Por muito apaixonados que estejamos, todos sabemos que uma
relação amorosa dá trabalho. Principalmente quando ‘apostamos’ nela e achamos
que terá futuro.
Por isso mesmo, o SOL fez uma lista de dez dicas que o podem
ajudar a ‘salvar’ uma relação. Claro que esta não depende totalmente dos pontos
referidos mais abaixo, mas são estes pequenos detalhes que podem fazer a
diferença entre uma relação aborrecida e pronta para se desfazer e uma
entusiasmante, baseada na cumplicidade e no respeito.
1. Pensar antes de falar: Todos nós sabemos que certas
expressões ou frases podem magoar mais um do que outros. E por conhecermos tão
bem o nosso parceiro, pode haver tendência para ‘atacar’ com o que mais
‘perfura’. Pense bem antes de usar essas palavras, pois os efeitos podem ser
irreversíveis. Mesmo que estejamos muito em baixo e decepcionados com a atitude
do outro, nada justifica magoar ainda mais a pessoa de quem tanto gostamos.
2. Não recorrer ao silêncio: Uma boa relação assenta em
vários pilares. Mas há um deles que é bastante importante – e muitas vezes
esquecido: a comunicação. Não vale a pena deixar de falar com o seu
companheiro. Para além de acabar por não atingir os seus objectivos (sejam eles
quais forem), este ‘tratamento’ vai acabar por forçar uma distância entre as
duas pessoas. Se não quer encarar o outro – muitas vezes, é difícil dizer
algumas coisas cara-a-cara logo após uma discussão – deixe-lhe um post-it,
envie um e-mail ou uma SMS, mas não deixe nada por dizer, nem faça com que a
outra pessoa sofra na ignorância.
3. Pôr-se na pele do outro: É mais fácil falar do que praticar.
Mas a verdade é que resulta. Tente colocar-se no lugar do seu parceiro e veja
por que razão ele/ela age de certa forma. Por que razão ele/ela se irrita tanto
com a sua desarrumação ou por que fica tão nervoso com a presença de um dos
seus amigos. Há sempre uma explicação para tudo. Em vez de partir logo para a
discussão, calce os sapatos dele/a e tente perceber o porquê de haver tais
reacções.
4. Ser honesto/a: Parece um princípio básico, mas
muitas vezes é esquecido. Diga aquilo que tem a dizer, de uma forma
construtiva. Só assim é que uma relação será construída com base na
confiança.
5. Oiça tudo: Quando começamos a desligar das
conversas que temos com o nosso parceiro, é o ‘princípio do fim’. Esteja atento
ao que lhe é dito, quer seja uma conversa banal ou algo mais profundo. Mostre
interesse nas conversas… e não só.
6. Aprecie cada detalhe…: Mostre também interesse pelas
actividades desempenhadas pelo outro e pelas suas opiniões. Como se costuma
dizer, ‘o amor está nos pequenos detalhes’ e são essas particularidades que
distinguem a pessoa que ama dos demais.
7. … E promova os detalhes: Não tem que ser só o outro a
dedicar-se à relação. Ofereça pequenos presentes, combine jantares românticos,
faça-lhe o almoço preferido dele/dela e acima de tudo mime-o/a. Não há nada
melhor que mimos e os melhores são dados por aquela pessoa especial.
8. Não grite: Não é por elevar a voz que vai ter
mais razão. Para além disso, irá passar uma imagem agressiva e ninguém quer
passar o resto dos seus dias com alguém que parece transformar-se no Hulk cada
vez que as coisas correm mal. O melhor é sair da sala, escrever num papel o que
sente e deixá-lo para que o outro leia. A outra pessoa vai sentir a sua
frustração e perceber que ficou magoado/a, sem que seja necessário recorrer à
violência.
9. Não dizer nomes: Por incrível que pareça, esta é
um ponto que tem que ser referido. Há casais que trocam palavrões entre si, sem
ter noção da gravidade daquilo que estão a dizer. É falta de educação e não
cultiva a cumplicidade e o respeito entre as pessoas, quer seja entre
namorados, casados, familiares ou amigos.
10. Amor, amor e mais amor: Ame o outro como se não houvesse
amanhã. Ame de uma forma apaixonada e não caia na monotonia da rotina. Tente
procurar coisas novas no outro com alguma regularidade e potenciá-las na sua
relação (por exemplo, se ele/a for um excelente cozinheiro, incentive-o a
continuar e a preparar pequenas refeições românticas). Uma relação só irá
resultar se se dedicar a 100% à outra pessoa. Mas é essencial (imprescindível,
até) que se ame também a si próprio. E ao seu núcleo de amigos e familiares
mais próximos. Para que qualquer relação resulte (seja ela amorosa ou não), tem
que se sentir bem consigo próprio. Essa sim é uma prioridade que não deve
descurar.
