quarta-feira, 2 de março de 2016

O Sexo Inútil

Ana Zanatti:“Nunca andei escondida, nunca fiz questão de andar com bandeiras”

O Sexo Inútil marca a estreia de Ana Zanatti no ensaio. Homossexualidade na primeira pessoa, sem capa de ficção.
O Sexo Inútil é o primeiro ensaio de Ana Zanatti, que se estreou na literatura em 2003, com Os Sinais do Medo, e desde então assinou seis livros, quase todos em torno das minorias sexuais e de género, incluindo a história infantil Teodorico e as Mães Cegonhas (2011) DANIEL ROCHA


“Muito se irá dizer e escrever sobre este livro”, vaticina Lídia Jorge no posfácio. Escrito na primeira pessoa, em tom de ensaio, O Sexo Inútil, de Ana Zanatti (n. 1949), é inédito a vários títulos. Desde logo, na forma. Quanto se saiba, é a primeira vez que uma autora portuguesa reúne em livro um conjunto de testemunhos, seus e de outros, sobre experiências de discriminação homo e transexual.
Inéditas, também, são as circunstâncias: uma mulher com exposição pública que não recorre à ficção para falar de homossexualidade – ainda que o livro, por lapso da editora (assim foi explicado ao Ípsilon), contenha a referência “ficção” na terceira página.
Ainda assim, o livro contém os lugares-comuns da abordagem portuguesa à sexualidade, mas isso não recai sobre autora, que, aliás, deixa o sublinhado: “De entre as personalidade ‘públicas’ a quem pedi um curto testemunho assinado, diversas, por justificações pessoais e profissionais, hesitaram. Não insisti. Respeito os motivos de cada um” (p. 436).

