terça-feira, 28 de outubro de 2014

TEU NAMORADO DE 16 ANOS NÃO É NERVOSO, É UMA BESTA


Enviar-te 35 mensagens durante o dia a dizer que te ama e a perguntar onde estás não é uma prova de amor. É uma prova de que ele é um controlador e que, se tu deixas que ele o faça e não pões um travão a tempo, a coisa só vai ter tendência para piorar ainda mais.


Fazer-te perguntas sobre dinheiro não é indício de estar atento aos tempos difíceis em que vivemos, e reflexo de uma educação de poupança. Falar muitas vezes disso indica, isso sim, que um dia ele vai querer controlar o teu dinheiro. Aliás, se dependesse dele, era ele que geria já a tua mesada. Quanto gastas. Quando gastas. Em que gastas. Quando deres por ti, estarás a pedir-lhe autorização para comprar coisas para ti.


Pedir a password do teu e-mail ou da tua conta de Facebook não é sinal de que vocês nada têm a esconder um do outro. Não é sinal de que, entre vocês, tudo é um livro aberto. Mesmo que ele insista em dar-te a password dele. Isso é um sinal de desconfiança permanente. E um passo grande para o fim da tua privacidade. Sabes o que é privacidade, certo? É uma zona tua, onde mais ninguém entra. A não ser que tu queiras.


Os comentários sobre a roupa que usas ou o novo corte de cabelo não revelam um ciuminho saudável. Revelam que é ciumento. Ponto. Pouco lhe importa se tu gostas daquele top, daqueles calções ou daquelas calças apertadas. Entre os argumentos usados, talvez ele diga que já não precisas de te vestir assim, porque isso atrai a atenção de outros rapazes e tu já tens namorado. Se não fores capaz de lhe dizer, na altura, que te vestes assim porque te apetece, não para lhe agradar, pensa que este é o mesmo princípio que leva muitas sociedades a obrigar as mulheres a usar burka… Não é exagero. Controlar o que tu vestes é exatamente a mesma coisa.


Perguntar-te a toda a hora quem é que te telefonou ou ver o teu telemóvel, à procura das chamadas feitas e atendidas e das mensagens enviadas e recebidas não é um reflexo de pequeno ciúme. É um sinal de grande insegurança. Faças tu o que fizeres, dês tu as provas de amor que deres (na tua idade, o amor ainda tem muito para rolar, mas tu perceberás isso com o tempo), ele sentirá sempre que é pouco. E vai querer mais, e mais. E tu terás cada vez menos e menos.


Apertar-te o braço com mais força num dia em que se chatearam e lhe passou qualquer coisa má pela cabeça não é um caso isolado e uma coisa que devas minimizar porque ele estava nervoso. Aconteceu daquela vez e é muito, muito, muito provável que volte a acontecer. Um dia ele estará mais nervoso. E a marca no teu braço será maior. E mesmo que ele «nunca tenha encostado um dedo» em ti, a violência psicológica pode ser tão ou mais grave do que a física.

battered disney prince

Gostar de ti mas não gostar de estar com os teus amigos não é amor. É controlo. E é errado. O isolamento social é terrível.Continuar a telefonar-te insistentemente depois de tu teres dito que queres acabar a relação, ou encher-te o telemóvel com mensagens a pregar o amor eterno, não significa que ele esteja a sofrer muito. Significa, sim, uma frustração em lidar com a rejeição. E se pensares em voltar para ele, pensa que da próxima vez que isso acontecer ele vai telefonar-te mais vezes. E enviar-te mais mensagens.


Guardares estas coisas para ti não é um sintoma da tua timidez. Não quer dizer que sejas reservada. É uma estratégia de defesa tua. E um pouco de vergonha, à mistura, não é? E que tal partilhares isso? Ficarias espantada com a quantidade de amigas tuas que passam por situações semelhantes.


Talvez a sua filha não leia isto. Mas que tal mostrar-lhe, para ela pensar um pouco?

PAULO FARINHA
Publicado originalmente na edição de 23 de junho de 2013
http://www.noticiasmagazine.pt/2014/o-teu-namorado-de-16-anos-nao-e-nervoso-e-uma-besta/

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

O Rapaz da Camisola Verde

O primeiro fado assumidamente gay

Fernando Dacosta, O botequim da liberdade, 2013








De mãos nos bolsos e olhar distante
Jeito de marinheiro ou de soldado
Era o rapaz da camisola verde
Negra madeixa ao vento, boina maruja ao lado

Perguntei-lhe quem era, e ele me disse:
Sou do monte, senhor, um seu criado
Pobre rapaz da camisola verde
Negra madeixa ao vento, boina maruja ao lado

Porque me assaltam turvos pensamentos
Na minha frente estava um condenado
Vai-te rapaz da camisola verde
Negra madeixa ao vento, boina maruja ao lado

Ouvindo-me, quedou-se altivo o moço
Indiferente à raiva do meu brado
E ali ficou de camisola verde
Negra madeixa ao vento, boina maruja ao lado

Soube depois, ali, que se perdera
Esse que só eu pudera ter salvado
Pobre rapaz da camisola verde
Negra madeixa ao vento, boina maruja ao lado



Letra: Pedro Homem de Melo 
Musica: Frei Hermano da Câmara 
Intérprete: Amália Rodrigues




domingo, 31 de agosto de 2014

Balanço de três anos da Pride Azores

Pride Azores logotipo



Balanço de três anos da Pride Azores


A Associação LGBT (lésbica, gay, bissexual, transgénero) Pride Azores foi criada com o objetivo de trabalhar o combate à forte homofobia que se manifesta sob várias formas nos Açores, consequente de medos, desconhecimento e ignorância.