Foi aprovada a lei da adopção por parte de casais do mesmo sexo e gerou-se o caos nas redes sociais, como sempre. Antes de vos mostrar, quero apenas dizer que, para mim, só há um argumento relativamente válido de quem é contra a adopção por parte de casais do mesmo sexo: é o argumento de que a sociedade pode não estar preparada e que os miúdos vão sofrer discriminação na escola por parte de outros putos ranhosos, filhos de pais preconceituosos que os vão impregnar de crueldade e homofobia. Ainda assim, embora perceba este argumento, sou a favor porque acho que o bullying é saudável e porque qualquer pessoa inteligente vê que mais vale chamarem-nos maricas no recreio do que passar a vida numa instituição sem uma família que nos dê amor. Posto isto, varri algumas secções de comentários de jornais portugueses e morri um pouco por dentro. Porque não gosto de guardar as coisas más só para mim, partilho aqui convosco para, também, falecerem um pouco. De nada.
Aqui conseguimos observar alguns exemplares de uma ramificação da evolução humana que não teve a sorte e chegar a ser homo sapiens, mas sim, homofobicus otarius. Comparar homossexualidade com pedofilia não é desinformação, é mesmo atraso cognitivo. De notar que existem «likes» em alguns destes comentários, dando a entender que esta sub espécie "humana" não está, infelizmente, perto da extinção.
Neste belo quadro, podemos observar os argumentos desta espécie, altamente ponderados e eloquentes. O uso das letras maiúsculas e os erros ortográficos são uma das armas mais poderosas do homofobicus otarius. De notar a falta de conhecimento da anatomia humana do senhor Jorge que, para além de pensar que dois pipis ou duas pilinhas podem procriar, ainda acha que adoptar o filho que foi abandonado por um casal heterossexual é, de alguma forma, «usar os filhos».
Perante a falta de argumentos, muitas vezes, o homofobicus otarius prefere expressar os seus argumentos e emoções na forma de bonequinhos palermas.
O senhor Mário é um cientista incoerente. Apesar de denotar algum sentido de humor, embora nojento, decide chamar Deus, dizendo que nada acontece por acaso, sem depois se lembrar que se Deus faz tudo pensado, também terá feito gays e lésbicas propositadamente. Tal como terá permitido que a lei fosse aprovada ao invés de deitar um meteorito na Assembleia. O senhor Mário é um palhaço.
A Luzia e o David a mostrarem-nos que o mais importante neste caso é a semântica. Já agora, podiam juntar-se os dois que assim só se estragava uma casa. Mas não procriem, por favor.
A verdadeira magia acontece nas zonas de comentários anónimos, onde o homofobius otarius revela a sua faceta mais nojenta. Chamo à atenção para o senhor Fernando, que está claramente a tentar enganar as pessoas, dizendo que é gay. Até se pode dar o caso dele ter um fetiche anal mal resolvido, é um facto. Mais uma vez, o homicídio da língua portuguesa é uma constante, porque a iliteracia e o preconceito andam de mãos dadas. Duas mãos de sexos diferentes, atenção. Não queremos cá mariquices.
Sim senhor, até que enfim argumentos e propostas de solução. O senhor Felisberto a revelar a sua homossexualidade reprimida a ver se pega. «Ah e tal, vou enfiar um pénis no rabo e outro até à garganta só para provar que tenho razão!».
A democrata senhora Helena a fazer a pergunta que faz sentido, à qual eu vou tomar a liberdade de responder. Senhora Helena, estas coisas não devem ir a referendo porque, como pode ver em todos os comentários acima, ainda existe muita gente retrógrada e atrasada mental. Como tal, os direitos humanos não devem ir a referendo, correndo o risco de serem decididos pela maioria inculta, burra e desinformada.
E é isto. Espero que tenham gostado. Se forem contra pelos motivos que falei no início, até vos respeito, mas argumentem de forma inteligente. Não sejam otários. Não sejam homofobicus otarius.
Nigel Owens.
O árbitro que tentou matar-se porque não queria ser gay
Quando Nigel fala os jogadores baixam as orelhas, é um
dos árbitros mais respeitadosChristoph Ena/APRUI PEDRO SILVA31/10/2015
20:00
Galês bateu no fundo do poço em 1996 mas recuperou,
ganhou confiança e agora atinge o ponto alto da carreira com a final do
Mundial.
Quando saiu de casa às três e meia da manhã de um dia
de 1996, Nigel Owens pensava que nunca mais ia ver os pais. Estava acordado há
uma hora e tinha-se levantado sem fazer barulho, de forma que ninguém o
impedisse. Para trás ficava um bilhete a justificar o suicídio como única
solução possível. Com ele seguiam duas caixas de paracetamol, uma garrafa de whiskey
e uma caçadeira carregada. O galês de Mynydd Cerrig deu uma última volta à
terra que o tinha visto crescer e seguiu para as montanhas. Pouco depois,
entrou em coma.