Antes de o livro chegar às lojas e ser apresentado no festival literário Correntes d’Escritas, na Póvoa do Varzim, Ana Zanatti conversou com o Ípsilon e explicou a obra. Relativiza a questão das figuras públicas que não participaram e que, ao contrário dos muitos anónimos incluídos, teriam de dar o nome – era precisamente a dupla condição de notáveis e assumidos que Ana Zanatti procurava.
“As pessoas não se recusaram, não queriam era que eu colocasse o nome delas”, começa por dizer. “Algumas pessoas interessavam-me por terem profissões que as tornaram públicas, para não ser eu a única pessoa a falar de si, a dar o nome e a cara. Compreendo e respeito inteiramente essa posição. Elas é que sabem qual o tempo de falarem de si aos outros e de falarem publicamente das suas histórias mais íntimas. Não tenho que julgar.”
Por fim, de entre personagens públicas, constam apenas, sob a forma de depoimento breve, o escritor Eduardo Pitta e os professores universitários Fernando Cascais e Miguel Vale de Almeida – todos homens, vale a pena sublinhar o óbvio.
Com uma declaração de louvor na contracapa, surgem a deputada Isabel Moreira e a jornalista São José Almeida, sendo o prefácio do professor Viriato Soromenho-Marques e o posfácio, como já ficou dito, da escritora Lídia Jorge.
“As pessoas sentem que existe preconceito e discriminação, temem de alguma forma ser prejudicadas, pessoal e profissionalmente”, prossegue a autora, em conversa nos escritórios da editora Sextante, na zona de Benfica, em Lisboa.
Mas serão esses temores reais ou fantasmáticos? “Na maior parte dos casos, são reais”, responde. “As estatísticas mostram-no: há ainda nas escolas, nos empregos e nas famílias muitas pessoas que não encaram esta questão com a naturalidade com deve ser encarada. Um estudo de 2012 [da Agência dos Direitos Fundamentais da União Europeia] mostra que entre 93 mil inquiridos 67% presenciaram no local de trabalho comentários ou atitudes negativas em relação aos colegas que sabiam ser homossexuais.”
Volume de 519 páginas, cuja profusão de narrativas torna a leitura rápida, O Sexo Inútil arranca com Virginia Woolf em epígrafe: “Os olhos dos outros, as nossas prisões; os pensamentos deles, as nossas jaulas.” É o resumo do que a autora pretende: “Reflectir sobre a dignidade e o preconceito. É isso que me leva a escrever este livro, porque acho que o preconceito conduz a actos discriminatórios que atentam constantemente contra a dignidade das pessoas.”
Misto de reportagem e autobiografia, a estrutura de O Sexo Inútil assenta na troca de correspondência que Ana Zanatti manteve durante pouco mais de um ano com Joana, pseudónimo de uma estudante de medicina de 21 anos, que culpa a família conservadora e autoritária por não ser capaz de fazer as suas escolhas, incluindo no campo sexual.
Conheceram-se em Dezembro de 2012, quando Ana Zanatti participava numa sessão de autógrafos. Joana contactou-a depois, através do Facebook e, inesperadamente, iniciaram uma troca de correio electrónico, que o livro colige, com a devida edição. Tornaram-se amigas e confidentes, com a autora a assumir-se orientadora da jovem desesperada, ou talvez a reviver-se através desse papel, pois Joana é quase um alter-ego.
“Antes de esta miúda aparecer no horizonte, já tinha ideia de fazer um livro sobre a dignidade e o preconceito”, explica. “Acontece que em 2012 esta jovem me pediu auxílio e tentei responder ao pedido dela. A nossa correspondência acabou por servir como fio condutor do livro, é a pequena história que se vai desenrolando. Vamos vendo à lupa o trajecto deste miúda, que poderia ser o de outra pessoa nas mesmas dificuldades.”
Joana vive um quadro familiar de solidão e incompreensão. Mesmo sendo uma jovem adulta, urbana e informada, vê o núcleo familiar como impedimento à sua auto-determinação e fica paralisada com medo, incapaz de desistir do curso de medicina, de que não gosta, ou de viver a sua orientação homossexual. Torna-se,a espaços, uma personagem desconcertante, em busca de condescendência ou hiperprotecção.
A autora perscruta a delicadeza da fragilidade e deslinda esse desconcerto: “Ela tem uma família que permanentemente faz comentários homofóbicos à frente dela. É uma jovem que gosta dos pais e não os quer decepcionar. A família é o primeiro contacto que a pessoa tem com o mundo, se esse primeiro contacto é logo negativo em relação a uma questão destas, é natural que a pessoa interiorize o próprio preconceito. É horrível.”
DANIEL ROCHA