O preconceito com base na orientação sexual na região é, depois da discriminação de género, aquela que mais se faz sentir. Para além da discriminação existente na lei, que impede as pessoas LGBT de terem direitos civis na plenitude, o conservadorismo existente nos Açores só permite que as pessoas sejam socialmente aceites quando estas omitem as suas identidades.

Ao longo dos últimos três anos, a associação Pride Azores trabalhou em prol da visibilidade da diversidade sexual e identidade de género. Essa mesma visibilidade trouxe à tona também a homofobia e repressão exercida por parte de vários sectores sociais.

Neste balanço de três anos, podemos afirmar com toda a convicção, pelas experiências e situações que fomos vivendo e acompanhando que muitas dezenas, se não centenas das pessoas que iniciaram um caminho para a afirmação das suas sexualidades recuaram neste mesmo caminho depois de se confrontarem com situações de pressão, sob forma de ameaças subtis pondo em causa os seus postos de trabalho, projectos sociais ou relações pessoais. Outras ainda, não querendo recuar no caminho iniciado, e como tantas centenas nas décadas passadas, procuraram a sua liberdade fora da região.

Fazemos agora esta chamada de atenção a todas as entidades governamentais e não-governamentais, educadores, comunicação social e famílias, para a mudança urgente da sociedade atual. Não pode ser aceitável que se continue a educar para o ódio e preconceito em vez de se educar para o amor e o respeito. Que legado social é este que vamos deixar às futuras gerações? Continuar a dizer-lhes que vão embora se querem liberdade e paz social porque nos Açores não conseguem?
É urgente agir agora para que todos os passos sejam dados em frente.
A Pride Azores continuará na luta pela liberdade, contra todos os preconceitos.

Cassilda Pascoal & Terry Costa
Associação LGBT Pride Azores




As Marchas do Orgulho Gay ou L.G.B.T. (Lésbica, Gay, Bissexual e Trans): PORQUÊ?

Há pessoas por aí que ao se depararem com Marchas do Orgulho Gay, quer seja pela televisão, quer seja ao vivo, comentam o seguinte com desprezo:
- Mas porque é que preciso de ver esta vexameira? Porque é que agora preciso de ver e de saber quem é que é gay ou deixa de ser? Isso diz respeito a cada um e ninguém tem nada a haver com isso! Oh francamente!
A gente como essa, incluindo a ti que estás a ler isto e que pensas da mesma maneira, respondo com a seguinte piada: Sabes qual é a diferença entre uma criança negra e uma criança homossexual?
É que a criança negra não precisa de dizer aos pais que é negra.
Não perceberam?
Então vou ser mais específico: é necessária a existência de marchas como estas para as pessoas verem/aperceberem-se de que o "fenómeno" gay, é muito mais numeroso que o que pensam e conhecem e que MUITA gente, muito mais do que pensam e que conhecem são na realidade ou homo ou bissexual ou trans.
Pode ser o filho, o pai, a mãe, um avó, o melhor amigo, o vizinho do lado, o colega do serviço da frente, um profissional de saúde que conheçam ou que até venham a conhecer.
Nós estamos por todo o lado. Vocês é que não nos vêem porque têm medo da diferença e também não nos vêem porque alguns de nós, ensinados pelo medo, tornaram-se grandes, mas tristes, e se for preciso até hipócritas, actores.
Mas é por isto mesmo que estas marchas existem: que é para mudar isso. É para dar visibilidade e mostrar às pessoas que ainda há esperança e que se consegue viver, ainda que com problemas e desafios, a vida sendo-se diferente.
É como os ensinamentos de Cristo: com O PAI, a vida não correrá sem problemas porque Paraíso, só no Céu. Mas com ELE tudo se torna mais fácil.
O mesmo se passa com as marchas: com elas mostra-se que, AINDA COM PROBLEMAS por ter-se nascido E NÃO ESCOLHIDO (conforme certas pessoas pensam ao dizer «OPÇÃO SEXUAL» ao invés de «ORIENTAÇÃO SEXUAL») ser diferente, consegue-se viver a vida e lutarmos pelos nossos objectivos nesta breve existência.
A Marcha É MUITO MAIS QUE UMA MARCHA. É uma luta pelos direitos, visibilidade E NÃO de esfregar na cara de quem quer que seja que alguém é isto ou aquilo.
É mostrar às pessoas que elas não têm a culpa da forma como DEUS lhes fez, que são iguais às outras, que merecem os mesmos direitos, que merecem ser felizes e sobretudo, É LUTAR POR UM MUNDO MELHOR!
E se após este testamento, ainda não tenhas percebido o PORQUÊ das Marchas, então faz este breve exercício: fecha os olhos durante uns 10 segundos e imagina o quão "fácil" seria a tua vida se fosses homossexual, bissexual, transgénero ou transsexual.
Obrigado pela tua atenção.


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sábado, 9 de agosto de 2014

piel a piel

Second Skin (Segunda piel)



Tenías un buen tiempo de no visitarme en mis sueños, hasta que anoche te apareciste otra vez. Dormías, y me soñabas, y yo veía que me soñabas... Entonces lo supe, somos dos idiotas que se extrañan, derrochando en sueños lo que podríamos aprovechar piel a piel.