A pressão que Nigel Owens sentia era enorme. Sofria de
bulimia, estava obcecado com o peso e tinha encontrado no ginásio a solução
para substituir a gordura por músculo. Para acelerar o processo, começou a
tomar esteróides e ficou viciado. “Estava a entrar num caminho que não tinha
saída e fiz algo de que me arrependerei para sempre”, lamenta, anos depois, num
documentário exibido pela BBC.
Nigel não morreu por pormenores. Primeiro, por ter
entrado em coma antes de decidir disparar. Depois, porque foi encontrado por um
helicóptero a tempo de ser levado para o hospital, onde permaneceu vários dias.
“Tinha vergonha do que tinha feito, de ter tentado
matar-me quando há gente a morrer todos os dias de doenças terminais e que
dariam tudo para continuarem vivas. Mais do que tudo, senti-me envergonhado
pela carta que deixara aos meus pais. Não consigo sequer imaginar o que
pensaram, o que lhes passou pela cabeça quando leram que eu não conseguia
aguentar mais”, conta, revelando o desespero da mãe: “Disse-me que se o fizesse
outra vez, que a levasse e ao meu pai também, porque não queriam viver sem
mim.”
A reacção dos pais foi o ponto de viragem. Afinal, era
também por eles que tinha chegado àquele ponto. Sendo filho único, recusava
privá-los de serem avós no futuro. Por isso reprimiu o que começou a sentir com
18 anos. “Tudo aconteceu porque não queria ser gay. Andava a lutar há anos. Não
havia nada de mau em ser gay, mas sentia que não me enquadrava. Tive várias
namoradas, mas senti sempre que algo não estava certo. E pensava: ‘Vou
obrigar-me a apaixonar--me por esta rapariga.’ Mas isso nunca aconteceu. E
nunca aconteceria. A partir de dado momento, percebi que não conseguia viver
mais assim”, conta, recordando a primeira vez que teve algo com um homem. “No
segundo seguinte, senti-me doente, fisicamente doente, envergonhado pelo que
tinha feito. Não estava a aceitar o que era e fiquei deprimido.” Daí até à
tentativa de suicídio foi um pequeno passo.
Paixão assumida
Nigel Owens continuou sem contar que era gay e centrou
atenções numa paixão que podia assumir sem rodeios: a arbitragem. A carreira
começou depois de ter falhado uma penalidade decisiva no último jogo da equipa
da escola, que poderia ter sido o único triunfo da época. “Queria ser o herói,
mas a bola saiu junto à bandeirola. O professor veio falar comigo e disse--me
que, se calhar, teria mais sucesso como árbitro. Ele estava meio a brincar, mas
eu levei aquilo a sério.”
Os primeiros passos não foram fáceis. Nigel tinha 16
anos e o pai não era um ás na condução. Por isso, para o primeiro jogo, seguiu
com o autocarro da equipa do Nantgaredig. “O Tregaron perdeu 6-9 e no balneário
não ficaram muito contentes.” A partir daí, por mais longe que fosse o jogo,
nunca mais foi à boleia. Derek Bevan, até hoje o único árbitro galês a dirigir
uma final de um Mundial (Austrália-Inglaterra em 1991), lembrou à BBC os
sacrifícios que fazia: “Se fosse preciso, levantava-se às sete da manhã e
apanhava um, dois, três autocarros diferentes.”
O sucesso na arbitragem fê-lo galgar patamar atrás de
patamar e em 2005 teve o primeiro jogo internacional, um Japão-Irlanda em
Osaka. A vida corria bem, mas ainda ninguém sabia que era gay, ninguém sabia
que fora essa a razão a precipitar a tentativa de suicídio. “Escondi durante
nove anos, mas era demasiado. Não estava a conseguir ser árbitro porque não era
feliz com a pessoa que era”, recordou.
Os pais foram os primeiros a saber. “Disse à minha
mãe, depois ao meu pai. Dizer aquelas três palavrinhas ‘eu sou gay’ foi uma das
coisas mais difíceis que alguma vez tive de fazer”, lembra. Contar ao patrão na
Welsh Rugby Union foi o passo seguinte e um dos que mais preocupação geraram:
“Tinha medo do que aconteceria se as pessoas nesse mundo descobrissem que era
gay e as suas consequências.” Mas nada mudou. Finalmente, os amigos. “A maior
parte telefonou de volta ou mandou uma mensagem, tirando um. A maior parte
deles já desconfiava”, referiu o árbitro, realçando a importância do momento.
“É impossível tentar descrever o que senti. Foi fantástico perceber que não fez
diferença nenhuma para a família, amigos e para as pessoas no râguebi. Foi como
nascer novamente.”