Ainda a propósito da hiperprotecção, e perante o argumento de que o mesmo sistema que nega a auto-determinação aos homossexuais (através do preconceito instalado, independentemente das garantias legais), pode também ser o sistema que obriga as pessoas a verem-se como vítimas e não protagonistas da sua vida, Ana Zanatti argumenta.
“Também falo disso no livro. Batalho muito com a Joana sobre isso: o papel que cabe a cada um para não deixar que a sua dignidade, a sua essência, o seu ser mais profundo e inteiro, seja danificado pelo olhar dos outros. Mas isso não é fácil. Não quero ter, nem tenho, um olhar crítico em relação às pessoas que têm dificuldade em fazer isso. Todos nós gostamos de agradar, todos gostaríamos de agradar às pessoas, não gostamos de ser apontados, criticados, olhados de lado, gozados... Ou as pessoas têm uma auto-estima à prova de bala ou então sucumbem, ficam com medo.”
O meu diário
Em paralelo com a história de Joana, o livro apresenta relatos e depoimentos de outros homens e outras mulheres que vivem, ou viveram, experiências sentidas como problemáticas em torno da homossexualidade e da transexualidade (ainda que orientação sexual e identidade de género sejam temas diversos). A autora recebeu algumas dessas pessoas em casa, indicadas por associações como a Amplos - Associação de Mães e Pais pela Liberdade de Orientação Sexual. Gravou as conversas, transcreveu-as e apresenta-as com pseudónimos e autorização dos visados.
Surgem, ainda, excertos do diário adolescente de Ana Zanatti, de entre 1960 a 1968. “No decorrer da minha correspondência com ela, ao ver este caso tão de perto, comecei a pensar como é que decorridos tantos anos, os que me separam desta nova geração, mais de 40, ainda existe todo este sofrimento”, justifica. “Foi a partir daí que tive curiosidade de ver como é que eu desabafava há 40 anos no meu diário.”
Neste particular, o livro é revelador. Alguém que em quase 50 anos como actriz e apresentadora de televisão sempre resguardou a privacidade, mostra agora uma dimensão íntima e antiga, os sentimentos amorosos, a relação com os pais, o abandono dos estudos e a saída de casa. Ao mesmo tempo, conclui-se que as dificuldades sentidas por Ana Zanatti na adolescência – ser mulher numa época de profundo machismo, procurar a emancipação, não querer casar, descobrir o encanto do feminino – não são muito diferentes das de Joana, no século XXI. Conclusão terrível?
“Não é uma conclusão terrível, é realista”, entende a autora. “O livro aponta para a esperança, dou exemplos bem sucedidos de pais com cartas extraordinárias para os filhos. A lei vai muito à frente da evolução das mentalidades, que não mudam por decreto. Se há hoje um entendimento muito maior sobre esta questão, há também muita discriminação, muito preconceito e muita ignorância.”
No sentido em que destaca a realidade homossexual em classes altas e reproduz a ideologia que incita as minorias sexuais a mimetizarem comportamentos “respeitáveis”, a obra pode ser considerada conservadora. A autora escreve mesmo, a propósito do Maio de 68, da Primavera de Praga e das filosofias do amor livre dos anos 60, que tinha, e tem, “fraco apelo por experiências radicais” (p. 464).
Veicula a ideia de que a uma pessoa homossexual deve comunicar esse facto à família, assim integrando melhor a característica identitária, e deve fazê-lo quando mantém uma relação amorosa monogâmica, para que a aceitação se dê. Talvez não pudesse ser outro o ponto de vista, atendendo ao grande público que o livro quer alcançar.
“O meu desejo é que seja lido pelo maior número de pessoas e não seja encarado como um livro sobre um grupinho minoritário de pessoas, os homossexuais, e apenas dirigido a esse grupo”, explica a autora. “Não é isso, de todo, antes pelo contrário. No meu entender, é para ser lido por todas as pessoas e quanto menos estiverem ligadas a esta questão, melhor. Porque de um dia para outro, qualquer um se depara com isso: porque um colega, um filho, um irmão se revelam. Toda a sociedade deveria estar preparada para lidar com as diferenças dos outros.”
O Sexo Inútil é o primeiro ensaio de Ana Zanatti, que se estreou na literatura em 2003, com Os Sinais do Medo, e desde então assinou seis livros, quase todos em torno das minorias sexuais e de género, incluindo a história infantilTeodorico e as Mães Cegonhas (2011).
Em 2009, ao integrar o Movimento pela Igualdade, que reivindicava a aprovação pelo parlamento do casamento entre pessoas do mesmo sexo, o que aconteceria em Janeiro de 2010, a actriz e escritora assumiu publicamente a sua orientação sexual. Foi durante uma sessão pública no cinema São Jorge, em Lisboa.
“Sempre estive inteira na minha vida e o estar inteira é uma forma de estar activa em relação a tudo o que penso e sou e sinto”, reflecte agora, quando lhe perguntamos se este livro a aproxima ainda mais do activismo. “Nunca andei escondida, nunca tive nada a esconder, nem nunca fiz questão de andar com bandeiras daqui para ali. Acho que a forma mais natural é sermos e estarmos como somos.”
 

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Top 5 exemplos históricos de que a homossexualidade sempre existiu

homossexualidade-pelo-mundo
 
 
 
A homossexualidade é muitas vezes considerada um comportamento “anormal”, mas a história mostra que estas considerações são bem recentes.
 
