealizada e dirigida por Giuseppe Storelli e produzida pela FotoVídeoWeb, que mostra ao mundo uma realidade muito verídica do “Gayxample”, o bairro gay de Barcelona. A série começa mostrando o “mundo gay” pela versão de Xavi um rapaz recém-chegado do interior, que na cidade grande se vê incorporado a um ambiente gay, mesmo sendo hétero. A série mostra alguns dramas, como o rapaz reprimido em casa que tem medo de sair do armário, o pai gay que não quer perder o respeito do filho ao lhe contar as suas preferências sexuais, mas também possui alguns momentos de humor.

É um projeto que, ainda que seja situado em Barcelona, é internacional pois os episódios possuem legendas em inglês, francês, alemão, italiano, holandês e português. Falando ainda sobre a série, Storelli afirma que “tenho a esperança de que séries como GAYXAMPLE ajudarão que gays, lésbicas e transexuais sejam vistos como pessoas com direito a expressar-se, como faz qualquer outra. Muitas vezes os próprios gays discriminamos outros gays por afastar-se do estereótipo vigente. Por exemplo, um gay surdo fala simplesmente outra linguagem e não deve ser discriminado por ser surdo”.

GAYXAMPLE é o reflexo de nossa vida quotidiana, com suas penas e alegrias. Trata, definitivamente, sobre instantes do mundo gay e lésbico numa perspectiva homossexual.

Fonte: Site oficial através de Seven Colors




sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Somebody That I Used To Know

Walk Off The Earth, grupo canadiano que interpreta a canção do músico australiano Gotye.


Somebody That I Used To Know

Now and then I think of when we were together
Like when you said you felt so happy you could die
Told myself that you were right for me
But felt so lonely in your company
But that was love and it's an ache I still remember

You can get addicted to a certain kind of sadness
Like resignation to the end
Always the end
So when we found that we could not make sense
Well you said that we would still be friends
But I'll admit that I was glad that it was over

But you didn't have to cut me off
Make out like it never happened
And that we were nothing
And I don't even need your love
But you treat me like a stranger
And that feels so rough
You didn't have to stoop so low
Have your friends collect your records
And then change your number
I guess that I don't need that though
Now you're just somebody that I used to know
Now you're just somebody that I used to know
Now you're just somebody that I used to know

Now and then I think of all the times you screwed me over
But had me believing it was always something that I'd done
And I don't wanna live that way
Reading into every word you say
You said that you could let it go
And I wouldn't catch you hung up on somebody that you used to know...

But you didn't have to cut me off
Make out like it never happened
And that we were nothing
And I don't even need your love
But you treat me like a stranger
And that feels so rough
You didn't have to stoop so low
Have your friends collect your records
And then change your number
I guess that I don't need that though
Now you're just somebody that I used to know
Somebody...
I used to know
That I used to know
Somebody...
Now you're just somebody that I used to know

Original: “Somebody That I Used To Know”, in Making Mirrors, Gotye




Original: “Somebody That I Used To Know”, in Making Mirrors, Gotye



Alguém que eu conhecia

Às vezes eu penso sobre quando estávamos juntos
Como quando tu disseste que podias morrer de felicidade
Eu disse a mim mesmo que eras
 a pessoa certa para mim
Mas eu sentia-me tão sozinho na tua companhia
Mas era amor e isso é uma dor que ainda me lembro

Existe um tipo de tristeza que é viciante
Como resignação eterna
Sempre até o fim
Então, quando percebemos que não fazia sentido estarmos juntos
Bem, disseste que ainda podíamos ser amigos
Mas eu admito que fiquei feliz de termos terminado

Mas não precisas cortar comigo para sempre
Agir como se nada tivesse acontecido
Como se não significássemos nada
Nem alguma vez tivesse precisado do teu amor
Contudo, tratas-me como um estranho
E isso é duro
Não precisavas te rebaixar tanto
Pedir aos teus amigos para virem buscar os teus discos
E mudar o número de telefone
Eu acho que não preciso disso
Agora és apenas alguém que eu conhecia
Agora és apenas alguém que eu conhecia
Agora és apenas alguém que eu conhecia

De vez em quando eu lembro-me das vezes em que me arrasaste
e fizeste acreditar que era sempre alguma coisa que eu tinha feito
Mas eu não quero viver assim
Interpretando cada palavra que dizes
Tu disseste que conseguias deixar isso para trás
E que eu nunca te encontraria com alguém que você costumava conhecer...

Mas não precisas cortar comigo para sempre
Agir como se nada tivesse acontecido
Como se não significássemos nada
Nem alguma vez tivesse precisado do teu amor
Contudo, tratas-me como um estranho
E isso é duro
Não precisavas te rebaixar tanto
Pedir aos teus amigos para virem buscar os teus discos
E mudar o número de telefone
Eu acho que não preciso disso
Agora és apenas alguém que eu conhecia
Alguém...
Eu conhecia
Que eu conhecia
Alguém...
Agora és apenas alguém que eu conhecia