O último passo
A família sabia, os amigos sabiam, os responsáveis pela arbitragem sabiam. Só faltava o público. A revelação foi feita numa entrevista a um jornal galês, mas foi na televisão que Nigel Owens saiu do armário. Literalmente. O árbitro participava regularmente no programa de humor de Jonathan Davies e juntos tiveram a ideia de abordar o tema de forma implicitamente explícita. Owens estava escondido dentro de um armário e abriu as portas ao som da música “I am what I am”. “Não têm noção do que senti quando praticamente toda a gente se levantou e aplaudiu”, exclama o árbitro, que faz questão de se fazer acompanhar do sentido de humor apurado no râguebi. “Se o perdermos, se não tivermos a capacidade de nos rirmos de nós e dos outros, perdemos uma grande parte do jogo.”
A postura é uma imagem de marca e é reconhecida por adeptos e jogadores, desde as farpas ao futebol (“Se vais continuar a mergulhar, volta daqui a duas semanas”, atirou para o escocês Stuart Hogg durante um jogo no estádio do Newcastle) às brincadeiras com a sua homossexualidade. “Num jogo dos Ospreys, o Ryan Jones estava no balneário e disse-me para esperar que pudesse vestir alguma coisa. ‘Não faz diferença. De qualquer maneira, és muito feio’, respondi. Ele riu-se, eu ri-me, todos os outros jogadores se riram.”
A nomeação para a final do Mundial desta tarde (Nova Zelândia-Austrália às 16h00 na Sport TV5) foi o derradeiro feito na carreira que faltava a alguém que está na terceira fase final e arbitrou duas finais da Heineken Cup. “Quero agradecer aos meus amigos e família pelo apoio constante que me ajudou a ultrapassar momentos muito difíceis na minha vida. O meu pai esteve sempre ao meu lado e está felicíssimo com a notícia. É uma pena que a minha mãe não esteja cá para ver, uma vez que foi sempre um grande pilar na minha vida”, relembrou Nigel Owens.
A filosofia com o apito vai continuar a fazer a diferença, dentro e fora de campo: “É impossível arbitrar um jogo de 80 minutos sem fazer pelo menos um erro, mas aprendemos com eles. Ao fazer isso, melhoramos e aceitamos o facto de que não há nada de errado em cometer erros na vida.”
Os arqueólogos gregos conseguiram encontrar aquele que é, presumivelmente, o jazigo do “deslumbrante Heféstion” – amigo de infância e amante de Alexandre Magno, rei da Macedónia e um dos mais importantes conquistadores da História.
O túmulo, que fica nas proximidades da cidade grega de Salónica e é datado do século IV A.C., encontrava-se a mais de um metro e meio de profundidade. Localiza-se na antiga cidade de Anfípolis, que foi um centro importante do reino da Macedónia. Destaque para a dimensão do complexo funerário, agora encontrado, que foi construído em mármore. Entre os adornos existem esfinges, cariátides e um mosaico que representa o rapto da Perséfone. Este conjunto levou os arqueólogos a pensar que a pessoa enterrada seria uma personalidade importante, nomeadamente Heféstion.Os casamentos do Alexandre eram sempre condicionados por objectivos políticos. Além disso, praticamente não dedicava tempo às suas esposas. Ao que parece, a sua única afinidade de amor seria pelo amigo de infância, Heféstion. Como descreveu então Plutarco, quando Alexandre chegou à aldeia antiga de Tróia, colocou uma coroa no túmulo de Aquiles, enquanto Heféstion pôs a sua coroa no túmulo de Pátroclo. Este gesto seria a confissão da sua relação, uma vez que era do conhecimento que Aquiles e Pátroclo seriam amantes. Quando o Alexandre e o Heféstion se encontraram com a mãe do vencido Dário, ela caiu às pernas do Heféstion, confundindo-o com o Alexandre, uma vez que o Heféstion era mais alto. Alexandre recusou o pedido de desculpas da mãe de Dário, afirmando: “Não faz mal, respeitosa mulher. Está tudo bem, não há erro. Ele também é Alexandre como eu”.Quando Heféstion morreu, Alexandre ficou tão abalado, que ordenou crucificar o médico que não conseguiu salvar o amante. A escritora Mary Renault, autora de romances históricos sobre a Grécia Antiga, descreveu o funeral de Heféstion como “o mais luxuoso da História”.
Na foto: Alexandre e Heféstion, no filme de Oliver Stone, “Alexander”
Na noite de abertura da 13ª Festa Literária Internacional de Paraty, falou-se de identidade, de erotismo e daquilo que ficou calado em Mário de Andrade.