Vivemos em um mundo que está concedendo os mesmos direitos a todos, não importando sua orientação sexual – embora seja um processo lento. Alguns têm recusado publicamente este fenômeno, legislativamente necessário para a igualdade, chamando a homossexualidade e outras “opções não-tradicionais” de anormais, desumanas, indecentes, etc. Entretanto, a história mostra o contrário. Confira:
 
1 – Elites da Grécia e Roma
homossexualidade-pelo-mundo-Grecia
Estudar os clássicos, especialmente Platão, nos ensina que o caminho para a vida adulta na Grécia Antiga incluía a interação entre um mentor e um jovem aprendiz, ambos do sexo masculino, que ocasionalmente, seria sexual. O que podemos considerar hoje como pedofilia era visto como “amor-de-meninos“, ou a relação entre um adulto e um menino púbere que não seria considerado um adulto, até que fosse capaz de crescer uma barba cheia.
 
No entanto, havia também pessoas do mesmo sexo vivendo relacionamentos românticos na Grécia e Roma antigas quando já adultos. No século IV a.C., por exemplo, uma tropa grega formada exclusivamente por bi e homossexuais assumidos, conhecida como “O Batalhão Sagrado de Tebas” foi considerado o melhor exército de Tebas. Documentos antigos comprovam que o Batalhão Sagrado foi formado por 150 casais do sexo masculino, porque seu amor mútuo e dedicação os fizeram lutar ferozmente.
 
2 – Índios americanos e o “Third Gender
Durante os séculos XVII e XVIII, no Vale do Mississippi, houve um terceiro gênero conhecido pelos americanos nativos. Os franceses consideravam-lhes berdaches, um termo depreciativo cujo significado seria algo como “macho-meretriz”. Hoje, acadêmicos e estudiosos usam palavras como “Two-Spirit” (duas-almas) ou “Third Gender” (terceiro gênero/sexo) para descrever essas pessoas.
 
Historiadores e etnógrafos observaram que estes indivíduos fisicamente masculinos assumiram trabalhos femininos tradicionais, travestidos de mulheres e envolvidos em relacionamentos com outros homens. Eles desempenharam um papel vital, muitas vezes sagrado na comunidade. Escreveu o antropólogo Walter Williams sobre o assunto:
“Berdaches tinham um reconhecimento especial na sociedade nativa não por eles terem se tornado fêmeas sociais, mas por tomarem uma posição entre os sexos. Eles serviam de intermediários entre mulheres e homens, em mais do que apenas um sentido social. Eles não são considerados iguais aos homens e mulheres, a sua diferença enfatizada é uma maneira de definir o que as mulheres são, e que os homens são.”
 
Sua androginia, ao invés de ameaçar o sistema de gênero, foi incorporada a ele. Eles eram comuns em diversas tribos americanas.
 
3 – Casamentos entre mulheres na Nigéria
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Hoje, o lesbianismo na Nigéria pode levar à prisão ou mesmo à pena de morte. Menos de cem anos atrás, no entanto, alguns dados foram coletados na Nigéria (e de outras partes da África), revelaram terem existido “casamentos” entre as mulheres. O estudioso Hleziphi Naomie Nyanungo, diz que é interessante notar que o “casamento de mulheres” para eles, significa a uma união do mesmo sexo:“Não é união lésbica, porque geralmente não há atração e/ou envolvimento sexual entre as partes.”
 
Nyanungo continua a dizer que esses casamentos eram arranjados para garantir que as mulheres pudessem exercer influência social. “Tradicionalmente, o casamento de mulheres serviu como um meio pelo qual as mulheres exerciam influência em sociedades onde a herança e sucessão passavam através da linha masculina”, escreveu Nyanungo. “Em tais sociedades, o casamento de mulheres tornava alcançável status social como chefe da família.”
 
Nestes casamentos, as mulheres ricas se casariam com meninas jovens, permitindo que os seus amantes masculinos e outros homens tenham relações com as meninas, às vezes em troca de presentes. O propósito de convidar os amantes do sexo masculino na equação era produzir filhos, algo que as duas mulheres sozinhas jamais conseguiriam.
 