O actor Pascoal da Conceição, que interpretou Mário de Andrade numa mini-série da TV Globo, invadiu o palco da festa WALTER CRAVEIRO Ninguém contava, mas
quando a sessão de abertura da 13ª edição da Festa Literária Internacional de
Paraty (FLIP)dedicada ao escritor brasileiro Mário deAndrade (1893-1945)estava a aproximar-se do fim e o biógrafo Eduardo
Jardim citava o poemaMeditação sobre o Tietê, o actor Pascoal da Conceição, que interpretou
Mário de Andrade numa mini-série da TV Globo, tirou-lhe as palavras da boca,
invadindo o palco, a declamar o resto do poema e a comentar o queestava
a achar da sessão. Foi assim uma coisa amadora — o actor vestido de branco, ramo
de fl ores na mão, não tinha microfone e não se ouvia por toda a sala — e
deixou surpreendidos quer os participantes, quer o público que assistia à
conferência.
O
académico Eduardo Jardim dirigindo-se ao curador da FLIP, ali ao lado, ainda
pediu ajuda: “Salva a gente aqui, Paulo!” E Paulo Werneck pegou no microfone
para explicar que a performance não
estava programada: foi “uma surpresa”, mas “fugas ao script
são bem-vindas, às vezes”. Ainda insistiu para que o autor
da primeira biografia dedicada a Mário de Andrade continuasse o seu raciocínio,
mas Jardim sentiu-se incapaz. Tinha perdido o fio à meada.
Assim
terminou a mesa de abertura da FLIP, que tal como nos anos anteriores está a
ser transmitida da Tenda dos Autores para ecrãs espalhados no recinto e também,
em streaming, através do site
oficial da festa literária.
[…]
Esta atracção de Mário de Andrade pela
pesquisa do folclore popular também foi referida pela professora de literatura
brasileira da Universidade de São Paulo Eliane Robert Moraes, especialista em
literatura erótica, para quem basta ler Macunaíma — O Herói sem Nenhum
Carácter para se perceber que a obra comporta “uma erótica tão inesperada
quanto intensa”.
A professora universitária lembrou que
Andrade recolheu material relacionado com o erotismo “que é um verdadeiro
tesouro” e que, se não o tivesse feito, nunca teria chegado até nós. Mário de
Andrade gostava de dizer que o Brasil tinha “uma pornografia desorganizada”, dispersa
pela “cultura popular, pelas literaturas religiosas, no bumba-meu-boi
[uma dança do folclore popular brasileiro], nas modinhas, nas quadrinhas”. No
seu livro, Macunaíma, ele “joga o tempo
todo com o proibido, com o que se fala e com o que não se fala”, explicou a professora.
Essa questão, Macunaíma resolve
literariamente de forma genial: “Em Macunaíma,
o calado é vencido pela artimanha da palavra, e isso marca a erótica de Mário
de Andrade”, explicou.
No
décimo capítulo desse romance, o escritor cria palavras para substituir as
palavras “buraco” ou “orifício” (por exemplo, botoneira ou puíto). Um expediente,
explica a professora, que era uma prática própria da literatura erótica
ocidental: substituir uma palavra proibida por outras que a evocam. “O erotismo
tornou-se uma faceta na sombra da obra de Mário, pois como a homossexualidade de
Mário de Andrade foi muito intocada, ficou escondida, tornou-se uma espécie de
tabu aquilo que na própria obra fala de sexo acabou fi cando intocável”, disse Eliane
Robert Moraes.
“Chegou
o momento, tarde já com certeza, de a gente poder liberar em Mário aquilo que é
de ordem pessoal para se poder reconhecer a qualidade daquilo que é de ordem
estética”, acrescentou. “Cabe-nos dizer hoje aquilo que ficou tanto tempo
proibido, que o nosso grande modernista era gay e
que há resquícios dessa homossexualidade em toda a sua obra, muito embora não
possamos falar de uma obra gay.”
Na Flip, ator invade o palco para declamar Mário de Andrade
Pascoal da Conceição surpreende organização do evento com performance. Curador Paulo Werneck encerrou a mesa desta quarta após a intervenção.
O ator Pascoal da Conceição invadiu a mesa de abertura da Flip 2015 vestido de Mário de Andrade (Foto: Cauê Muraro/G1)
O ator Pascoal da Conceição, que interpretou Mário de Andrade na minissérie da Globo "Um só coração" (2004), em peças e performances, resolveu voltar ao papel na noite desta quarta-feira (1º) ao invadir o palco da 13ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip).
Ele andou pela plateia, segurando um buquê de flores e caracterizado como Mário de Andrade, e chegou ao palco, onde se declarou muito feliz "pela descoberta do que realmente significa o Mário de Andrade".
"A coisa que eu mais senti falta é que eu queria saber muito mais sobre ele", observou, e pediu para que Eduardo Jardim escrevesse mais livros sobre o autor.
"Salva a gente aqui, Paulo!", devoltou Eduardo, depois de Conceição deixar a cena. O curador da Flip, Paulo Werneck, interferiu dizendo que aquilo foi "uma surpresa" que "fugas do script" são bem-vindas - às vezes, ressaltou. Na sequência, encerrou o debate desta noite.
Agiu por conta própria
Depois de sair de cena, Conceição falou ao G1 sobre a "intervenção". "Eu sinto, como ator, quase uma obrigação artística de estar presente [na homenagem a Mário de Andrade]", justificou.
"Fui muito bem recebido. O poema tem 330 versos, decorei todos", comentou sobre a poesia-testamento do autor, concluída no mesmo mês de sua morte. E prosseguiu: "O Mário de Andrade é quase um para-choque de caminhão da literatura brasileira".
O ator falou também que já fez performances parecidas (ele costuma interpretar Mário de Andrade em apresentações públicas e peças de teatro) anteriores. Por isso, havia enviado e-mails à organização da Flip pedindo para participar.
Como não teve retorno positivo, resolveu agir por conta própria. "Com a bola quicando na área, a gente faz até gol contra." Para entrar campo, investiu do próprio bolso. O terno, segundo Conceição, custou R$ 1,8 mil. Adiantou ainda que, às 17h deste sábado (3), fará uma apresentação de Macunaíma com a Escola Livre de Teatro de Santo André na Igreja do Rosário, em Paraty.
'Mário era mais alto'
Após deixar a tenda do telão, Eduardo Jardim se declarou satisfeito com a interrupção da qual tinha sido vítima. "Adorei, levei o maior susto!", afirmou ao G1. "Eu já conhecia o ator, por vídeo. Ele é mais baixo que o Mário, que era um cara muito alto, mas tem uma energia."
Já Paulo Werneck repetia que nada tinha sido planejado. Ao cruzar com o pai, o jornalista e escritor Humberto Werneck, em frente à tenda do telão, perguntou sobre a aparição.
"Perguntei ao ator: 'Você é homossexual?'. Ele respondeu: 'Eu sou trezentos'", contou o Werneck pai. Na conversa em família, o curador não parecia exatamente ter aprovado o ocorrido. Mas logo emendou: "Uma surpresa, realmente".
Os participantes da mesa "As margens de Mário", encontro que inaugurou a festa, foram a ensaísta argentina Beatriz Sarlo, a crítica e professora da USP Eliane Robert de Moraes (organizadora da "Antologia poética brasileira") e Eduardo Jardim (autor de "Eu sou trezentos", biografia de Mário de Andrade). A Flip 2015 vai até domingo (5).
O ator Pascoal da Conceição invadiu a mesa de abertura da Flip 2015 vestido de Mário de Andrade (Foto: Cauê Muraro/G1)
Cauê Muraro, Do G1, em Paraty. 01/07/2015 21h04 - Atualizado em 01/07/2015 22h11
Mário de Andrade, o agitador cultural que era trezentos
O escritor brasileiro, homenageado da Festa Literária de Paraty, tem pela primeira vez uma biografia. Sabemos agora como era a sua voz, a sua imagem em movimento e uma sua famosa carta interdita “saiu do armário”.
No ano em que Mário de Andrade (1893-1945) é o autor homenageado da Festa
Literária Internacional de Paraty (FLIP), quando passam 70 anos depois da sua
morte e a alguns meses da entrada da sua obra em domínio público, em Janeiro de
2016, aquele que é considerado o “papa do modernismo brasileiro” tem finalmente
uma biografia.
Chama-se Eu sou Trezentos, título retirado
de um dos poemas do livro Remate de males (1930) - “Eu sou
trezentos, sou trezentos-e-cinquenta/ Mas um dia afinal eu toparei comigo...” -
e quer mostrar a diversidade da sua personalidade e da sua obra.
“Geralmente esta diversidade era seguida de um
esforço de unificação. Mas Mário de Andrade também experimentou a atracção da
dispersão e até anulação de si mesmo”, explica ao PÚBLICO Eduardo Jardim, autor
da biografia que acaba de ser publicada no Brasil, pelas Edições de Janeiro.
Mário de Andrade pertenceu ao grupo de modernistas que
participaram da Semana de Arte Moderna de 1922 que pretendia copiar, em São
Paulo, os festivais de arte que os franceses faziam no Verão. Depois deste
acontecimento, um grupo de artistas entre os quais os escritores Mário de
Andrade e Oswald de Andrade, as artistas plásticas Tarsila do Amaral e Anita
Malfatti e o poeta Menotti del Picchia formaram o que ficou conhecido como
“Grupo dos Cinco”.
O crítico literário brasileiro Alceu Amoroso Lima,
amigo de Mário de Andrade, dizia que ele “estava talhado fisicamente para agitador”.
No entanto para Eduardo Jardim, “o agitador nasceu em 1917, ano inaugural do
modernismo no Brasil, e perdeu todo o vigor no final de 1937, com a instauração
do Estado Novo”. Mas durante esses 20 anos, que vão de uma data a outra, Mário
de Andrade foi a figura central da vida intelectual do país.
Na biografia que acaba de publicar, Eduardo Jardim
defende que “nenhum escritor, nunca mais, teve como ele tanta importância como
artista, como formulador de uma interpretação do Brasil e como animador cultural”.