4 – As tribos de Papua-Nova Guiné
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A tribo Etoro, na Nova Guiné, é conhecida por sua crença de que a “força da vida” de cada homem está contida no sêmen. Assim como na Grécia antiga, rituais sexuais têm meninos em felação com homens mais velhos, passando, assim, a força de uma geração para a seguinte.
 
Isso tem o efeito de privilegiar o status de um macho sobre uma mulher, a tal ponto que a relação heterossexual é proibida por até 260 dias do ano, além de não poder ser realizada em ou perto de suas casas e hortas. Já as relações homossexuais são permitidas a qualquer momento como o intercâmbio de “força da vida” sendo acreditado como viabilizador de boas colheitas.
 
No mesmo país, a tribo Marind, também conhecida por suas práticas canibais, acredita, como o Etoro, no conceito do sêmen como força vital e costuma utiliza-lo em ritos antes do casamento heterossexual. A tribo Sambia, também em PNG, tem crenças e práticas semelhantes.
 
Claro, deve-se notar que esta versão da homossexualidade não poderia ser mais distante geografica, pratica, e filosoficamente do debate por direitos dos homossexuais nos Estados Unidos e na Europa.
 
5 – França Medieval e Europa Pré-Moderna
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Um relatório de 2007 no Journal of Modern History mostrou que casais do mesmo sexo na França Medieval poderiam, por meios de um contrato juridicamente legal de “irmandade/fraternidade”, compartilhar a mesma casa, propriedade e vida.
 
Embora o contrato, por vezes, referir-se exclusivamente aos irmãos, o relatório também observou que, em certas ocasiões, estes contratos domésticos compartilhados poderiam referir-se a pares não consanguíneos. Essas uniões eram estritamente seculares, não religiosas. No acordo, ambas as partes serviam de herdeiro um do outro.
 
A prática também é documentada no resto do continente, especialmente nos países mediterrâneos. Acordos semelhantes foram realizadas em toda a Europa pré-moderna, e alguns tinham componentes religiosos, como o escritor e advogado Eric Berkowitz escreveu: “No período até aproximadamente o século XIII, cerimônias de união entre homens foram realizadas em igrejas por todo o Mediterrâneo. Essas uniões foram santificadas por padres, com muitas das mesmas preces e ritos usados ​​no casamento. As cerimônias salientavam o amor e compromisso pessoal acima da procriação, entretanto, casais que se uniam em tais liturgias, provavelmente tiveram relações sexuais tanto (ou tão pouco) quanto seus homólogos heterossexuais.”
 
Muito tem sido escrito sobre como esses matrimônios eram tidos mais como parceria doméstica do que como um casamento entre o mesmo sexo, por isso é difícil afirmar definitivamente que o casamento do mesmo sexo era comum em toda a Europa na época.
 
De qualquer forma, a história deixa claro que, referente às parcerias, o “tradicional”, ou “conservador”, pode significar mais do que apenas um homem e uma mulher.
Rafael Fernandes, 2016-02-12


sábado, 26 de dezembro de 2015

10 dicas que podem salvar a sua relação

 
 


Por muito apaixonados que estejamos, todos sabemos que uma relação amorosa dá trabalho. Principalmente quando ‘apostamos’ nela e achamos que terá futuro. 

Por isso mesmo, o SOL fez uma lista de dez dicas que o podem ajudar a ‘salvar’ uma relação. Claro que esta não depende totalmente dos pontos referidos mais abaixo, mas são estes pequenos detalhes que podem fazer a diferença entre uma relação aborrecida e pronta para se desfazer e uma entusiasmante, baseada na cumplicidade e no respeito.

1.    Pensar antes de falar: Todos nós sabemos que certas expressões ou frases podem magoar mais um do que outros. E por conhecermos tão bem o nosso parceiro, pode haver tendência para ‘atacar’ com o que mais ‘perfura’. Pense bem antes de usar essas palavras, pois os efeitos podem ser irreversíveis. Mesmo que estejamos muito em baixo e decepcionados com a atitude do outro, nada justifica magoar ainda mais a pessoa de quem tanto gostamos.