Ao PÚBLICO, explicou porquê. Primeiro, porque Mário de
Andrade elaborou o programa de renovação estética no “primeiro tempo” do
modernismo brasileiro em que se tratava de incluir o Brasil no cenário
artístico moderno. “Foi um período de intenso contacto com as vanguardas
europeias”, diz.
Por outro lado, também foi responsável pela
“reorientação do modernismo na direcção de uma afirmação dos traços
propriamente nacionais nas artes e na cultura”. Mário de Andrade acompanhou o
movimento de radicalização política nos anos 1930 e 1940 e a sua actividade
como gestor cultural, na direcção do Departamento de Cultura de São Paulo, foi
também importante: “Seu desafio foi fazer uma arte brasileira com uma linguagem
muito moderna. Lembra, de algum modo, Joyce, na Irlanda, com preocupações
semelhantes. Foi até hoje o escritor brasileiro com a visão mais ampla e
diversificada. Explorou todos os géneros. Teve uma compreensão muito aguda da
vida brasileira e do projecto moderno”, acrescenta o biógrafo, que está entre os
convidados da 13ª edição da Festa Literária em Paraty.
Esta quarta-feira à noite, o investigador para quem há
duas fases da vida adulta de Mário de Andrade - o período de agitador do
modernismo (1917-1937) e o das revisões da sua própria história e do movimento
modernista (1938 a 1945) – participa na sessão de abertura do festival
literário intitulada “As Margens de Mário”, ao lado da crítica literária
argentina Beatriz Sarlo e de Eliane Robert Moraes, professora de literatura da
Universidade de São Paulo que organizou a primeira Antologia da Poesia
Erótica Brasileira (ed. Ateliê), que vai ser lançada durante a FLIP.
Autor múltiplo e contraditório
Quando perguntámos a este investigador e bolseiro da Fundação Biblioteca
Nacional, depois de ter sido 40 anos professor da Pontifícia Universidade
Católica (PUC-Rio), como é possível que aquele que é considerado um dos mais
importantes intelectuais brasileiros só agora tenha uma biografia, e se é
verdade que Mário de Andrade era considerado um autor impossível de biografar
por se ter medo de processos judiciais pela divulgação de factos relativos à
sua opção sexual, Eduardo Jardim afirma que não.
Acredita, sim, que é difícil tratar de Mário de
Andrade pelo facto de este ser um autor múltiplo e até muitas vezes contraditório.
“É preciso acompanhar com muita simpatia uma personalidade tão rica e ao mesmo
tempo ser crítico”, diz o autor de Eu Sou Trezentos – Vida e Obra de
Mário de Andrade. E lembra que há muitos estudos sobre o autor de Pauliceia
Desvairada, alguns com preocupação biográfica, mas sempre abordando
períodos ou aspectos da biografia.
“Não acho que a homossexualidade tenha sido um
impedimento. Nunca tive problemas para abordar este assunto ou qualquer outro.
No caso da família de Mário, fui generosamente acolhido. Mas nunca sequer
pensei em pedir autorização para escrever sobre qualquer coisa. Nem entendo
como um escritor pode ter esta preocupação. Mário de Andrade denunciou muitas
vezes a hipocrisia no tratamento destes temas e as frustrações da repressão sexual.
Temos que nos inspirar nele”, diz o biógrafo que, no seu livro, comenta
passagens da obra de Mário de Andrade relativas à homossexualidade que aborda
no contexto da personalidade do escritor. “A obra mais destacada no tratamento
do amor entre homens é o contoFrederico Paciência, escrito ao longo de
quase vinte anos, publicado emContos Novos”, lê-se na pág. 135 da
biografia.
A carta que saiu do armário
Mas todo o sururu à volta da sexualidade de Mário de Andrade acalmou na
quinta-feira, dia 18 de Junho, quando um excerto de uma carta enviada por Mário
de Andrade ao seu amigo, o escritor Manuel Bandeira, datada de 7 de Abril de
1928, foi finalmente revelada. Como disse, na altura, o escritor e jornalista
Humberto Werneck ao jornal Folha de São Paulo: “A famosa carta
proibida de Mário de Andrade saiu do armário – e isso não muda nada na sua
imagem e na sua obra. Mas finalmente põe fim às murmurações em torno de uma
questão que a pudicícia e a repressão só fizeram hipertrofiar”.
A carta que está depositada na Fundação Casa de Rui
Barbosa desde 1978, e que em parte já tinha sido publicada pelo poeta Manuel
Bandeira sem alguns parágrafos, estava interdita à consulta aos investigadores
por ser considerada do foro íntimo. Foi agora tornada pública depois de um
pedido de um jornalista da revista Época apoiado na Lei de
Acesso à Informação e por deliberação da Controladoria Geral da União (órgão do
Governo Federal responsável pela defesa do património público, transparência e
combate à corrupção), depois de uma disputa na justiça e de a consulta ter sido
anteriormente interditada pelo Ministério da Cultura.
Nela Mário de Andrade escreve ao amigo Manuel
Bandeira: "Mas em que podia ajuntar em grandeza ou milhoria pra nós ambos,
pra você, ou pra mim, comentarmos e eu elucidar você sobre a minha tão falada
(pelos outros) homossexualidade? Em nada. Valia de alguma coisa eu mostrar o
muito de exagero que há nessas contínuas conversas sociais? Não adiantava nada
pra você que não é indivíduo de intrigas sociais. Pra você me defender dos
outros? (...) Mas si agora toco neste assunto em que me porto com absoluta e
elegante discrição social, tão absoluta que sou incapaz de convidar um
companheiro daqui, a sair sozinho comigo na rua (veja como eu tenho a minha
vida mais regulada que máquina de previsão) e si saio com alguém é porquê se
poderia tirar dele um argumento para explicar minhas amizades platónicas, só
minhas. Ah, Manú, disso só eu mesmo posso falar, e me deixe que ao menos pra
você, com quem apesar das delicadezas da nossa amizade, sou duma sinceridade
absoluta, me deixe afirmar que não tenho nenhum sequestro não. Os sequestros
num caso como este onde o físico que é burro e nunca se esconde entra em linha
de conta como argumento decisivo, os sequestros são impossíveis. Eis aí uns
pensamentos jogados no papel sem conclusão nem sequência. Faça deles o que
quiser".
Eduardo Jardim não ficou surpreendido com o conteúdo
da carta agora revelado. “A novidade da carta é que ela menciona a
impossibilidade para qualquer um de negar sua preferência sexual. A carta é de
grande beleza e traduz a nobreza de carácter de Mário de Andrade. A imprensa, é
claro, explorou muito esta história, mas quem conhece Mário de Andrade e é seu
leitor não se impressionou muito”, diz ao PÚBLICO.
No entanto, o biógrafo diz que foi bom este episódio
ter ocorrido para se chamar atenção para o facto de que os arquivos de uma
instituição pública devem ser acessíveis a todos. “Passado o episódio podemos
nos ocupar de todos os temas importantes levantados por Mário”, conclui.
A voz, o corpo e a casa
Ao longo dos últimos meses, que antecederam a Festa Literária Internacional de
Paraty o curador Paulo Werneck tem visto muita movimentação em torno de Mário
de Andrade. Recorda, por exemplo, que recentemente foi revelada a primeira
gravação da sua voz, cantando cantigas folclóricas do Nordeste. O áudio, uma
gravação que foi realizada no Rio de Janeiro em 1940, foi localizado pelo
musicólogo Xavier Vatin, na Universidade de Indiana, nos Estados Unidos.
O “agitador cultural” canta acompanhado pela voz da escritora Rachel de
Queiroz e da pintora Mary Pedrosa canções populares (Zunzum, Deus
lhe pague a santa esmola e Toca zumba) para o linguista
norte-americano Lorenzo Turner. Os áudios, lado A e lado B, podem
descarregar-se gratuitamente no Instituto de Estudos Brasileiros.
Também foi agora recuperado Architectura
Modernista em S. Paulo, um documentário de arquitectura brasileira que
mostra a inauguração da casa modernista da rua Itapolis, projecto do arquitecto
Gregori Warchavchik, em 1930. Na abertura da Exposição de uma Casa
Modernista, dedicada à casa de Warchavchik, entre outras personalidades da
época, compareceu Mário de Andrade, sendo este o único registo de imagem em
movimento do escritor. O filme foi encontrado no acervo da Biblioteca da
Faculdade de Arquitectura e Urbanismo de São Paulo e pode ser visto na
Intermeios. É a preto e branco, sem som, uma produção Rossi Film. Ea casa onde Mário de Andrade viveu no final da sua vida, na rua Lopes Chaves,em São Paulo, foi restaurada e transformada em um pequeno museu.
Livros inéditos, como o romance Café, em
que trabalhou durante anos, foram lançados pela editora Nova Fronteira e além
da biografia de Jardim está a ser preparada outra por Jason Tércio, que se
chamará As Vidas de Mário de Andrade.
O investigador Eduardo Jardim acha que nunca houve uma
Festa Literária Internacional de Paraty em que a figura do homenageado fosse
tão discutida. É uma excelente oportunidade para rever a importância de Mário
de Andrade. “Temos que nos aproximar dele, mas, é claro, sabendo que não somos
seus contemporâneos. Suas preocupações são ainda nossas - a invenção permanente
em arte, a singularidade da cultura brasileira, o conteúdo social da arte - mas
temos que formular tudo isso com critérios nossos”, conclui o biógrafo.
ISABEL COUTINHO (em Paraty), Público, 01/07/2015 - 13:34