2.    Não recorrer ao silêncio: Uma boa relação assenta em vários pilares. Mas há um deles que é bastante importante – e muitas vezes esquecido: a comunicação. Não vale a pena deixar de falar com o seu companheiro. Para além de acabar por não atingir os seus objectivos (sejam eles quais forem), este ‘tratamento’ vai acabar por forçar uma distância entre as duas pessoas. Se não quer encarar o outro – muitas vezes, é difícil dizer algumas coisas cara-a-cara logo após uma discussão – deixe-lhe um post-it, envie um e-mail ou uma SMS, mas não deixe nada por dizer, nem faça com que a outra pessoa sofra na ignorância.

3.    Pôr-se na pele do outro: É mais fácil falar do que praticar. Mas a verdade é que resulta. Tente colocar-se no lugar do seu parceiro e veja por que razão ele/ela age de certa forma. Por que razão ele/ela se irrita tanto com a sua desarrumação ou por que fica tão nervoso com a presença de um dos seus amigos. Há sempre uma explicação para tudo. Em vez de partir logo para a discussão, calce os sapatos dele/a e tente perceber o porquê de haver tais reacções.

4.    Ser honesto/a: Parece um princípio básico, mas muitas vezes é esquecido. Diga aquilo que tem a dizer, de uma forma construtiva. Só assim é que uma relação será construída com base na confiança. 

5.    Oiça tudo: Quando começamos a desligar das conversas que temos com o nosso parceiro, é o ‘princípio do fim’. Esteja atento ao que lhe é dito, quer seja uma conversa banal ou algo mais profundo. Mostre interesse nas conversas… e não só.

6.    Aprecie cada detalhe…: Mostre também interesse pelas actividades desempenhadas pelo outro e pelas suas opiniões. Como se costuma dizer, ‘o amor está nos pequenos detalhes’ e são essas particularidades que distinguem a pessoa que ama dos demais.

7.    … E promova os detalhes: Não tem que ser só o outro a dedicar-se à relação. Ofereça pequenos presentes, combine jantares românticos, faça-lhe o almoço preferido dele/dela e acima de tudo mime-o/a. Não há nada melhor que mimos e os melhores são dados por aquela pessoa especial.

8.    Não grite: Não é por elevar a voz que vai ter mais razão. Para além disso, irá passar uma imagem agressiva e ninguém quer passar o resto dos seus dias com alguém que parece transformar-se no Hulk cada vez que as coisas correm mal. O melhor é sair da sala, escrever num papel o que sente e deixá-lo para que o outro leia. A outra pessoa vai sentir a sua frustração e perceber que ficou magoado/a, sem que seja necessário recorrer à violência.

9.    Não dizer nomes: Por incrível que pareça, esta é um ponto que tem que ser referido. Há casais que trocam palavrões entre si, sem ter noção da gravidade daquilo que estão a dizer. É falta de educação e não cultiva a cumplicidade e o respeito entre as pessoas, quer seja entre namorados, casados, familiares ou amigos.

10.    Amor, amor e mais amor: Ame o outro como se não houvesse amanhã. Ame de uma forma apaixonada e não caia na monotonia da rotina. Tente procurar coisas novas no outro com alguma regularidade e potenciá-las na sua relação (por exemplo, se ele/a for um excelente cozinheiro, incentive-o a continuar e a preparar pequenas refeições românticas). Uma relação só irá resultar se se dedicar a 100% à outra pessoa. Mas é essencial (imprescindível, até) que se ame também a si próprio. E ao seu núcleo de amigos e familiares mais próximos. Para que qualquer relação resulte (seja ela amorosa ou não), tem que se sentir bem consigo próprio. Essa sim é uma prioridade que não deve descurar. 
 
Joana Marques Alves26/12/2015
 
http://sol.pt/noticia/491491/10-dicas-que-podem-salvar-a-sua-relacao





sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Homofobicus otarius: os "melhores" comentários



Foi aprovada a lei da adopção por parte de casais do mesmo sexo e gerou-se o caos nas redes sociais, como sempre. Antes de vos mostrar, quero apenas dizer que, para mim, só há um argumento relativamente válido de quem é contra a adopção por parte de casais do mesmo sexo: é o argumento de que a sociedade pode não estar preparada e que os miúdos vão sofrer discriminação na escola por parte de outros putos ranhosos, filhos de pais preconceituosos que os vão impregnar de crueldade e homofobia. Ainda assim, embora perceba este argumento, sou a favor porque acho que o bullying é saudável e porque qualquer pessoa inteligente vê que mais vale chamarem-nos maricas no recreio do que passar a vida numa instituição sem uma família que nos dê amor. Posto isto, varri algumas secções de comentários de jornais portugueses e morri um pouco por dentro. Porque não gosto de guardar as coisas más só para mim, partilho aqui convosco para, também, falecerem um pouco. De nada.


Aqui conseguimos observar alguns exemplares de uma ramificação da evolução humana que não teve a sorte e chegar a ser homo sapiens, mas sim, homofobicus otarius. Comparar homossexualidade com pedofilia não é desinformação, é mesmo atraso cognitivo. De notar que existem «likes» em alguns destes comentários, dando a entender que esta sub espécie "humana" não está, infelizmente, perto da extinção.



Neste belo quadro, podemos observar os argumentos desta espécie, altamente ponderados e eloquentes. O uso das letras maiúsculas e os erros ortográficos são uma das armas mais poderosas do homofobicus otarius. De notar a falta de conhecimento da anatomia humana do senhor Jorge que, para além de pensar que dois pipis ou duas pilinhas podem procriar, ainda acha que adoptar o filho que foi abandonado por um casal heterossexual é, de alguma forma, «usar os filhos».



Perante a falta de argumentos, muitas vezes, o homofobicus otarius prefere expressar os seus argumentos e emoções na forma de bonequinhos palermas.



O senhor Mário é um cientista incoerente. Apesar de denotar algum sentido de humor, embora nojento, decide chamar Deus, dizendo que nada acontece por acaso, sem depois se lembrar que se Deus faz tudo pensado, também terá feito gays e lésbicas propositadamente. Tal como terá permitido que a lei fosse aprovada ao invés de deitar um meteorito na Assembleia. O senhor Mário é um palhaço.



A Luzia e o David a mostrarem-nos que o mais importante neste caso é a semântica. Já agora, podiam juntar-se os dois que assim só se estragava uma casa. Mas não procriem, por favor.



A verdadeira magia acontece nas zonas de comentários anónimos, onde o homofobius otarius revela a sua faceta mais nojenta. Chamo à atenção para o senhor Fernando, que está claramente a tentar enganar as pessoas, dizendo que é gay. Até se pode dar o caso dele ter um fetiche anal mal resolvido, é um facto. Mais uma vez, o homicídio da língua portuguesa é uma constante, porque a iliteracia e o preconceito andam de mãos dadas. Duas mãos de sexos diferentes, atenção. Não queremos cá mariquices.



Sim senhor, até que enfim argumentos e propostas de solução. O senhor Felisberto a revelar a sua homossexualidade reprimida a ver se pega. «Ah e tal, vou enfiar um pénis no rabo e outro até à garganta só para provar que tenho razão!».



A democrata senhora Helena a fazer a pergunta que faz sentido, à qual eu vou tomar a liberdade de responder. Senhora Helena, estas coisas não devem ir a referendo porque, como pode ver em todos os comentários acima, ainda existe muita gente retrógrada e atrasada mental. Como tal, os direitos humanos não devem ir a referendo, correndo o risco de serem decididos pela maioria inculta, burra e desinformada.

E é isto. Espero que tenham gostado. Se forem contra pelos motivos que falei no início, até vos respeito, mas argumentem de forma inteligente. Não sejam otários. Não sejam homofobicus otarius.
 
http://porfalarnoutracoisa.sapo.pt/2015/11/homofobicus-otarius-os-melhores.html